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sábado, 23 de maio de 2015

EBD - BATALHAR PELA FÉ


INTRODUÇÃO

Com essa postagem, retomamos os estudos relativos às EBDs da ICM, com o claro intuito de ajudar aos irmãos no discernimento dos estudos, seus objetivos, e os pontos de teologia sistemática abordados, ainda que tangencialmente.





ESCOLA BÍBLICA PARA JOVENS E OBREIROS – 23-mai-2015


- TEMA: A FÉ
- ASSUNTO: BATALHAR PELA FÉ
- TEXTO FUNDAMENTAL: JUDAS 1:1-5

A CARTA DE JUDAS NO VERSO 3 EXORTA A BATALHAR PELA FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA À IGREJA.
COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... PORQUE SE INTRODUZIRAM ALGUNS, [...] HOMENS ÍMPIOS...” VS. 4
“... CONVERTEM EM DISSOLUÇÃO A GRAÇA DE DEUS, E NEGAM A DEUS...” VS. 4
“... HAVENDO O SENHOR SALVO UM POVO [...] DESTRUIU, DEPOIS, OS QUE NÃO CRERAM”. VS. 5.

(Os textos usados neste estudo foram extraídos da Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida).
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OBSERVAÇÕES:
  1. Haverá um período de 10 minutos no início da reunião para uma pequena dinâmica em classe;
  2. Os textos em itálico são transcrições literais dos estudos recebidos dos grupos de jovens e obreiros.
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OBJETIVO DO ESTUDO
Mostrar que
- Batalhar pela fé não é simplesmente crer, mas é lutar para andar da direção do Espírito Santo. Isso está ligado ao exercício da fé que uma vez foi dada aos santos (à igreja).
- Esta batalha é de ordem interior, ou seja, dentro do “Corpo”, para impedir a introdução daqueles que querem converter em dissolução a graça de Deus.
- “A fé foi dada aos santos” (à igreja): se foi dada é porque ela não tinha antes. Se foi dada é porque alguém deu e quem deu foi o Pai, porque quando nos deu Jesus, nós recebemos o DOM DE DEUS. Uma fé vinda de Deus “não vem de vós, é dom de Deus”.
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INTRODUÇÃO
A CARTA DE JUDAS NO VERSO 3 EXORTA A BATALHAR PELA FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA À IGREJA.

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”. Judas 1:3

Hoje percebemos no cristianismo uma crise de fé. Não se trata da “fé” que está lá fora no mundo, mas uma “fé” que foi acolhida por um cristianismo moderno. Uma “fé” que emerge do homem, isto é, gerada por ele, e que por isso mesmo admite todo tipo de desvio do projeto genuíno de salvação.
O estudo visa despertar os servos a batalhar pela fé que uma vez foi dada, e foi dada pela graça, na pessoa daquele que é o “dom de Deus”. Uma fé que não foi gerada pelo homem, mas que vem de Deus e nos alcançou para gerar em nós a esperança de vida eterna,
É uma batalha muito sutil e meticulosa, porque a palavra “introduzir”, no verso 4, dá uma ideia de uma introdução furtiva, imperceptível, sorrateira, disfarçada.
A pergunta é: Como está a fé nos meios cristãos? E a resposta da igreja fiel a esta pergunta é vem através de uma batalha pela conservação dessa fé. Uma batalha interna.
A carta de Judas foi escrita para uma igreja que vive uma “comum salvação”, ou seja, uma salvação compartilhada no ambiente interno que é o “Corpo”. Sobre essa experiência de salvação no Corpo ele exorta a igreja a batalhar para que ela não seja diluída por homens ímpios que tentem se introduzir no meio dela para causar dissolução.
A carta é dirigida a uma igreja “conservada por Jesus Cristo”, ou seja, a revelação de Jesus a conserva e a preserva de toda contaminação que tenta se introduzir no meio dela.
Essa batalha é para a preservação de uma fé interior, que uma vez foi dada aos santos quando o Espirito Santo foi derramado sobre a igreja e passou a habitar no meio dela.

COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... PORQUE SE INTRODUZIRAM ALGUNS, [...] HOMENS ÍMPIOS...” VS. 4

 “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” VS 4

COMENTÁRIO:
“... porque se introduziram alguns, [...] homens ímpios...”
A palavra introduzir dá o sentido de algo interno, algo que ocorreria no interior da igreja de forma sutil. Ele exorta quanto ao mal que “alguns” causariam ao evangelho.
Judas estava advertindo a igreja a fim de que ela permanecesse “conservada”, visto que essa luta interna é profética. Por isso ele usa a expressão “que já antes estavam escritos para este mesmo juízo”, mostrando que essa ação de “homens ímpios” já estava profetizada, sobretudo, para a igreja da última hora.
A grande luta para essa igreja, portanto, não seria nas arenas, mas sim no “Corpo”, contra a ação de “homens ímpios” que se introduziriam no evangelho, porém sem conversão e submissão ao Espírito, conforme Judas descreve suas características no conteúdo da carta.
A batalha da fé não é uma luta para ser exteriorizada na forma de manifestação pública para defender a fé, mas uma luta de ordem interior. Os apóstolos em suas cartas travaram uma grande luta interior no meio da igreja para estabelecer e defender a unidade doutrinária. Essa luta era contra os que queriam causar dissolução dentro da igreja.

ASPECTO PROFÉTICO:
A igreja vive hoje a plenitude do conteúdo da carta de Judas. Com pesar contemplamos um evangelho descaracterizado pela ação de “alguns que se introduziram”, dando forma ao aspecto profético do perfil de “mestres” descritos na carta. Na verdade são “homens ímpios”, pois seus comportamentos atestam que não foram transformados pelo poder do evangelho, mas sim querem transformar o evangelho de acordo com seus interesses.
A igreja fiel deve estar atenta a esse perfil que se introduz no meio dela.
- Ele não faz parte do Corpo.
- Ele não foi gerado pelo Corpo.
- Ele não traz a genética do Corpo.
- Ele foi introduzido.
- Veio de fora e, portanto, faz mal ao Corpo, porque não pertence ao corpo.
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COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... CONVERTEM EM DISSOLUÇÃO A GRAÇA DE DEUS, E NEGAM A DEUS...” VS. 4

 “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” VS 4

COMENTÁRIO:
“... convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus...”
A graça de Deus é o Seu favor para com o homem, é o Seu projeto de salvação revelado em Sua Palavra. Por isso, Paulo diz: “Pela graça sois salvos.” Efésios 2.8.
Converter em dissolução é transformar em partes. Dissolução é separar as partes. Portanto, o sentido aqui não é “acabar com a graça”, mas sim separar em partes, a fim de absorver, ou ensinar somente aquilo que convém. Essa é a intenção daqueles que se introduziriam.
Judas mostra que a síntese dessa dissolução é negar a Deus, negar a Jesus Cristo. Isso significa negar o projeto cujo fundamento é o Senhor Jesus e seu sangue.
O autor da carta queria inicialmente falar sobre salvação, mas sentiu a necessidade de falar sobre a batalha pela fé, visto que é a fé que nos conduz à graça. A fé profética não compactua com a dissolução da graça. Portanto, ele coloca a fé como o elemento que vai preservar a graça, ou seja, o projeto de salvação.
Dissolução também significa perversão de costumes, devassidão, ruína, e isso é claramente observado quando se vê igrejas perdendo o sentido do culto, do evangelho e do louvor verdadeiro, que é santo, puro, perfeito, sem interesses, feito como expressão de almas remidas, anunciando os atos de justiça do Senhor e antecipando a posse do reino.

ASPECTO PROFÉTICO:
A grande luta da igreja fiel é no sentido de manter a fé que lhe foi dada. Essa fé, que é a direção do Espírito Santo, é o elemento fundamental para preservar o projeto da graça salvadora.
Não entendemos o projeto em partes.
- Não é possível dissociar salvação do poder do sangue de Jesus.
- Não é possível falar de comunhão sem o poder do sangue de Jesus.
- Não é possível falar de Corpo sem o Sangue.
- Não é possível falar do Espírito Santo sem os dons espirituais.
- Não é possível falar de santificação sem uma operação do Espírito Santo.
- Não é possível pregar o evangelho sem anunciar que o Senhor Jesus vem.
O projeto é único. A salvação é um projeto, revelado na Palavra de Gênesis a Apocalipse, que alcançamos pela fé que nos foi dada no encontro com o Senhor.
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COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... HAVENDO O SENHOR SALVO UM POVO [...] DESTRUIU, DEPOIS, OS QUE NÃO CRERAM”. VS. 5.

