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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

VENDO NÃO VEEM, OUVINDO, NÃO ENTENDEM!

INTRODUÇÃO

É natural que as pessoas enxerguem o mundo da sua perspectiva, valendo-se dos seus conceitos e formas de pensar (ideologias).

No que respeita ao plano de salvação não é diferente. Usualmente parte-se do particular para o geral. 

Usa-se a lupa ideológica da denominação, e de outras formatações menos visíveis que acompanham a formação da persona, para julgar o outro, ou a outra denominação.

Poucos são capazes de sair do seu lugar, abstrair-se dos conceitos que pensam ser os verdadeiros (e nem sempre são), desvencilhar-se das amarras ideológicas e subir ao alto, no cume da história e da experiência secular, inclusive de outros pensadores e doutrinadores, para tentar enxergar de uma perspectiva mais ampla a igreja de Jesus Cristo.

Esse erro, comum aos provincianos, que tudo enxergam da sua particular experiência e vivência, somente pode produzir julgamentos e conclusões equivocadas. Já disseram que quem desconhece a história está condenado a repetir erros fatais históricos.


SEM NOVO NASCIMENTO NÃO HÁ SALVAÇÃO

Se você não entender o que é o novo nascimento, que o novo nascimento é o ponto culminante da salvação, você não conseguirá entender o básico e não poderá entender a doutrina da salvação.

Se é verdade que os reformadores assentaram a doutrina cristã na salvação pela graça, não é menos verdade que fizeram do novo nascimento, ou regeneração, o ponto crucial do plano de salvação, o maior de todos os milagres. Vale dizer, não somente eles, mas os apóstolos, e ninguém menos que o próprio Senhor Jesus.

João 11:25: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá!”
João 3:3: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”
Romanos 8:15-16: “”Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”

A regeneração, o milagre do novo nascimento, é um divisor de águas.

2 Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.

É um golpe na soberba e prepotência humanas, daqueles que pensam ser a salvação algo que se conquista, que está a nosso alcance possuir, fazer, escolher aceitar ou rejeitar. 

Não é bem assim, se o Senhor não operar o milagre do novo nascimento pode fazer quantos orações quiser, pode lacerar o corpo, morrer de tanto jejuar, subir ao Tibete, andar pelo caminho da Santiago de Compostela, ir a Jerusalém, e de nada adiantará.

Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer de novo. Essa é a constituição do Reino. Somente os filhos entram, ninguém mais.


HERESIAS DESTRUIDORAS

Toda e qualquer doutrina que se distancia do novo nascimento é uma heresia, esta é uma regra sem exceção.

Em verdade, as doutrinas heréticas, sejam de que matizes forem, precisam afastar a doutrina da regeneração para introduzir o ensino herético.

Por exemplo, as doutrinas espiritualistas e reencarnacionistas simplesmente e explicitamente compreendem a regeneração como um nascer de novo da carne, uma morte seguida de uma reencarnação da alma, um erro que o Senhor Jesus espancou quando Nicodemos, irrefletidamente, ousou dizer: Pode o homem voltar ao ventre da sua mãe?

Logo o único mestre disse que não era assim, mas que se deveria nascer do Espírito.

Religiões pagãs hinduístas, nórdicas, budismo, confucionismo e similares, todas vão centrar a salvação (e o paraíso) em seguir os preceitos estabelecidos por seus líderes religiosos. Todas vão prescrever regras que, caso sejam observadas, conduzirão o homem ao céu. Todas vão prescrever boas obras como o caminho da salvação.

A única doutrina que prescreverá a graça como o caminho da salvação será aquela do evangelho de Jesus Cristo. A única que dirá que a salvação não é obra humana será a doutrina dos apóstolos de Jesus Cristo. O evangelho dirá: ao homem isso é impossível, mas para Deus tudo é possível, inclusive e principalmente a salvação.

 A única doutrina que dirá “não há salvação em nenhum outro” será a doutrina cristã.

Muçulmanos não veem a salvação nem mesmo em obedecer Maomé. Maomé é só um profeta (inspirado por satã, saliente-se, um depravado que se casou e defraudou uma menina de nove anos quando ele próprio tinha mais de cinquenta anos). Alá é um “deus” perverso que exige crer nele e no seu falso profeta, orar, jejuar, dar esmolas e peregrinar para ser salvo. O Islã nega o Deus da Bíblia e passa muito longe da regeneração. Alá somente perdoará aqueles cujas boas obras superarem as más, mas os muçulmanos não sabem sequer o que são boas obras, pois para eles matar os infiéis é uma boa obra. Pior, nenhum muçulmano saberá se está salvo, se fez mais boas obras do que más, a única maneira de ter certeza é se sacrificar por Alá, daí a se tornar um mártir é um passo.

Mas a eterna Palavra de Deus diz:

Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele" (João 3:36).
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8,9);
 “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12).

Não restam dúvidas, nenhuma sequer.