 “Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram;” VS 5

COMENTÁRIO:
“Havendo o Senhor salvo um povo [...] destruiu, depois, os que não creram.”
O cenário profético apresentado por Judas é comparado à saída de Israel do Egito e à morte no deserto dos que não creram, durante uma caminhada de quarenta anos.
A saída de Israel do Egito foi marcada por sinais, sobretudo, a revelação do sangue do cordeiro que foi passado na verga e nas ombreiras das portas, naquela que foi a última noite do povo no Egito.
Entretanto, mesmo após a saída do Egito e dos sinais que marcaram a caminha pelo deserto eles deixaram de crer e murmuraram contra o Senhor.

“Então levantou-se toda a congregação, e alçaram a sua voz; e o povo chorou naquela mesma noite. E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Aarão; e toda a congregação lhe disse; Ah, se morrêramos na terra do Egito! ou, ah, se morrêramos neste deserto! E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada, e para que as nossas mulheres e as nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito? E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos ao Egito.” Números 14.1-4

Desejar morrer no Egito, ou voltar para lá era desprezar aqueles sinais, sobretudo a vida pelo sangue do cordeiro. Era desprezar a promessa da terra que mana leite e mel. Por isso Deus decidiu que, os que deixaram de crer morreriam no deserto.

“E todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz, não verão a terra de que a seus pais jurei, e até nenhum daqueles que me provocaram a verá.” Números 14.22-23.

ASPECTO PROFÉTICO:
É possível que, alguns voltem atrás depois de viveram experiências com o Senhor. Mesmo depois de viveram sinais, depois de crerem e pregarem o poder do sangue de Jesus e sua vinda. É possível que tentem confundir alguns com sua incredulidade. Porém, a igreja fiel deve estar atenta a esses sinais que identificam aqueles que desistiram do projeto da graça salvadora e agora agem sutilmente buscando introduzir uma mentalidade de graça dissolvida a fim de demover alguns da fé profética dada aos santos e que os conduz à graça salvadora.

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COMENTÁRIOS CVPFB


Para nós, batalhar pela fé que um dia foi dada aos santos é uma admoestação de grande repercussão, atingindo toda a igreja de Cristo, não apenas a ICM.

Orígenes de Alexandria, um dos pais da igreja, disse acerca da carta de Judas:

"é um livro pequeno, mas cheio de um vigoroso vocabulário"


Trata-se de um livro pouco lembrado pela maioria. A ordem aqui é lutar pela fé, nos trazendo a recordação que fomos chamados para lutar pela fé.

A questão inicial é para quem Judas escreveu e por quê?

Evidentemente, a fé pela qual devemos lutar não é apenas a fé em si, a fé que vem de Deus, mesmo porque Deus cumprirá todos os seus propósitos com ou sem a nossa ajuda.

Judas está falando outra coisa. Ele está afirmando categoricamente que devemos defender a crença cristã, a fé cristã, assim entendida a fé em Jesus Cristo para salvação e a IGREJA CORPO DE CRISTO. Batalhar pela doutrina da graça, a graça salvífica, a salvação, por meio da fé, pela graça, em que o homem não precisa de fazer nada para ser salvo, pois toda a obra da salvação foi feita por Cristo, que na cruz cravou para sempre nossos pecados e tragou na vitória o pecado e a morte. Batalhar pela fé aqui é batalhar pelos irmãos, para que não sejam presas fáceis dos falsos mestres, mais preocupados com suas próprias posições e doutrinas do que com as ovelhas de Cristo.

Para quem, então, é a Carta de Judas? Quem são os destinatários?

Para a universal igreja de Jesus Cristo. E por que isso? Por que se introduziram alguns que estavam solapando o evangelho de Jesus Cristo. Judas está, pelo Espírito Santo, escrevendo para uma igreja tendo por escopo defende-la de um ataque específico ao evangelho: Falsos ensinos, um ataque que acontecia dentro da igreja. As heresias, falsas doutrinas, ensinamentos errôneos tomavam um proporção no meio dos cristãos. A fé cristã e a própria igreja estavam sob ataque!

É interessante notar que os destinatários da mensagem de Judas eram cristãos que conheciam bem as Escrituras Sagradas. Senão vejamos: "Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Core" (1.11). São ilustrações tiradas do Antigo Testamento, que ocorreram no contexto do povo do Senhor.

Judas estava atacando os que se introduziram com dissimulação, estavam com o intuito de por a fé em dúvida (1.20), causavam divisões e contendas internas e traziam uma influência anticristã (1.19). Eles convertem em dissolução a graça de Deus. No original, dissolução aqui quer dizer exatamente isso: dissolução! A palavra grega é "ASELGEIA", QUE SIGNIFICA LICENCIOSIDADE, LIBERTINAGEM. Esses falsos mestres serão conhecidos por pregar que Deus tolerará a licenciosidade e a libertinagem, quando, em verdade, a dissolução é um sinal evidente que a pessoa que a pratica NÃO ESTÁ SALVA. Quanto a negar a Deus como único dominador é justamente deixar de pregar a necessidade de santificação e regeneração, a necessidade de curvar-se às ESCRITURAS.

O propósito de Judas seria lembrar aos seus leitores que existem falsos cristãos dentro das congregações. Esses homens entraram pelo caminho de Caim, que motivado por uma ira no seu coração, matou seu próprio irmão. O nome de Balaão é mencionado, levado pela ganância (Nm 31.16). A referência a Coré é estarrecedora! Um sacerdote rebelando-se contra a ordem e a estrutura divina firmada em Israel. Sua oposição contra a autoridade da Igreja no Antigo Testamento (Nm 16; 26). Então, no seio da igreja, o apóstolo denunciava que estavam acontecendo fatos similares, os quais podiam ser identificados, bem como os autores, pelos exemplos que estava pondo em destaque.

Para os leitores dessa carta, era necessário entender que esses falsos mestres não somente distorciam o verdadeiro ensino, como também sorrateiramente manipulavam em prol das suas causas. Como Caim, esses invasores desejavam, de acordo com Judas, inverter a direção da igreja, assassinar o ensino a partir de dentro da casa do Senhor. Como Balaão, esses falsos mestres estão preocupados somente com o seu ganho, interesses pessoais (1.12). A citação do nome Coré, vem para provar que esses pseudocristãos estão arraigados na mesma revolta, (oposição), disputas rebeldes em que os falsos mestres também estavam envolvidos.

Finalizando, a Carta de Judas não é contra aqueles que saem ou saíram, muito ao contrário, é contra aqueles que se introduziram na igreja para destruí-la.



A DOUTRINA DO MEDO

Não podemos mais tolerar o uso indevido desta importantíssima Carta Bíblica, como agora está sendo feito nessa EBD. Ocorre que tivemos saídas de muitos pastores por esses últimos dias. A Circular PES nº 22/2015, é prova inconteste de um embate na cúpula e saída de membros.

Há perda de pastores nos EUA, EUROPA, Serra/ES, Juiz de Fora e BH/MG e outros lugares no Brasil também.

Ora, usar a Carta de Judas, em uma EBD, exatamente neste momento, tem endereço certo: condenar os que acabaram de sair.

Isso é grave erro. Judas, em sua Carta à Igreja, não estava condenando os que saíam, estava condenando os que se introduziram com falsas doutrinas. 

Por outro lado, ao condenar os que saem, o objetivo é também amedrontar os que ficam para que não saiam. E, pior, sem dizer para os que ficam que essa é a intenção. Trata-se de no mínimo uma atitude antiética para os que permanecem.