Já o catolicismo abandona a fé cristã ao propor que somente a união com a igreja católica permite que a graça atinja o pecador. Também prega a necessidade de boas obras para ser salvo, criando a herética doutrina dos méritos dos santos. Ao introduzir as obras, essa igreja apóstata introduziu novamente o panteão dos deuses pagãos sob a roupagem de ídolos cristãos, como MARIA, PEDRO, PAULO, JORGE, ANTÔNIO, etc. Não há um católico sequer que credite a salvação unicamente a Jesus, não há um católico sequer que saiba o que realmente é o novo nascimento, o que é salvação. Não sabem nem do que estariam sendo salvos. Bebem, fumam, adulteram, prostituem-se, adoram ídolos e está tudo certo se um sacerdote perdoar ou conceder a extrema unção. Inclusive o sacerdote precisa ser perdoado por outro sacerdote, porque Jesus somente perdoa através do sacerdote, mesmo que isso seja uma afronta às Escrituras. Todos, à exceção dos santos (os canonizados), irão penar no purgatório ou ir direto para o inferno.

Catolicismo é pura criatividade idólatra e pagã, desafio qualquer um a encontrar essas heresias no Novo Testamento. Católicos não podem debater salvação, não estão aptos, nem mesmo os teólogos católicos que mais se assemelham a gurus hinduístas. Primeiro devem se desvencilhar das inúmeras heresias para, de rosto descoberto e sem a viseira católica, conseguirem enxergar alguma coisa de útil.

Outras heresias menos danosas, que não afastam a salvação somente em e por meio de Cristo Jesus, também devem ser rejeitadas. Se por um lado creem em Jesus como único e suficiente salvador, negam o pecado original e/ou creditam ao homem todo o mérito por aceitar a salvação:

1) Pelagianismo: Nega o pecado original e advoga que o homem tem o livre-arbítrio e  toma a iniciativa da salvação;

2)Semipelagianismo: Nega de forma inconsciente a doutrina do pecado original, pois advoga que o homem foi manchado pelo pecado de Adão, mas pode cooperar com a graça. Seria uma depravação parcial. Assim, mantém o livre-arbítrio, mas é Deus quem toma a iniciativa da salvação enviando o Seu Filho, para que todo o que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna (ICM e muitos dos pentecostais). Essa doutrina de forma sutil despreza o novo nascimento e transforma a salvação num eterno cai-cai, anula a segurança que o crente tem em Cristo e torna, ao final, a salvação dependente da exclusiva vontade humana. Muitas igrejas pentecostais e neopentecostais, propensas a heresias, pregam essa doutrina.


PARA CONCLUIR

Temos as seguintes posições doutrinárias possíveis, em linhas gerais (podemos desprezar quaisquer outras, pois que são necessariamente e evidentemente antibíblicas):

3)Arminianismo: Adota a doutrina do pecado original e afirma que o homem é totalmente depravado e incapaz de fazer qualquer boa obra. Deus, pela graça salvífica, ou preveniente, restaurou a todos os homens a possibilidade de escolher a oferta de salvação, a mensagem da cruz. Ou seja, adota um livre-arbítrio mitigado, restaurado e permitido por Deus, mas impossível sem Deus. Seria como se Deus decidisse, em sua soberania, permitir ao homem a escolha;

4) Calvinismo: Para essa doutrina, que adota a depravação total e o pecado original como fundamentos,  Deus não apenas toma a iniciativa da salvação, como também ninguém pode ser salvo se o Pai não conceder: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o enviar”. Assim, além da depravação total, o calvinismo prega a eleição incondicional.
Portanto, somente podemos afirmar que o arminianismo e o calvinismo são doutrinas com suporte bíblico, as demais doutrinas são heréticas porque vão desprezar necessariamente a regeneração e o novo  nascimento.

Na verdade, esse é um problema da ICM, que simplesmente tirou o essencial da sua doutrina da salvação, ou seja, retirou da doutrina da salvação o novo nascimento, criando assim dificuldades para que a membresia entenda corretamente a doutrina da salvação. Desculpem-me a sinceridade, salvação ato e processo é uma doutrina caótica, que mais confunde do que ensina.





E onde está o novo nascimento na figura acima? Em lugar nenhum!

Onde deveria estar segundo a BÍBLIA, A PALAVRA DE DEUS? Fizemos esse estudo no post salvação:


ORDO SALUTIS – ORDEM DA SALVAÇÃO

Eleição (Deus)  Chamado (Deus) → Conversão/Fé/Regeneração (Deus-homem)  Justificação/Adoção (Deus)  Santificação (Deus-homem)   Glorificação (Deus)


Está logo após o chamado, na conversão, que inclui fé como dom de Deus e arrependimento.

Ao assim proceder, a ICM vai se aproximando do catolicismo e do papado, substituindo o novo nascimento pela instituição católica e, no caso da ICM, pela Obra.

Muitos afirmam, por exemplo, que a obra é a criança, que a Obra é gerada em nossos corações, que Deus realiza uma Obra em nossos corações, que a Obra é o corpo de Cristo, que a Obra é tudo que temos, que devemos amar a Obra (Samuel) acima e outros desvios doutrinários graves.

Ao contrário, o novo convertido é comparado pelo evangelho a uma criança:

Ao retirar da ordem da salvação a regeneração/novo nascimento, o PES demonstra o quão longe está dos reformadores como Martinho Lutero. Acaso são maiores do que Paulo? do que Lutero?

Caros irmãos, voltemos às Escrituras, voltemos à sã doutrina:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Corintios 5:17).
I Pedro 2.2
“desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação”. (Revisada)
“Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo:” (Revista e Corrigida)

A criança é o novo convertido, nasceu de novo, foi regenerado.

Não devemos amar a obra, sendo comparada a instituição, ou igreja, ou qualquer outra coisa, devemos amar Jesus. Foi o que Ele ordenou: "Amarás o Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo!"