Os amedrontados sabem que, caso saiam, serão condenados veementemente pelo PES, que usará contra eles a mesma Carta, a Carta de Judas. Isso traz sérias repercussões na vida do retirante, pois ele possui amigos, familiares e, principalmente, diletos irmãos dentre os que ficam. Ser execrado publicamente significa ter de suportar perdas terríveis. É ser punido apenas por sair da denominação. Não é preciso afirmar que isso não procede do Espírito Santo de Deus. A uma porque Deus não impõe a quem quer que seja uma denominação, a duas porque quem ataca as ovelhas que resolveram mudar de ministério pode estar fechando a porta para essas pessoas e lançando-as no precipício. Isso é terrível, pois fomos chamados para apascentar as ovelhas de Cristo e essa é a única prova de amor que Ele quer que demonstremos: Pedro, tu me amas? .....Apascenta as minhas ovelhas!

Porém, desde já afirmo que a Carta de Judas é contra exatamente o que o PES está fazendo nesta EBD: Utilizando o púlpito cristão, um momento sagrado, que é o momento em que a igreja se reúne para adorar a Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, para uma atitude dessas, que o próprio texto extraído da Carta de Judas veementemente condena.

Enfim, esse tipo de mensagem não pode mais ser tolerada. Os pastores estão avisados, essa EBD não trará nada de bom para a membresia e nem deve ser ligado o satélite para esse nefasto propósito de condenar os irmãos que se desligaram, como se estivessem se desligando da igreja de Jesus Cristo. Obviamente, não é o caso, desligaram-se somente do PES.

Segue abaixo a mencionada Circular.

Batalhar pela fé, no contexto da Carta de Judas, é condenar a atitude de sub-repticiamente condenar irmãos e pastores que se desligaram da ICM nesses últimos dias.



CIRCULAR Nº 022/15

Igreja Cristã Maranata – Presbitério Espírito Santense
Vila Velha/ES, 09 de maio de 2015

COMUNICADO

Comunicamos aos Pastores, ungidos, diáconos e membros dos grupos de intercessão que recebemos um comunicado do presidente das Igrejas dos Estados Unidos da América formalizando o desejo já cogitado na última reunião de pastores, em dezembro de 2014, ocasião em que foi estabelecida a diretoria da igreja americana.

Admitindo que em tal posicionamento tenha sido expressa a vontade do Espírito Santo, como foi no caso de Portugal e outros, em breve, por certo, serão conhecidos os resultados dessa decisão.

Com relação ao assunto MISSÃO:

1. A ICM do Brasil tem uma Missão devidamente registrada, que atende algumas necessidades relacionadas a envio de obreiros ao exterior;

2. Os esforços feitos na América anteriormente para evangelização e propagação da doutrina em outros países, tiveram resultados limitados por falta de uma instituição mais sólida e estruturada;

3. É do nosso interesse envidar todos os esforços possíveis para ampliar e institucionalizar este instrumento – a Missão Internacional.

Sendo assim, é nosso desejo unir esforços com a participação dos demais grupos já ligados a nós interessados nesse trabalho missionário de evangelização.

Ficou demonstrado pelo atual presidente da Igreja Norte Americana que não há nenhum interesse em comungar conosco nesse projeto, em virtude dos fatos citados pelo mesmo, devido a aspectos legais do país, incluindo o isolamento dessa igreja com outros países, deixando de atender o que até aqui vinha sendo feito.

Não houve nenhuma formalização, discussão ou até mesmo contato entre o Conselho Presbiteral e a diretoria da igreja Norte Americana para tratar do assunto de Missão Internacional, disponibilização e transferência de recursos. Esse ou qualquer outro assunto será tratado no Brasil pela diretoria administrativa e eclesiástica, com ampla divulgação para seus membros.

Quanto aos pastores das igrejas Norte Americanas que tem buscado informações, nossa palavra é que busquem manter a unidade, fiéis à doutrina, cuidando dos rebanhos com todo amor e diligência, buscando em tudo agradar e fazer a vontade do Senhor Jesus que nos chamou e comissionou para esse mister.

O Presbitério da Igreja Cristã Maranata reafirma que o vínculo outrora estabelecido com os pastores e membros das igrejas permanece o mesmo, colocando à disposição toda a sua estrutura, pronto para atender qualquer e eventual solicitação.

A Paz do Senhor
Conselho Presbiteral.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

OBRIGADO SENHOR!

Recentemente, um irmão encaminhou-me uma circular do Presbitério acerca da forma de agradecer ao Senhor, nos seguintes termos:



Vila Velha/ES, 09 de julho de 2009
 COMUNICADO N.º 033/09:  


GLORIFICAÇÃO A DEUS
            Recomendamos aos pastores observarem a forma e expressões bíblicas de agradecimento a Deus pelos benefícios recebidos, para não usarem palavras inadequadas dirigidas a pessoas, tais como:
            - Obrigado! Muito Obrigado!
            - Pai do céu! Paizinho do céu!
            - E outras semelhantes.
A palavra “Aleluia” é celestial e nos foi concedida por Deus para oferecermos ao Senhor o louvor sublime que só Ele é digno de receber. Os anjos e todos os seres celestiais louvam a Deus dizendo “Aleluia”.
Em Apocalipse 19 vários grupos louvam a Deus dizendo “Amém”, “Aleluia”; Em Apocalipse 7:12 anjos louvam com as palavras “Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém.”
Em nenhum momento a Bíblia menciona alguém usando “Obrigado” como gratidão a Deus. Quando falamos “Obrigado”, estamos tratando o que é sublime como se fosse comum.       O pastor é o responsável pela conservação da sã doutrina, para que o rebanho não acompanhe tais desvios inadmissíveis disseminados como inovações por religiosos e cantores profissionais.

A Paz do Senhor

A Secretaria.




 CONSIDERAÇÕES

Primeiramente, convém apontar, como forma de melhor discorrer sobre o assunto, que não se trata de discutir doutrinas bíblicas ou de desvio da sã doutrina.

Trata-se tão somente de verificar se a forma de agradecimento do vernáculo (português) está de acordo com as expressões bíblicas nos originais em hebraico, grego e aramaico.

A palavra "obrigado" corresponde, no grego do Novo Testamento, a “eucharistos”. Ou seja, são palavras que cobrem quase as mesmas áreas de significado, como se fossem termos sinônimos. No grego temos: ευχαριστος [eucharistos] (Adjetivo), que significa grato, agradecido. No português, grato e agradecido são sinônimos de obrigado.

Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. - ευχαριστοι [eucharistoi] Nom. pl. masc.

Assim, o termo "grato", "agradecido" ou "obrigado" surge em Colossensses 3:15:

E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos (ευχαριστοι - eucharistoi).

Evidentemente, não existe na Bíblia a expressão "obrigado", pois esse é um termo extraído da língua portuguesa moderna e a Bíblia não foi escrita em português. O significado do termo é justamente "grato" ou "agradecido". Assim, muito obrigado facilmente corresponde a muito agradecido. Uma tradução da Bíblia na linguagem atual poderia conter a expressão.

João Ferreira de Almeida, bem como outros tradutores e intérpretes, teve de se valer de expressões do vernáculo que correspondiam a expressões das Escrituras, sem serem exatas. Isso é algo extremamente comum quando se traduz de uma língua para outra, mormente quando o hebraico e o grego bíblicos há muito já não eram mais utilizados.

Sem querermos nos alongar em estudos científicos, ressalte-se que os vocábulos nem sempre cobrem as mesmas áreas de significado entre diferentes idiomas. Este fenômeno, também chamado de polissemia, ocorre com qualquer idioma e, assim como o português, o grego também tem inúmeras palavras de múltiplo significado, o que costuma-se denominar de ambiguidade léxica do idioma. No português, temos como exemplo o termo obrigado, que significa grato, mas também devedor ou constrangido. No grego, a palavra soteria corresponde a salvação, mas também a livramento e cura.

É certo que na linguagem da Bíblia, o melhor é dizer "graças Te dou", ou "Te glorifico", etc. Mas a expressão "obrigado" corresponde perfeitamente a uma palavra grega, "eucharistos", que por sua vez encontra assento nas Escrituras, como demonstrado.