Portanto, não devemos amar Samuel, isso é idolatria.

A obra não é tudo o que temos, Jesus é tudo o que temos.

Não é a obra que é redentora, mas Jesus é que é o Salvador.

“Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” (João 6:29).  


Não se trata de oposição à obra de Deus, mas de oposição a heresias, cujas finalidades, caso não sejam combatidas, consistem em substituir Jesus Cristo pela instituição, retirar a autoridade do Espírito de Deus e transferi-la a homens, entre outros absurdos.

O triste da história é que muitos vão continuar usando a lupa ideológica denominacional, ou de sua particular religião, e não entenderão uma palavra só do que está escrito neste post........Foi o que aconteceu com os escribas e fariseus. Perdidos em sua religião, avaliando segundo a sua lupa ideológica, não perceberam que estavam rejeitando o Filho de Deus.

Não que eu seja o dono da verdade, de forma alguma, nem quero ser o dono da verdade porque é muita responsabilidade, se antes não fosse muita presunção. Jesus é a verdade.

"E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam" (Lucas 8:10).

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

SALVAÇÃO: A VISÃO CALVINISTA

(OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO)


(Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism - Defined, Defended, Documented, de David N. Steele e Curtis C. Thomas, Partes I e II, [Presbyterian & Reformed Publishing Co, Phillipsburg, NJ, USA.], feita por João Alves dos Santos)


I. A ORIGEM DOS “CINCO PONTOS”


A. O PROTESTO DO PARTIDO ARMINIANO, NA HOLANDA

Os Cinco Pontos do Calvinismo tiveram sua origem a partir de um protesto que os seguidores de James Arminius (um professor de seminário holandês) apresentaram ao “Estado da Holanda” em 1610, um ano após a morte de seu líder. O protesto consistia de “cinco artigos de fé”, baseados nos ensinos de Armínio, e ficou conhecido na história como a “Remonstrance”, ou seja, “O Protesto”. O partido arminiano insistia que os símbolos oficiais de doutrina das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg) fossem mudados para se conformar com os pontos de vista doutrinários contidos no Protesto. As doutrinas às quais os arminianos fizeram objeção eram as relacionadas com a soberania divina, a inabilidade humana, a eleição incondicional ou predestinação, a redenção particular (ou expiação limitada), a graça irresistível (chamada eficaz) e a perseverança dos santos. Essas são doutrinas ensinadas nesses símbolos da Igreja Holandesa, e os arminianos queriam que elas fossem revistas.


B. OS “CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO”

Os cinco artigos de fé contidos na “Remonstrance” podem ser resumidos no seguinte: 1. Deus elege ou reprova na base da fé prevista ou da incredulidade. 2. Cristo morreu portodos os homens, em geral, e em favor de cada um, em particular, embora somente os que crêem sejam salvos. 3. Devido à depravação do homem, a graça divina é necessária para a fé ou qualquer boa obra. 4. Essa graça pode ser resistida. 5. Se todos os que são verdadeiramente regenerados vão seguramente perseverar na fé é um ponto que necessita de maior investigação. Esse último ponto foi depois alterado para ensinar definitivamente a possibilidade de os realmente regenerados perderem sua fé, e, por conseguinte, a sua salvação. Todavia, nem todos os arminianos estão de acordo, nesse ponto. Há muitos que acreditam que os verdadeiramente regenerados não podem perder a salvação e estão eternamente salvos.


C. A BASE FILOSÓFICA DO ARMINIANISMO

Conforme expõe J.I.Packer (O “Antigo” Evangelho, pp. 5, 6) a teologia contida nessa “Remonstrance” (ou Representação) “originou-se de dois princípios filosóficos: primeiro, que a soberania de Deus é incompatível com a liberdade humana, e, portanto, também com a responsabilidade humana; em segundo lugar, que habilidade é algo que limita a obrigação... Com bases nesses princípios, os arminianos extraíram duas deduções: primeira, visto que a Bíblia considera a fé como um ato humano livre e responsável, ela não pode ser causada por Deus, mas é exercida independentemente dEle; segunda, visto que a Bíblia considera a fé como obrigatória da parte de todos quantos ouvem o Evangelho, a capacidade de crer deve ser universal. Portanto, eles afirmam, as Escrituras devem ser interpretadas como ensinando as seguintes posições: 1. O homem nunca é de tal modo corrompido pelo pecado que não possa crer salvaticiamente (salvificamente) no Evangelho, uma vez que este lhe seja apresentado; 2. O homem nunca é de tal modo controlado por Deus que não possa rejeitá-lo; 3. A eleição divina daqueles que serão salvos alicerça-se sobre o fato da previsão divina de que eles haverão de crer, por sua própria deliberação; 4. A morte de Cristo não garantiu a salvação para ninguém, pois não garantiu o dom da fé para ninguém (e nem mesmo existe tal dom); o que ela fez foi criar a possibilidade de salvação para todo aquele que crê; 5. Depende inteiramente dos crentes manterem-se em um estado de graça, conservando a sua fé; aqueles que falham nesse ponto, desviam-se e se perdem. Dessa maneira, o arminianismo faz a salvação do indivíduo depender, em última análise, do próprio homem, pois a fé salvadora é encarada, do princípio ao fim, como obra do homem, pertencente ao homem e nunca a Deus”.