O assunto ganhou as páginas da internet, de onde extraímos o seguinte comentário:

Comentário à pergunta
A palavra "obrigado" esta escrito na Bíblia evangélica?
DBonfim - Jaguarari - 02/03/2015

“Obrigado”, no grego do NT se diz “eucharisto” (Agradeço, dou graças). Nesse sentido, há muitos textos. Jesus, por exemplo, agradece ao Pai, antes de repassar o cálice na Última ceia (Mt 26,27), nas cartas, essa forma de agradecer está presente logo nas primeiras linhas (1Tm 1,12, por exemplo). É, porém, preciso entender que a língua bíblica é da antiguidade e a forma de expressar o que queremos dizer hoje, pode variar um pouco. Assim, o que na Bíblia é um “eu te louvo”, pode ter o mesmo valor que “te agradeço” (obrigado), ou uma bênção num “render graças”, também. Assim, pode-se dizer, por exemplo que Mt 11,25, Jesus diz “obrigado” a seu Pai, por causa dos pequeninos que o acolhem (mas ali não aparece no texto grego a expressão "eucharisto", mas a ideia é a mesma). Ao modo piedoso, se diz: “te dou graças”, “te louvo”, o que em bom português pode-se traduzir por: “Obrigado, Meu Pai”, “Te agradeço, Meu Pai”. Espero ter colaborado.



CONCLUSÃO


A conclusão a que chegamos é que dizer "obrigado Senhor" não está errado, não está em desacordo com as Escrituras e a sã doutrina. Na verdade, está correto. Porém, a Bíblia contém expressões mais apropriadas, como "graças te dou", "te louvo" ou "te glorifico".

"E dou graças ao que me tem confortado, a Cristo Jesus, Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério," (1 Timóteo 1:12, ARC).

O próprio Senhor Jesus utilizou a expressão:


"Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos" (Mateus 11:25, ACF).


Portanto, Não fere a sã doutrina dizer "obrigado Senhor". De forma alguma.


O que acontece, e a verdadeira motivação, é que igrejas como a Mundial utilizam demasiadamente a expressão. A ICM vinha à época (2009) perdendo muitos membros para a Igreja Mundial e isso por certo incomodou ao PES. Afirmar que a expressão não deve ser utilizada, afirmando inclusive que é desvio da sã doutrina, é uma forma de impedir a fuga de membros para uma igreja que utiliza expressões, em tese, em desacordo com a sã doutrina. Esses subterfúgios foram utilizados em outras ocasiões, em que a verdadeira motivação fica oculta, uma verdadeira "vacina" para a membresia. Porém, esse tipo de providência, em que se oculta a verdadeira motivação, não passa de dissimulação, o que é defeso aos pastores e membros do PES. Por certo não convém à sã doutrina mentir para a membresia, para a igreja de Jesus Cristo.

Não entramos aqui no mérito da materialização da fé em demasia, com toalhas e água, como se a igreja de Jesus precisasse disso. Não precisa! Muito embora em algumas ocasiões tenha acontecido que retalhos de vestes dos apóstolos, e até mesmo a sombra de Paulo e Pedro, foram utilizadas como instrumento para o Senhor operar curas. Mas são ocasiões isoladas, e não se pode fazer dessas pequenas passagens práticas reiteradas para a igreja.

Por tudo o que foi dito, concluímos que a expressão encontra termos correspondentes nas Escrituras e pode ser utilizada normalmente, muito embora haja expressões mais adequadas. Os pastores não devem proibir os membros de se utilizarem dessas expressões e não devem errar, diante do Senhor, ao afirmar que está errado o que está correto.

A Paz do Senhor



sexta-feira, 8 de maio de 2015

FUNDAMENTOS DA OBRA


INTRODUÇÃO

Como se quer verificar se a aula intitulada "fundamentos da obra" é concernente à sã doutrina, devemos começar pela aula em si, para depois fazermos uma avaliação.

A aula não começa de uma forma feliz, pois descontextualiza. Assim, o texto trazido para o tema não tem quase nada a ver com obra, quiçá com fundamentos da obra.

Mas vamos ao estudo:

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.
Hebreus 4.12

A Palavra de Deus não é um livro de simples referência do passado, Ela é vida e nos fala hoje, através de um contexto que envolve vidas e fatos (figuras), que em tudo se identificam com as nossas.

A Palavra de Deus nos conduz hoje, agora, no mundo tenebroso de indefinições. “É lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos”. Salmo 119.105

Sendo assim, temos duas vidas, no Antigo Testamento, Saul e Davi, que tipificam duas alas de pessoas que de maneira distintas buscam servir ao Senhor. Porém, as maneiras de obrar se divergem.

• A obra que Saul realizava objetivava servir ao Senhor.
• A obra que Davi realizava tinha o mesmo fim.

Acontece, porém, que Saul terminou os seus dias renegado por Deus, (1 Sm 16.1) atormentado por espíritos malignos, (1 Sm 16.14) angustiado, triste, desesperado, com um final de suicídio. (1 Sm 31.4)

Davi, porém, terminou os seus dias glorificando o Nome de Deus, (2 Sm 22) e transmitindo em meio à glorificação uma mensagem de esperança e conforto para o povo de Israel, (2 Sm 23.1-4) v. 3

“Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus”.

Assim foi sem que Deus pretendesse distinguir Davi de Saul, com privilégios maiores. A vontade de Deus é que todos recebam a Sua bênção completa, (1 Tm 2.4 – Dt 10.17) “Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas”. Romanos 2.11

Mas Saul desobedeceu, Davi, porém, era um homem segundo o coração de Deus, (1 Sm 13.14 – Sl 89.20). Davi não era um “Super homem”, era um homem, sujeito a quedas e fraquezas, ele mesmo confessa: “Eu sou pobre e necessitado”. Salmo 40.17 – 34.6 – 51.3.


1 – CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA DE SAUL

O povo de Israel queria um rei que reinasse sobre ele, (1 Sm 8.5-8) Deus o estava abençoando desde o Egito o havia tirado, mas a exclusiva vontade de Deus sobre ele não estava satisfazendo, queria um rei, (vontade do homem). “Constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações”.

As desculpas do povo: (1 Sm 8.3-5) Deus permitiu que a vontade do povo fosse realizada, não obstante a expressão do Senhor. (1 Sm 8.7)

1.1 As características do rei escolhido - SAUL

a) Satisfazia os desejos do coração do povo: tinha aparência, se destacava no meio do povo (atraente). (1 Sm 10.23-24)
b) Era modesto. É bom observar que a modéstia de Saul era intempestiva, “é um pecado tão grande insistir na modéstia e permanecer atrás, quando o Senhor chama à frente, como o é, passar à frente quando a vontade de Deus é que se fique atrás”. 1 Samuel 10.22
c) Foi escolhido por Deus. (1 Sm 9.17 – 15.1)
d) Foi usado por Deus. (1 Sm 10.7-10 – 11.6)
e) Obteve muitas vitórias. (1 Sm 11)

1.2 Decadência e morte de Saul

A principal causa da perda da bênção de Saul foi a desobediência.

“E toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição”.
Hebreus 2.2b

a) Desobedeceu ao Senhor. (1 Sm 13.8-23 – 15.1-9) Compare com (Números 3.10 e 38)
b) Depois da desobediência, as razões. (1 Sm 13.11-12 – 15.9-21)
c) O sentimento do Senhor para com Saul, diante de sua desobediência.
(1 Sm 16.1)
d) Consciência pesada, falta de paz, e ausência do Espírito de Deus.
(1 Sm 16.14)
e) Deus parou de falar com Saul por causa da sua desobediência.
(1 Sm 28.6)
f) Saul perdeu a sensibilidade do Espírito.
g) Saul perdeu o discernimento.
h) Misturou-se com a feitiçaria. (1 Sm 28.7 – Ap 18.23 – 21.8 – 22.15)
i) A obra de Saul termina no Ecumenismo. (Idolatria, feitiçaria, e materialismo).

A obra de Saul se identifica com as religiões, organizações e movimentos que é bem diferente do Evangelho do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. As religiões impedem a verdadeira bênção enquanto o povo desfalece.

As religiões têm um fracasso maior: “Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do SENHOR não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto”. (1 Sm 13.11)

As religiões se lançam em uma luta na carne, enquanto que Davi glorifica o nome do Senhor e anuncia o reinado de um justo. “A vinda do Senhor Jesus, o arrebatamento da Igreja”. O reconhecimento de Jônatas, o filho de Saul. (1 Sm 14.29 – Ct 2.3)

Na religião o Deus que fala, manda, determina, não é muito importante. (1 Sm 15.3) o importante é o que o homem acha no coração. (1 Sm 15.9)

O que Deus quer é que a Sua Obra seja realizada e que o pecado seja destruído, (1 Sm 15.3) o que Saul não fez, para Saul nem tudo precisava ser destruído. (1 Sm 15.9 – Rm 6.14)

“Eu perdoei Agague e ao melhor das ovelhas e das vacas”. (1 Sm 15.14)

Existiam coisas de Amalequita no meio do povo de Deus. O Espírito de Deus não podia operar. A obra de Saul chegou ao fim em visível desagrado á vontade de Deus.
“Sai dela povo meu”. Apocalipse 18.4


2- CONSIDERAÇÕES SOBRA A OBRA DE DAVI

Com a desobediência de Saul, e conseqüentemente desagrado do Senhor Deus, diante da dor e miséria que tomava todos os corações, (1 Sm 17.24) Samuel ordenado por Deus levanta Davi, filho de Jessé, o belemita e unge-o rei de Israel em uma hora decisiva para o povo. (1 Sm 16.1-13)

2.1 – As características de Davi

a) Foi escolhido por Deus e não porque o povo queria como foi no caso de Saul.
(1 Sm 16.12 e 8.5)
b) Não tinha aparência de acordo com o olhar do homem. (1 Sm 17.14) Lembramos da profecia de Isaias sobre Jesus. (Is 53.2)
c) Era o menor dos filhos de Jessé. (1 Sm 17.14)
d) Foi levantado na hora que Saul, pela sua desobediência já não tinha mais poder para enfrentar o inimigo. (1 Sm 17.19-24 – 17.10-16)
e) Era valente não era covarde. (1 Sm 17.32 – Jz 8.3)
f) Tinha experiência como o Senhor. (1 Sm 17.34-37)

2.2 – Davi identifica a Obra que Deus amou

a) Nas madrugadas. (1 Sm 17.20 – 29.10 – Pv 18.17)
b) Na consulta ao Senhor. (1 Cr 14.10, 14-15) Perguntar por causa do detalhe. Observe a segunda parte de 2 Cr 14.15.
c) Na busca do poder. Subida ao monte. (2 Sm 15.30) Acerto no monte antes das lutas era comum em Israel.
d) No quebrantamento. (2 Sm 15.30 - Sl 6.6 – Mt 5.4)
e) Na humildade. (2 Sm 15.30 – 2 Sm 16.11)
f) No clamor, na oração. (2 Sm 15.31b) “Aitofel símbolo do Inimigo”.
g) No Jejum. (Sl 119.164 – 109.24 – 85.13) SETE: Símbolo da perfeição.


2.3 – Obra de lutas e provas

a) Perseguições (2 Sm 17.1)
b) Acusações e calúnias (2 Sm 16.5-8)
c) Traições: Absalão seu filho (2 Sm 16.11 – 15.10-13)
Aitofel (2 Sm 15.31
d) Críticas (2 Sm 16.8) Simei (1 Cr 15.29) A mulher de Davi critica-o. Davi diante da arca, poder da palavra; vestido de linho, no Espírito; dançava glorificando ao Senhor.
e) Argumentos de Mical: Era um rei, homem de posição, estava indo ao ridículo, queria aparecer para outras mulheres. Por que críticas? Porque a sua mulher era a filha de Saul; e Simei tinha ciúme porque era da linhagem de Saul.
f) Humilhações (2 Sm16. 21-22 – 15.14) Temos que estar prontos para as provas. Em vão é o socorro do homem, (Sl 60.11). Ninguém levanta ninguém. Abateu-me até o chão, (Sl 143.3). Volvei filhos dos homens. Nesta Obra não podemos confiar em pessoas de recursos financeiros, políticos, intelectuais, políticos e sociais. SÓ PODEMOS CONFIAR NO SENHOR.

2.4 – Obra de Discernimento

Não estava na hora de entrar na família de Saul. (1 Sm 18.17-18)

2.5 – Obra onde o pecado não fica encoberto

a) Onde há sentimento e sofrimento pelo pecado. (2 Sm 12.12-19)
b) Deus é Santo e Sua Obra, antes de tudo é santa. Não fica impune. (V. 12)
c) O filho morrerá – o pecado não permanece por mais que se ama. (VS. 10 e 14)
d) Ao sétimo dia morreu a criança. Depois do acerto, do sofrimento, vem a bênção. (2 Sm 12.24)

2.6 – Obra de amor e perdão

Davi chora por seu filho desejando morrer em seu lugar. (2 Sm 1.17-27 - 18.33 – 19.23)

2.7 – Obra de respeito e consideração aos ungidos de Deus

“Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do SENHOR”. 2 Samuel 24.10b
“Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal”.
1 Crônicas 16.22
Vemos que é o Senhor que trata com os seus ungidos. (1 Sm 24.12-15)

2.8 – Obra de prudência

Davi sempre se conduzia com prudência. (1 Sm 18.14)

2.9 – Obra de zelo pelas coisas do Senhor

Davi zelava pelas coisas do Senhor. (Sl 69.9 – 1 Cr 17.1 – 22.3)

“Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente”. Jeremias 48.1

2.10 – Obra de glorificação e louvor

Davi glorifica a Deus com a sua vida. (1 Cr 29.10 – Sl 119.97 – 105.17 – 19.7)

2.11 – Obra de vitórias

a) Sobre a obra de Saul. (1 Cr 10.6-14 – 11.9)
b) Sobre a falsa obra de Absalão. (2 Sm 15.2-5)
Há sempre os descontentes que querem forjar um pastor melhor, uma igreja melhor, um presbitério melhor, à custa de uma ovelha pior. Ficam na espreita, prometendo, mentindo, adulando. É a falsa obra, criticam tudo. Nesta Obra (de Davi) ninguém precisa adular ninguém. O certo é que todos os que se levantam contra a Obra de Davi, morrem presos pelas suas próprias tranças (mente fértil para a vaidade), terminam derrotados no seu próprio animal (mulo). (1 Sm 18.9 -14 e 15)
c) Contra as nações em volta. (2 Sm 8) Contra as religiões. Religião é uma coisa, salvação, Evangelho, Poder de Deus, Autoridade do Espírito Santo e coisa bem diferente.

d) Contra os inimigos do reino. Rebanho do pai (Jessé), o urso que fala do falso irmão, na Obra ele é logo descoberto. Numa simples palavra (pela barba). O urso é próprio do lugar frio. O irmão que fala que é de Jesus, mas não dá bom testemunho, não vive na Sua Palavra, gosta de estar sempre na frente, em evidência; pela barba logo se conhece.
O leão, cuidado! O inimigo gosta de impressionar, pela aparência. (1 Pe 5.8)
Golias fala da carne (gigante) quarenta dias é simbólico. A carne é o último inimigo a ser vencido. Ela está exposta em todas as revistas, TVs, vitrines, computadores (Internet), ruas em todo os lugares.

2.12 - Obra para valentes

a) (1 Cr 11.10 – 2 Sm 17.8) Note-se que assim que Davi foi chamado pelo Senhor, uma jornada de lutas iniciava, (1 Sm 17.28b). Um dos maiores inimigos de Davi era Saul, (1 Sm 18.9 – 2 Sm 3.1). Apesar de grande perseguição de Saul, Davi tinha muitos simpatizantes que lhe confiavam tudo, da casa de Saul, (1 Sm 18.28)
Exemplo: Mical filha de Saul. O senhor era com Davi. Saul matou mil, Davi matou dez mil. Este foi o grito das mulheres. Isso fala do reconhecimento das igrejas.
b) A obra de Saul não gosta da obra de Davi, (1 Sm 18.11). A lança fala da palavra na carne, mas não consegue atingir Davi (pegou na parede) palavra sem poder. O contrário aconteceu com Davi, com a espada que fala da Palavra em suas mãos, cortou o manto de Saul, mas poupou a sua vida, porque esta Obra não é de homem, é do Senhor.
c) Apesar de toda a luta, Davi estava ligado à casa de Saul (Mical e Jônatas).
(1 Sm 18.19 e 19.1)
d) A amizade (amor) de Davi por Jônatas era tão grande que Davi dizia que era maior do que por vinho e por mulheres. (2 Sm 1.26) Davi queria dizer que mesmo que não tivesse o vinho que fala da comunhão no Espírito, ou não pertencesse (amasse) as mulheres que fala das igrejas (mesma igreja), continuavam amigos.