D. A REJEIÇÃO DO ARMINIANISMO PELO SÍNODO DE DORT E A FORMULACÃO DOS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

Em 1618 foi convocado um Sínodo nacional para reunir-se em Dort, a fim de examinar os pontos de vista de Armínio à luz das Escrituras. Essa convocação foi feita pelos Estados Gerais da Holanda para o dia 13 de novembro de 1618. Constou de 84 membros e 18 representantes seculares. Entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e de outros países da Europa. Durante os sete meses de duração do Sínodo houve 154 sessões para tratar desses artigos. Após um exame minucioso e detalhado de cada ponto, feito pelos maiores teólogos da época, representando a maioria das Igrejas Reformadas da Europa, o Sínodo concluiu que, à luz do ensino claro das Escrituras, esses artigos tinham que ser rejeitados como não bíblicos. Isso foi feito por unanimidade. Não somente isso, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos “remonstrantes”, - depondo-os de seus cargos, e a autoridade civil (governo) os baniu do país por cerca de seis anos. Além de rejeitar os cinco artigos de fé dos arminianos, o Sínodo formulou o ensino bíblico a respeito desse assunto na forma de cinco capítulos que têm sido, desde então,
conhecidos como “os cinco pontos do Calvinismo”, pelo fato de Calvino ter sido grande defensor e expositor desse assunto. Embora cause estranheza a muitos essa posição, devido à mudança teológica que as igrejas têm sofrido desde vários séculos, os reformadores eram unânimes em condenar o arminianismo como uma heresia ou quase isso. A salvação era vista como uma obra da graça de Deus, do começo ao fim, sem qualquer contribuição do homem. Essa posição pode ser resumida na seguinte proposição: Deus salva pecadores.


II. A DIFERENÇA ENTRE O CALVINISMO E O ARMINIANISMO

Os assuntos envolvidos nesta controvérsia histórica são, de fato, graves, pois afetam vitalmente o conceito cristão de Deus, do pecado e da salvação. Packer, contrastando esses dois sistemas, afirma: “A diferença entre eles não é primariamente uma questão de ênfase, mas de conteúdo. Um deles proclama um Deus que salva; o outro alude a um Deus que permite ao homem salvar a si mesmo. O primeiro desses pontos de vista apresenta os três grandes atos da Santa Trindade na recuperação da humanidade perdida - eleição por parte do Pai, redenção por parte do Filho, chamada por parte do Espírito Santo - como sendo dirigidos às mesmas pessoas, garantindo infalivelmente a salvação delas. Mas o outro ponto de vista empresta a cada um desses atos uma referência diferente (o objeto da redenção seria a humanidade inteira, os objetos da chamada seriam aqueles que ouvem o evangelho, e os objetos da eleição seriam aqueles que correspondem a essa chamada), e nega que a salvação de qualquer pessoa seja garantida por qualquer desses atos. Essas duas teologias, assim sendo, concebem o plano da salvação em termos inteiramente diferentes. Uma delas faz a salvação depender da obra de Deus, e a outra faz a salvação depender da obra do homem. Uma delas considera a fé como parte do dom divino da salvação, mas a outra pensa que a fé é a contribuição do homem para a sua salvação. Uma delas atribui a Deus toda a glória pela salvação dos crentes, mas a outra divide as honras entre Deus, que, por assim dizer, construiu o maquinismo da salvação, e o homem, que põe esse maquinismo em funcionamento quando crê. Não há dúvida de que essas diferenças são importantes, e o valor permanente dos ‘cinco pontos’, como um sumário do calvinismo, é que eles deixam claro os pontos em que divergem e a extensão da divergência entre os dois conceitos.” (O “Antigo” Evangelho, p. 7)


III. O “PONTO” QUE OS “CINCO PONTOS” DO CALVINISMO PRETENDEM ESTABELECER

Enquanto reconhece o valor permanente dos cinco pontos como um sumário do Calvinismo, Packer adverte contra o perigo de se equiparar o Calvinismo com os cinco pontos apenas. Em seu livro referido ele apresenta cinco razões porque essa equiparação é incorreta (pp. 8-16). Uma dessas razões apresentadas é a seguinte: “...o próprio fato que a soteriologia calvinista é exposta sob a forma de cinco pontos distintos (um número devido, conforme já explicamos, meramente ao fato de ter havido cinco pontos arminianos para serem respondidos pelo Sínodo de Dort) tende por obscurecer o caráter orgânico do pensamento calvinista sobre a questão. Pois esses cinco pontos, apesar de declarados em separado, na verdade são indivisíveis uns dos outros. Eles dependem uns dos outros; ninguém pode rejeitar um deles sem rejeitar a todos, pelo menos no sentido tencionado pelo Sínodo de Dort. Para o Calvinismo, na realidade, só há um ponto a ser enfatizado no campo da soteriologia: o ponto que “Deus salva pecadores”. Deus - o Jeová Triuno; Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas trabalhando em conjunto, em sabedoria, poder e amor soberanos, a fim de realizar a salvação de um povo escolhido. O Pai escolhendo, o Filho cumprindo a vontade do Pai de remir, e o Espírito Santo executando o propósito do Pai e do Filho, mediante a renovação do homem. Salva - Ele faz tudo, do começo ao fim, tudo quanto é mister para levar os homens da morte no pecado à vida em glória: Ele planeja, realiza e transmite a redenção, e também chama e conserva, justifica, santifica e glorifica. Pecadores - homens conforme Deus os encontra, isto é, culpados, vis, impotentes, incapazes de levantar um dedo para cumprirem a vontade de Deus ou melhorarem a sua porção espiritual. Deus salva pecadores - e a força dessa confissão não pode ser enfraquecida pelo rompimento da unidade da obra da divina Trindade, ou por dividir a efetivação da salvação entre Deus e o homem, como se a parte decisiva fosse a humana, ou por suavizar a incapacidade do pecador, de tal maneira que ele mereça ser louvado, juntamente com o Salvador, por sua própria salvação. Esse é o grande ponto da soteriologia calvinista que os “cinco pontos” buscam estabelecer, e que é negado pelo arminianismo, em todas as suas formas: a saber, que os pecadores não podem salvar a si mesmos em qualquer sentido, porquanto a salvação, do começo ao fim, em sua totalidade, no passado, no presente e no futuro, vem do Senhor, a quem cabe toda a glória para sempre. Amém”. (op. cit., pp. 9,10)