Ninguém precisava ficar como inimigo de Davi, Jônatas ficou e morreu com Saul e Davi caminhou para um lado diferente. Apesar das ligações, Davi não cedeu diante da vontade de Saul, mesmo sendo parentes.

“Aquele que não deixar pai...” (Lc 18.29).

e) A Obra de Davi deve estar sempre preparada para receber os inválidos da casa de Saul, Mefibosete. (2 Sm 9.3 comparar com Lc 14.21-23)
f) Na Obra de Davi lutamos com novas armas. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais”. (2 Co 10.4 e Ef 6.12)

g) AS ARMAS DE DAVI (1 Sm 17.1-58)

1- O Cajado na mão fala da direção do Espírito Santo.
2- Roupa de pastor (campo) fala do ministério autêntico, s/ misturas, palavras eruditas com teologia
3- Sandálias nos pés fala da humildade – ministério simples.
4- O ribeiro de águas fala do Batismo com o ES. (poder)
5- Desceu ao ribeiro fala da renovação de poder, da cobertura do Espírito.
6- De joelhos é a melhor posição para apanhar os elementos ou as armas da vitória, fala da profundidade da bênção do Espírito. Nesta posição a água cobre melhor do que de pé.
7- A funda fala do poder do Espírito que atinge á distância. A palavra revelada atinge à distância.
8- Lugar certeiro. Na cabeça de Golias (fronte).
9- As cinco pedras do ribeiro fala dos meios de graça: Madrugada, Palavra Revelada, Jejum, Clamor e Oração. Também fala dos cinco ministérios (Ef 4.11).
10- Outras pedras fala dos recursos colocados dentro do alforge para garantir o ataque.
11- O Alforge fala do coração. Um coração cheio de fé, oração, clamor, jejum e glorificação. Quatro pedras está em condições de anunciar a Palavra, derrubar o inimigo e cortar-lhe a cabeça com a espada do Espírito.
12- Espada de dois gumes fala da Obra completa.

Nesta Obra, a luta contra Golias (a carne) não deve ser de perto. Ninguém precisa se agarrar com a carne para lutar contra ela. Mantenha-se longe dela e apresse-se em destruí-la. Davi atirou a pedra de longe. Depois da passagem pelo ribeiro se apresou para a luta e correu ao combate. (1 Sm 17.48) Somente na Obra de Davi há recursos para vencer a carne – GOLIAS. Quarenta dias desafiava Saul e seus exércitos e ninguém ia ao combate. Este grande inimigo não pode ser vencido com armas semelhantes a ele, Saul tinha exércitos, tinha roupas de guerra, escudo, espada, mas não entrou na luta porque sabia que sua derrota era certa. A obra de Saul tem todos os meios aparentes: organização, bens, nome, aparência, porém não tem autoridade, nem poder, nem coragem para lutar porque não pode, ou não sabe, ou não quer dobrar os seus joelhos no ribeiro para apanhar as pedras para lutar. Só no rio das águas vivas e na sua profundidade é que encontramos os elementos da vitória. A roupa de Saul é bonita, mas não serve para lutar.

O Senhor quer edificar o grande templo espiritual com os seus dons, na sabedoria gloriosa de Salomão que é tipo do Espírito Santo.

Os dons como pedras vivas. O material (dons) não pode ficar espalhado. Precisa ser juntado para ser colocado no seu devido lugar, através do Ministério do Espírito Santo. Só na Obra de Davi isto pode acontecer. (1 Rs 6) As medidas da edificação do Templo, são medidas do espírito, o homem não pode determinar, o “EU” não pode ter lugar.


Prepare-se e passe pelo rio, mergulhando para morte do homem e não se demore a tirar a pedra. Derrube o velho homem. Corte-lhe o pescoço, antes que Golias volte a se levantar e a mente volte a funcionar. A carne machucada quando levanta é um perigo. Tem que ser morta. (Cl 2.12)


RESUMO

Ø Vitória total sobre o inimigo.
Ø Material todo pronto para a edificação do templo espiritual.
Ø Paz, prosperidade, alegria, domínio total das riquezas do Espírito Santo.
Ø Tudo pronto para Salomão. Igreja pronta para o arrebatamento.

Muitos estão falando de Jesus. Mas salvação, vida eterna, está reservada para os que se santificarem.



CONSIDERAÇÕES (CVPFB)


"Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas" (Lucas 3:4).

I - Introdução

A palavra fundamento significa base, alicerce, fundação. Em analogia com a construção de um edifício, o alicerce  é a primeira etapa a ser realizada, não sendo possível levantar qualquer edificação antes dele. Eles devem ser firmes e bem construídos para que possam sustentar todo o peso do edifício, pois fundamentos fracos podem comprometer toda a edificação.

Do mesmo modo, os fundamentos da vida cristã - que são o conjunto de ensinamentos básicos, as verdades fundamentais nas quais apoiamos nossas vidas - devem ser firmes, pois servem de base para a nossa vida, devemos edificar a casa sobre a rocha, que é o Senhor Jesus. Um bom fundamento é indispensável para uma vida espiritual saudável. Por isso, cada discípulo precisa  compreender, praticar e ensinar tudo o que se refere aos fundamentos.

No que diz respeito ao ensino intitulado "fundamentos da obra", percebe-se claramente, com o avançar das idéias que compõem o estudo, que a obra de Davi, primeiramente relacionada com as características de Davi como servo de Deus, e do seu reinado, que está inserido no Israel de Deus, tipologicamente aponta para a igreja fiel de Jesus Cristo.

A obra, cujos fundamentos se expõem, é a obra do Espírito Santo que o Senhor realiza em nossos dias, e essa doutrina está fundamentada no Antigo Testamento e não no Novo Testamento. esse é o entendimento do estudo, sendo então apresentados os fundamentos. Ela é perfeita, ela é a igreja fiel. 

Trata-se da execução de um projeto, cuja obra é a igreja fiel, com seus membros, dons e ministérios. Os fundamentos dessa obra seriam encontrados na comparação entre a obra de Saul e a obra de Davi. É um ensino que começou a ser ministrado na década de 1990, lembro bem disso. Começou com obra como forma de vida.

Na verdade, a princípio parece um ensino proveitoso, muito embora as Escrituras decididamente não forneçam a base necessária para esse entendimento. 

Porém, convém alertar que o ensino inofensivo revelou-se uma heresia que, por sua vez, carreou sérias consequências à vida espiritual da membresia. O ensino de obra não trouxe vida cristã, nem frutos do Espírito, mas criou um verdadeiro apartheid religioso em que a membresia (e os pastores) passou a se julgar como a verdadeira e única obra em destaque contra o restante de religiões e movimentos. A detentora da revelação, como se o Espírito de Deus estivesse preso ao seu cercado.

Mas como pode ser isso? Na verdade, quando se vincula a obra do Espírito Santo a só uma congregação, reunida sob a denominação ICM, cria-se na verdade um aparato doutrinário que conduz a um entendimento tão errôneo das Escrituras que quase não é possível dele se desvencilhar. Segue-se afirmando que a obra não é uma denominação, mas é a congregação e sua doutrina especial, o que na prática é a mesma coisa. A obra é a ICM e o resto não é nada, senão religião e movimento.

Nada disso se coaduna com a doutrina de Cristo, que era humilde e manso, pregava o amor e a união. Ademais, se as características da dita obra de Davi fossem de fato observadas, como o respeito aos ungidos (aí incluído os pastores), não se considerariam caídos os que saem. Davi tinha todo o respeito por Saul, o amava de verdade, não ousou feri-lo ou ataca-lo. Mas a ICM é pródiga em despedir sem nada os que saem, acusá-los e condená-los. Esse não é o ensino da obra de Davi.


II - Desenvolvimento

Israel enquanto povo escolhido foi antecessor da igreja. Das muitas opiniões acerca do tema, podemos afirmar com segurança que o Israel de Deus, no sentido espiritual, é hoje a igreja, pois os ramos foram quebrados e os salvos pela graça enxertados na oliveira verdadeira, que é Cristo. 