IV. EVIDÊNCIAS BÍBLICAS PARA OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

Uma vez que essas cinco doutrinas não são apresentadas na Bíblia como unidades separadas ou independentes, mas são entretecidas na mensagem bíblica como um sistema único, harmonioso e inter-relacionado, cada uma delas só pode ser inteiramente apreciada se for vista à luz das outras quatro. Elas se explicam e se apoiam, mutuamente. Julgar essas doutrinas individualmente, sem relacionar uma com a outra, seria como tentar avaliar um quadro de Rembrandt olhando-se para cada uma das cores de cada vez e nunca vendo a obra como um todo. Por isso, a evidência bíblica para cada ponto não deve ser julgada separadamente, mas à luz de uma visão das cinco doutrinas como um só sistema. Quando assim adequadamente correlacionadas, elas formam uma corda de cinco tiras de inquebrável. resistência.

A. Depravação Total Ou Inabilidade Total

O ponto de vista que alguém toma a respeito da salvação será determinado, em grande escala, pelo conceito que essa pessoa tem a respeito do pecado e de seus efeitos sobre a natureza humana. Por isso, o primeiro ponto tratado pelo sistema calvinista é a doutrina bíblica da depravação total ou inabilidade total. Quando o calvinista fala do homem como sendo totalmente depravado, quer dizer que sua natureza é corrupta, perversa e totalmente pecaminosa. O adjetivo “total” não significa que cada pecador está tão completamente corrompido em suas ações e pensamentos quanto lhe seja possível ser. O termo é usado para indicar que todo o ser do homem foi afetado pelo pecado. A corrupção estende-se a todas as partes do homem, corpo e alma. O pecado afetou a totalidade das faculdades humanas - sua mente, sua vontade, etc. (Confissão de Fé, VI, 2). Também se pode usar o adjetivo “total” para incluir nele toda a raça humana, sem exceção. Como resultado dessa corrupção inata, o homem natural é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa espiritualmente boa. É o que se quer dizer por “inabilidade total”. A inabilidade referida nessa terminologia é a “inabilidade espiritual”. Significa que o pecador está tão espiritualmente falido que ele nada pode fazer com respeito à sua salvação. É evidente que muitas pessoas não salvas, quando julgadas pelos padrões humanos, possuem qualidades admiráveis e realizam atos virtuosos. Porém, no campo espiritual, quando julgadas pelos padrões divinos, são incapazes de fazer o bem (Confissão de Fé, XVI, 1 e 7). O homem natural está escravizado pelo pecado: é filho de Satanás, rebelde para com Deus, cego para com a verdade, corrompido e incapaz de salvarse a si mesmo ou de preparar-se para a salvação. Em resumo, o não regenerado está morto em pecado e sua vontade está escravizada à sua natureza má. O homem não veio das mãos do seu Criador nessa condição depravada. Deus fez a Adão perfeito, sem qualquer maldade em sua natureza. Originalmente, a vontade de Adão estava livre do domínio do pecado. Ele não estava sujeito a qualquer compulsão natural para escolher o mal; porém, por sua queda, trouxe a morte espiritual sobre si mesmo e sobre toda a sua posteridade. Desse modo, lançou a si mesmo e a toda a raça na ruína espiritual e perdeu para si e para os seus descendentes a habilidade de fazer escolhas certas no campo espiritual. Seus descendentes ainda são livres para escolher - todo homem faz escolhas em sua vida - mas, visto que a geração de Adão nasce com natureza pecaminosa, não tem a habilidade para escolher o bem ao invés do mal. Por conseguinte, a vontade do homem não é mais livre (i.e., livre do domínio do pecado) como era livre a vontade de Adão, antes da queda. Em vez disso, a vontade do homem, como resultado da depravação herdada, está escravizada à sua natureza pecaminosa. A Confissão de Fé de Westminster nos dá uma declaração clara e concisa dessa doutrina: “O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (IX, 3). 1. Como resultado da transgressão de Adão, os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos; portanto, para se tornarem filhos de Deus e entrarem no Seu reino precisam nascer de novo, do Espírito.

1. Como resultado da transgressão de Adão, os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos; portanto, para se tornarem filhos de Deus e entrarem no Seu reino precisam nascer de novo, do Espírito.

a) Quando Adão foi colocado no jardim do Éden, foi advertido para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de imediata morte espiritual;
b) Adão desobedeceu e comeu do fruto proibido (Gn 3:1-7); por conseguinte, trouxe morte espiritual sobre si mesmo e sobre a raça;
c) Davi confessou que tanto ele, como os demais homens, foram nascidos em pecado (Sal. 51).
d) Porque os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos. Jesus ensinou que, para alguém entrar no reino de Deus, é preciso nascer de novo. (Jo. 3.5-7)

2. Como resultado da queda, os homens estão cegos e surdos para a verdade espiritual. Suas mentes estão entenebrecidas pelo pecado; seus corações são corruptos e malignos (Gen. 6:5; 8:21; Ec. 9:3; Jr. 17:9; Mc. 7:21-23; Jo. 3:19; Ro. 8:7-8; 1Co. 2:14; Ef. 4:17-19, 5:8; Tt. 1:15)

3. Antes dos pecadores nascerem no reino de Deus pelo poder regenerador do Espírito, são filhos do diabo e estão debaixo de seu controle. São escravos do pecado (Jo. 8:34, 44; Rom. 6:20; Ef. 2:12; 2Tim. 2:25-26; Tt. 3:3; 1Jo. 3:10);

4. O domínio do pecado é universal: todos os homens estão debaixo do seu poder; por conseguinte, ninguém é justo, nem um só (Rom. 3:9-18).

5. Os homens, sendo deixados em seu estado de morte, são incapazes, por si mesmos, de se arrepender, de crer no evangelho ou de vir a Cristo. Não têm poder, em si mesmos, para mudar sua natureza ou preparar-se para a salvação (Jer. 13:23; Mt. 7:18; Jo. 6:37, 44, 65; Rom. 11:35; 1Co. 2:14; 2Co. 3:5).

B. Eleição Incondicional

Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, eles não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Ele é santo, justo e bom, ao passo que eles são pecaminosos, perversos e corruptos - Deixados à sua própria escolha, eles inevitavelmente seguem o deus deste século e fazem a vontade do seu pai, o diabo. Consequentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a doutrina da eleição. A doutrina da eleição declara que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça de Adão para ser o objeto de Seu imerecido amor. Esses, e somente esses, Ele propôs salvar. Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez nem uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus. Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más. Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. É suficiente saber que o Juiz de toda a terra tem agido bem e justamente. Deve-se, contudo, ter em mente que se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo, e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo. O fato de Ele ter feito isto para alguns, à exclusão dos outros, não é de forma alguma injusto para os excluídos, a menos que se mantenha que Deus estava na obrigação de prover salvação a todos os pecadores - o que a Bíblia rejeita cabalmente. A doutrina da eleição deve ser vista não apenas contra o pano de fundo da depravação e culpa do homem, mas também deve ser estudada em conexão com o Eterno Pacto ou acordo feito entre os membros da Trindade. Pois foi na execução deste pacto que o Pai escolheu desse mundo de pecadores perdidos um número definido de indivíduos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. O Filho, nos termos desse pacto, concordou em fazer tudo quanto era necessário para salvar esse povo escolhido e que lhe foi concedido pelo Pai. A parte do Espírito na execução desse pacto foi e é a de aplicar aos eleitos a salvação adquirida para eles pelo Filho. A eleição, portanto, é apenas um aspecto (embora muito importante) do propósito salvador do Deus Triuno, e dessa forma não deve ser vista como salvação. O ato da eleição em si mesmo não salvou ninguém. O que ele fez foi destacar (marcar) alguns indivíduos para a salvação. Desta forma, a doutrina da eleição não deve ser divorciada das doutrinas da culpa do homem, da redenção e da regeneração, pois de outra forma ela será distorcida e deturpada. Em outras palavras, se quisermos manter em sua perspectiva bíblica, e corretamente entendido, o ato da eleição do Pai deve ser relacionado com a obra redentora do Filho, que Se deu a Si mesmo para salvar os eleitos e com a obra renovadora do Espírito, que traz o eleito à fé em Cristo.

1. Declarações gerais mostrando que Deus tem um povo eleito, que Ele predestinou esse povo para a salvação e, desta forma, para a vida eterna (Dt. 10.14-15; Sl. 33:12; Ag. 2:23; Mt. 11:27; 22:14)

2. Antes da fundação do mundo, Deus escolheu determinados indivíduos para a salvação. Sua escolha não foi baseada em qualquer resposta ou ato previsto, a ser cumprido pelos escolhidos. A fé e as boas obras são o resultado e não a causa da escolha divina.

a) Deus fez a escolha: (1Ts 1:4; 2:13);
b) A escolha divina foi feita antes da fundação do mundo: (Ef. 1:4; 2Ts. 2:13; 2 Tim. 1:9; Ap. 13:8; 17:8);
c) Deus escolheu determinados indivíduos para a salvação - seus nomes foram
escritos no livro da vida antes da fundação do mundo: Ap 13:8;17:8.[acima]
d) A escolha divina não foi baseada em qualquer mérito previsto naqueles a quem Ele escolheu, nem foi baseada em quaisquer obras previstas, realizadas por eles: (Ro. 9.11-16; 10:20);
e) As boas obras são o resultado e não a base da predestinação: Ef. 1.12; 2:10; Jo.15:16)
f) A escolha divina não foi baseada na fé prevista. A fé é o resultado e, portanto, a evidência da eleição divina, não a causa ou base de Sua escolha: (At. 13.48; 18:27 Fl.1:2; 2:12; 2:13; 1Ts. 1:4-5; 2Ts. 2:13-14);
g) É através da fé e das boas obras que alguém confirma sua chamada e eleição: (2Pe. 1.5-11).