É bem verdade que a igreja substituiu Israel no plano profético e espiritual. Inobstante, se isso é verdade, também é verdade que Israel nunca deixou de existir, inclusive no coração de Deus, que sempre cuidou e abençoou os filhos de Abraão segundo a carne e continua cuidando deles como o povo de Deus, que são nossos conservos e nós também deles devemos ter zelo e cuidado.

Sobre o tema em epígrafe, podemos seguramente afirmar que Davi pode ser tipo do Rei Jesus, mas o reino de Davi não pode ser tipo da igreja. Davi pode ser tipo do Rei dos reis, Jesus Cristo, mas não do homem Jesus, que veio em carne destruir as obras de satanás. Da mesma forma, o reino de Davi só existia enquanto reino de Israel, e o reino de Israel não pode ser tipo da igreja porque o povo de Israel é que corresponde à igreja. Há também uma clara distinção entre um reino secular, ainda que povo do Senhor, e um reino exclusivamente espiritual.

Numa primeira aproximação, podemos afirmar que as características apontadas no estudo "fundamentos da obra", tanto para Davi quanto para o seu reinado, são características de um rei e do seu reinado, que foram agradáveis ao Senhor. Mas NÃO SÃO os fundamentos da obra realizada por Deus na vida e no reinado de Davi. Consideremos aqui a obra de Davi como a obra que o Senhor realizava em Israel no reinado de Davi. Essa obra se identifica com o povo de Israel sob a égide da lei e dos profetas, durante o reinado de Davi.

As características apontadas estão corretas, mas elas não são os fundamentos basilares da vida do Israel de Deus no tempo de Davi. Não podem, portanto, ser os fundamentos da obra de Deus no tempo de Davi.

Na verdade, os fundamentos da obra de Davi, dentro do conceito que aceitamos a priori, são completamente diversos.

Assim, podemos apontar como fundamentos:

1) A Palavra de Deus, as Escrituras - a obra de Davi estava debaixo da lei e dos profetas. O próprio Davi se submetia à lei, como quando buscava consultar o Senhor indo até o sacerdote, obediente à profecia e às promessas do Senhor, desviando-se do mal, cantando e compondo louvores, obedecendo à lei, ao sacerdote, à profecia e aos profetas, buscando ao Senhor em oração. "Escondi a Tua Palavra no meu coração para não pecar contra Ti".

2) Salvação e comunhão com Jeová pela obediência à lei e aos profetas: "Escondi a Tua Palavra no meu coração para não pecar contra Ti", "Lâmpada para os meus pés é Tua Palavra ,e luz para o meu caminho".

3) Jeová é o Único Deus e Israel o povo escolhido do Senhor: “Ouve, Israel: o Senhor  nosso Deus, é o único Senhor,” (Deuteronômio 6:4).

4) Obediência à lei, essencialmente aos dez mandamentos, como forma de vida.

Ainda podemos apontar como proceder agradável ao Senhor, derivado dos itens basilares:

5) Adorava ao Senhor e amava ir ao templo de Deus, o que demonstra obediência à lei e respeito ao sacerdócio levítico. Davi sacrificava, mas o sacrifício maior, como ele mesmo profetizou, era o coração contrito e quebrantado;

6) Conduta guiada pelo Espírito de Deus;

7) Amor incondicional e confiança ímpar no Senhor;

8) Zelo pelo povo de Deus, ou pela obra de Deus, consubstanciada no Israel de Deus, fé incondicional, características que foram vistas na batalha contra Golias.


Nesse contexto, Davi tinha uma conduta balizada pela Palavra de Deus e buscava ser guiado pelo Espírito de Deus. "Achei Davi, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade".

Podemos afirmar que a obra que o Senhor realizou no reino de Davi aponta para um período em que o Senhor teve prazer em Israel. Seria, então, a conduta adequada que o Senhor quer ver em seus servos e na nação como um todo, com a ressalva que o povo de Israel e Davi estavam sob a lei e nós não. Por exemplo, Davi podia matar seus inimigos, mas nós devemos orar por eles, pois nossa luta não é contra a carne e o sangue (Efésios 6). Nessa pauta, ao transpormos as características da chamada obra de Davi para uma congregação atual, com as devidas ressalvas, podemos dizer que são características que o Senhor quer ver nos seus servos crentes e na congregação, mas também não podem ser os fundamentos da igreja.

Isto posto, concluímos que a obra de Deus no tempo do reinado de Davi e a vida de Davi trazem algumas características muito positivas, que são desejáveis na vida cristã, no ministério e na administração da igreja. Todavia, a correspondência não é unívoca, pois estamos falando do período da lei.

Porém, evidentemente, o estudo criticado, embora não mencione que a obra de Davi se refere a uma igreja, diferente das outras, tidas como obra de Saul, é isso mesmo que pretende apresentar: um tipo de igreja que a congregação debaixo na denominação ICM entende como a igreja fiel, tendo isso por norte. Ora, se as características encontradas em Davi e em seu reinado são muito boas, em sua maioria, devendo ser boas também quando aplicadas à igreja de Jesus Cristo, nem por isso constituem os fundamentos da igreja de Jesus Cristo. 

Por outro lado, se precisamos recorrer ao ensino do Antigo Testamento para encontrar os fundamentos da obra de Deus, então esses fundamentos não se aplicam à igreja de Jesus Cristo, pois não foram destinados à igreja por Jesus Cristo e nem pelos apóstolos, inspirados pelo Espírito de Deus.

Temos aqui um enorme problema, um problema insuperável. É que a igreja está no período da graça, não no período da lei como Davi estava.

Assim sendo, os fundamentos da obra, assim entendido como os fundamentos da igreja, não podem ser os mesmos fundamentos da obra de Davi, exceto se esses fundamentos forem encontrados nos evangelhos, no livro de Atos e nas cartas apostólicas.

Os fundamentos são outros, que não criamos, mas extraímos de alguns estudos e da própria Bíblia. Não são exaustivos, mas constituem um bom paradigma para fundamentos da igreja de Jesus Cristo:

1 – A Bíblia - A Bíblia é a Palavra de Deus, totalmente inspirada e sem erros. Ela é a suprema autoridade final sobre todos os assuntos da vida e fé cristã (2Pedro 1:20-21, 2Timóteo 3:16, Mateus 5:18, João 17:17, Hebreus 4:12).

2 – Único Deus - Há um único Deus vivo e verdadeiro, que eternamente subsiste em três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo. Cada um merece igual adoração e obediência (Deuteronômio 6:4, Isaías 45:5-7, Mateus 28:19, Filipenses 2:6-11, João 16:7-9).

3 – O Pecado - O homem foi criado por Deus à Sua imagem e semelhança, entretanto, por meio do pecado, errou o alvo estabelecido por Deus e perdeu sua inocência e incorreu na penalidade da morte espiritual e física (Gênesis 2:7, Salmo 8, Romanos 3:23, Romanos 6:23, Efésios 2:1-3). Enquanto no AT o pecado significa transgredir a lei, para nós significa errar o alvo, que é Cristo Jesus.

4 – O Evangelho - O Evangelho é a boa nova da Salvação de Deus que alcança pecadores através do sacrifício de Cristo Jesus, o eterno Filho de Deus, o qual humildemente aceitou todas as características essenciais da humanidade e, por meio da Sua vida e obra se tornou o único Caminho a Deus (João 14:6, Romanos 1:16, 1Timóteo 2:5-6, Romanos 5:1-2, Apocalipse 5:8-10).

5 – A Salvação - A Salvação é um presente dado pela graça de Deus através da fé em Cristo Jesus. Qualquer um que se arrepende dos seus pecados e confia em Jesus receberá a vida eterna (Efésios 2:8-10, João 3:16-17,  João 1:12, 1Pedro 1:18-19, 1João 5:13).

6 – A Santificação - Todo aquele crê em Jesus é separado por Deus pela justificação e identificado como um santo. Esta santificação é instantânea, mas também progressiva e atua por meio do Espírito Santo e da nossa obediência à Palavra de Deus. O objetivo de cada cristão é tornar-se cada dia mais parecido com Jesus Cristo (Hebreus 10:10, 1Pedro 1:2, 1Coríntios 3:18, Romanos 12:1-2, 1Pedro 1:14-16).