3. A eleição não é a salvação, mas é para a salvação. Assim como o presidente eleito não se torna o presidente de fato até o dia da sua posse (instalação), assim aqueles que são eleitos para a salvação não são salvos até que sejam regenerados pelo Espírito e justificados pela fé em Cristo:(Em Efésios 1:4 Paulo mostra que os homens foram eleitos “em Cristo” antes que o mundo existisse. Em Rm 16:7 ele mostra que os homens não estão realmente “em Cristo” até que se convertam). (Rm. 11.7; 2 Tm. 2:10; At. 13:48; 1Ts. 2:13-14)

4. A eleição foi baseada na misericórdia soberana e especial de Deus. Não foi a vontade do homem, mas a vontade de Deus que determinou que pecadores iriam ser alvos da misericórdia e ser salvos: (Ex. 33.19; Dt. 7:6-7; Rom. 9:11-24; 11:4-36 )

5. A doutrina da eleição é apenas uma parte da doutrina bíblica mais ampla da soberania de Deus. As Escrituras não apenas ensinam que Deus predestinou certos indivíduos para a vida eterna, mas que todos os eventos, grandes ou pequenos, acontecem como o resultado do eterno decreto de Deus. O Senhor Deus reina sobre os céus e a terra com absoluto controle. Nada acontece fora do Seu eterno propósito: (1Cr 29.10-12; Jó 42:1-2; Sl. 115:3; 135:6; Is. 14:24-27; 46:9-11; 55:11; Jer. 32:17; Dan. 4:35; Mt. 19:26)


C. Redenção Particular Ou Expiação Limitada

Como já foi observado, a eleição em si não salva ninguém; apenas destaca alguns pecadores para a salvação. Os que foram escolhidos pelo Pai e dados ao Filho precisam ser redimidos para serem salvos. Para assegurar sua redenção, Jesus Cristo veio ao mundo e tomou sobre Si a natureza humana para que pudesse identificar-Se com o Seu povo e agir como seu representante ou substituto. Cristo, agindo em lugar do Seu povo, guardou perfeitamente a lei de Deus e dessa forma produziu uma justiça perfeita a qual é imputada ao Seu povo ou creditada a ele no momento em que cada um é trazido à fé nEle. Através do que Ele fez, esse povo é constituído justo diante de Deus. Os que constituem esse povo são libertos da culpa e condenação como resultado do que Cristo sofreu por eles. Através do Seu sacrifício substitutivo Ele sofreu a penalidade dos seus pecados e assim removeu sua culpa para sempre. Por conseguinte, quando Seu povo é unido a Ele pela fé, é-lhe creditada perfeita justiça pela qual fica livre da culpa e condenação do pecado. São salvos não pelo que fizeram ou irão fazer, mas tão somente na base da obra redentora de Cristo.
O Calvinismo histórico tem mantido de modo consistente a convicção de que a obra redentora de Cristo foi definida em desígnio e realização; isto é, foi intencionada para render completa satisfação em favor de certos pecadores específicos e que, de fato, assegurou a salvação a esses indivíduos e a ninguém mais. A salvação que Cristo adquiriu para o Seu povo inclui tudo que está envolvido no processo de trazê-lo a um correto relacionamento com Deus, incluindo os dons da fé e do arrependimento. Cristo não morreu simplesmente para tornar possível a Deus perdoar pecadores. Nem deixa Deus aos pecadores a decisão se a obra de Cristo será ou não efetiva. Pelo contrário, todos aqueles por quem Cristo morreu serão infalivelmente salvos. A redenção, portanto, foi designada para cumprir o propósito divino da eleição.
Todos os calvinistas concordam que a obediência e o sofrimento de Cristo são de valor infinito, e que, se fosse o propósito de Deus, a satisfação rendida por Cristo teria salvado todos os membros da raça humana. Não seria requerido de Cristo mais obediência nem sofrimento maior para assegurar a salvação de todos os homens do que foi requerido para a salvação apenas dos eleitos. Mas Ele veio ao mundo para representar e salvar apenas aqueles que Lhe foram dados pelo Pai. Desta forma, a obra salvadora de Cristo foi limitada no sentido em que foi designada para salvar uns e não outros, mas não foi limitada em valor, pois seu valor é infinito. Ela teria assegurado a salvação de todos, se essa tivesse sido a intenção de Deus. Os arminianos também estabelecem uma limitação
na obra expiatória de Cristo, mas de natureza inteiramente diferente. Eles acreditam que a obra salvadora de Cristo foi designada para tornar possível a salvação de todos os homens, desde que eles creiam, e de que a morte de Cristo, em si mesma, não assegura ou garante a salvação para ninguém. Desde que todos os homens serão salvos como resultado da obra redentora de Cristo, deve-se admitir que há uma limitação. Essa limitação consiste num desses dois pontos: ou a expiação foi designada para assegurar a salvação para certos pecadores e não para outros, ou ela foi limitada no sentido em que não foi intencionada para assegurar a salvação de ninguém, mas apenas para tornar possível a Deus perdoar os pecadores na condição da fé. Em outras palavras, a limitação deve ser colocada, em desígnio, na sua extensão, (não foi intencionada para todos), ou na sua eficácia (ela não assegura a salvação para ninguém). Como Boettner adequadamente observa, "para o calvinista a expiação é como uma ponte estreita que atravessa todo o rio; para o arminiano, é como uma grande e larga ponte que vai apenas até a metade do caminho" (The Reformed Doctrine of Predestination, p. 153). Desta forma, são os arminianos que impõem uma limitação maior à obra de Cristo.