7 - Batismo com o Espírito Santo - Jesus Cristo batiza com o Espírito Santo. Ele enviou o outro Consolador e somos guiados pelo Espírito de Deus no processo de santificação, dEle recebemos os dons espirituais e somos capacitados para entender o caminho em que devemos andar.

8 – A Igreja como corpo de Cristo - A universal igreja, composta de genuínos seguidores de Jesus Cristo, existe para adorar, servir e glorificar a Deus. Todos os seus membros estão vitalmente comprometidos com a igreja local, onde recebem cuidado pastoral, cuidam uns dos outros, têm a oportunidade de usar seus dons, servir ao Senhor e proclamar Jesus com suas vidas e palavras (1Coríntios 12:12-13, Hebreus 10:25, Efésios 4:11-13, Mateus 28:18-20, João 13:34-35). Podemos incluir um só Espírito, um só povo, um só Deus e um só batismo, nada que autorize particular denominação arvorar-se a ser a única igreja fiel.

9 – A volta de Cristo - Cristo ressuscitou e voltará pessoalmente, para a igreja e depois à vista de todos para estabelecer Seu Reino nos novos céus e na nova terra. Acreditamos na ressurreição de ambos – salvos e perdidos: os salvos irão desfrutar da alegria de viver eternamente com Jesus; os perdidos, a pesada punição de ficar longe da bondosa presença de Deus (Apocalipse 22:12, João 5:29, Apocalipse 21:1, 1Tessalonicenses 4:13-17, Mateus 24:31-34, 46). 

10 - Os mandamentos deixados pelo Senhor Jesus Cristo, concernentes em "amar a Deus de todo o coração e entendimento e ao próximo como a si mesmo". Os ensinos de Cristo relacionados à vida cristã.


Esses são os fundamentos da obra que Deus realiza no período da graça.


III - Conclusão

O erro está em que os fundamentos da obra não são fundamentos, e, caso fossem, não são os fundamentos da igreja de Jesus Cristo. Mais, não podemos entender que a obra de Saul tipifica a igreja infiel ou a religião, e que a obra de Davi tipifica a igreja fiel, ou a obra do Espírito Santo. 

Os fundamentos da obra devem ser encontrados no Novo Testamento. Na parábola do lavradores da vinha, temos que a vinha será passada a outros trabalhadores, numa clara alusão à entrada do período da graça  (Marcos 12:1-12). A vinha é a obra do Senhor, o filho é o próprio Senhor Jesus. Não podemos ter uma vinha dentro da vinha, ou uma obra dentro da obra. Também se um trabalhador ou grupo de trabalhadores se desviar, não podemos chamá-los de obra de Saul, e os que permanecem não são obra de Davi. Essa alegoria não está autorizada pelas Escrituras. Inobstante isso, não podemos afirmar que uma particular congregação contenha a totalidade dos trabalhadores fiéis, e que todas as outras religiões e movimentos (no jargão da ICM) sejam obra de Saul. Isso é heresia.

Podemos no máximo entender que em Saul encontramos exemplos que individualmente e coletivamente (como igreja) não devemos seguir. Em Davi encontramos exemplos que individualmente e coletivamente (como igreja) devemos seguir. Porém, a igreja não é a obra de Davi, a igreja é a obra de Jesus. Davi era imperfeito como homem, Jesus foi perfeito, Davi pecou, Davi falhou como pai, Jesus jamais pecou e nem falhou em sua missão. Não podemos comparar a obra que Deus realizou na vida e no reinado de Davi com a obra que o Senhor realizou e realiza na igreja de Jesus Cristo.

Evidentemente, o reinado de Saul terminou mal, a conduta de Saul o levou ao abismo, e isso pode acontecer com os cristãos que se desviam da sã doutrina, como Saul e seu reino se desviaram. Podem dizer respeito a uma pessoa, ou mesmo a um grupo de pessoas que se desviaram do caminho e foram após outro evangelho. Atualmente temos igrejas inteiras que se desviam da verdade, unindo-se até mesmo à ICAR e e sua idolatria, e a ICAR já se uniu à UMBANDA e ao CANDOMBLÉ na Bahia e no resto do Brasil. Muitos católicos, hoje, são também espíritas.

Mas não foi só Saul e seu reinado que servem de exemplo, podemos citar Jeroboão, Roboão, Acabe, Manassés e tantos outros reis que fizeram o que era mal aos olhos do Senhor. Todos perfilham exemplos do que nós não devemos fazer. Outros, como Davi, Salomão, Ezequias, Josafá, Josias, perfilham exemplos do que nós devemos fazer, ressalvadas as diferenças entre ministério da lei e da graça.

Todavia, vai grande diferença em interpretar que uma única congregação e sua doutrina, no caso a ICM, pode ser considerada a igreja fiel, com a doutrina perfeita, tudo isso fundamentado em uma alegoria não autorizada pela Palavra de Deus, um ensino extraído de uma conjectura sobre obra de Davi e obra de Saul. Se é uma revelação, não pode contrariar as Escrituras, se contraria, não é revelação. Se é revelação, não pode ser dada a somente uma congregação, pois não existe revelação especial. A revelação é una, penetra como espada de dois gumes no coração pelo Espírito e é logo recebida, ela se une à Palavra de Deus e não a contraria jamais.

Ao se arvorar como a única obra, e que os filhos de Saul são inválidos, paraplégicos, ou o que seja, o ensino equivocado está liminarmente afirmando que os que não são da obra de Davi na atualidade, sendo da obra de Saul na atualidade, são inválidos espirituais, quase caídos. Entender que os inválidos da casa de Saul são os egressos das denominações (concorrentes?) da ICM realmente é algo que não pode estar nas Escrituras. Isso é uma heresia grosseira e destruidora. Temos servos maravilhosos, dignos, em outras denominações, assim como temos na ICM. Temos problemas na ICM, assim como eles existem em qualquer denominação. 

Os problemas não são exceções, o desvio da sã doutrina é que deve servir como alarme que está na hora de se opor ou pular fora. Nesse iter, se um pastor, bispo, congregação, igreja ou denominação, se unem à igreja católica e sua idolatria sem condená-las, esse pastor, bispo, congregação ou igreja devem ser combatidos e rejeitados. Mas não é só, toda e qualquer idolatria deve ser rejeitada, todo e qualquer ensino herético deve ser rejeitado. Pode até parecer inofensivo, mas não é, é sempre devastador.

Na verdade, os fundamentos da obra de Davi (como apresentados no estudo) são paupérrimos se comparados aos fundamentos da igreja de Jesus. Se alguém quer realizar a verdadeira obra de Deus, saiba que a obra de Deus é essa: Que creiais no Seu Filho (João 6:29). Esse é o ensino ministrado pelo próprio Senhor Jesus, é a Palavra que saiu diretamente da boca de Deus. Hoje, portanto, só existe a obra de Jesus.

Assim, o ensino "os fundamentos da obra", se forem entendidos como fundamentos, está completamente equivocado. Não são fundamentos para a obra que Deus realizou na vida e no reinado de Davi e nem poderiam ser os fundamentos da igreja de Jesus Cristo. 

Os fundamentos da igreja de Jesus Cristo são essencialmente os apontados acima, nas considerações.

Tentamos simplificar o máximo possível. Não se cuida de ofender quem quer que seja, mas de tão somente, e simplesmente, desejar ardentemente a verdade. A verdade liberta.

Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Não é Davi, Moisés, Josué, Maria mãe de Jesus, José, alguns dos apóstolos ou santos, ou qualquer outro servo que liberta. Ousamos dizer que não é o Pai e tampouco o Espírito Santo que libertam (muito embora o Deus Trino seja um só e tudo realiza). Somente o Filho pode libertar, pois só no seu nome há salvação. É o nome sobre todo nome que liberta, que salva, que cura, que é o autor e consumador da nossa fé, que batiza com o Espírito Santo e que nos reúne ao Pai.

Que obra maravilhosa a obra de Jesus!

"Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas" (Lucas 3:4).

(o texto foi corrigido em 09 de maio de 2015)