1. As Escrituras descrevem o fim intencionado e realizado pela obra de Cristo como a salvação completa do Seu povo. (reconciliação, justificação e santificação).

a) As Escrituras declaram que Cristo veio, não para capacitar os homens a se salvarem a si mesmos, mas para salvar pecadores: (Mt. 1.21; Lc. 19:10; Gl. 1:3-4; Tt. 2:14; 1Pe.3:18);
b) As Escrituras declaram que, como resultado do que Cristo fez e sofreu, Seu povo é reconciliado com Deus, justificado, e recebe o Espírito Santo que o regenera e santifica. Todas essas bênçãos foram asseguradas por Cristo mesmo, ao Seu povo.

b.1) Cristo, pela Sua obra redentora, assegurou a reconciliação ao Seu povo: (Rom.5:10- 11; 2Co. 5:18-19; Ef. 2:15-16; Cl 1:21-22);
b.2) Cristo assegurou a justiça e o perdão que Seu povo necessita para a sua justificação. (Rom. 3:24-25; 5:8-9; 1Co. 1:30; Gál. 3:13; Col. 1:13-14; Heb. 9:12; 1Pe. 2:24);
b.3) Cristo assegurou o dom do Espírito, o qual inclui regeneração e santificação e tudo que está incluído nessas graças: Ef 1:3-4; Fil. 1:29; At. 5:31 Tt. 2:14; 3:5-6 Ef. 5:26; 1Co. 1:30; Heb. 9:14; 13:12 1Jo. 1:7).

2. Passagens que apresentam o Senhor Jesus Cristo, em tudo que Ele fez e sofreu pelo Seu povo, como cumprindo os termos de um pacto ou concerto gracioso no qual entrou com Seu Pai celestial antes da fundação do mundo:

a) Jesus foi enviado ao mundo pelo Pai para salvar o povo que o Pai Lhe deu. Os que o Pai Lhe deu vêm a Ele e nenhum deles se perderá: (Jo. 6:35-40)
b) Jesus, como o bom Pastor, dá a Sua vida pelas Suas ovelhas. Todos os que são Suas ovelhas são trazidos por Ele ao aprisco, levadas a ouvir a Sua voz e a segui-lo. Notemos que o Pai tem dado as ovelhas a Cristo! (Jo. 10:11-29)
c) Jesus, em Sua oração sacerdotal, não roga pelo mundo, mas por aqueles que o Pai lhe dera. Em cumprimento à tarefa dada pelo Pai, Jesus realizou a Sua obra. Essa obra era tornar Deus conhecido do Seu povo e dar-lhe a vida eterna: (Jo. 17.1-26)
d) Paulo declara que todas as "bênçãos espirituais" que os santos herdam, tais como filiação, redenção, perdão de pecados, etc., resultam do fato de estarem "em Cristo", e liga essas bênçãos à sua fonte última - o eterno conselho de Deus - onde repousa a grande bênção de terem sido escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo para serem filhos de Deus, por meio dEle (Ef. 1:3-12).
e) O paralelo que Paulo estabelece entre a obra condenatória de Adão e a obra salvadora de Jesus Cristo, o "segundo Adão", pode ser melhor explicado na base do princípio de que ambos figuravam numa relação pactual com o "seu povo". Adão figurava como o cabeça federal da raça e Cristo como o cabeça federal dos eleitos. Assim como Adão envolveu o seu povo na morte e condenação pelo seu pecado, assim também Cristo trouxe justiça e vida ao Seu povo através de Sua justiça (retidão): Rom. 5.12-19).

3. Algumas passagens falam de Cristo morrendo por "todos" os homens e de Sua morte como salvando "o mundo"; todavia, outras falam de Sua morte como sendo definida em desígnio, isto é, para assegurar a salvação de um povo específico.

a) Há duas classes de textos que falam da obra salvadora de Cristo em termos
gerais:
a.1) As que contém a palavra "mundo" (Jo. 1:9, 29;3:16,17; 4:42; 2Co 5:19; 1Jo. 2:1,2; 4:14 e;
a.2) As que contêm a palavra "todos" (Rm 5:18; 2Co 5:14,15; 1Tm 2:4-6; Heb 2:9; 2Pe 3.9 ; Jo. 1:9; 29; 3:19; 3:16-17; 4:42; 2Co. 5:19; 1Jo. 2:1-2; 1Jo. 4:14; Rom. 5:18; 2Co 5:14-15; 1Ti. 2:4-6; Heb. 2:9; 2Pe. 3:9).

Uma das razões para o uso dessas expressões era corrigir a noção falsa de que a salvação era apenas para os judeus. Frases como "o mundo", "todos os homens", "todas as nações", "toda criatura”, eram usadas para corrigir esse erro. Essas expressões eram usadas para mostrar que Cristo morreu para todos os homens sem distinção (i.e., Ele morreu tanto para judeus como para gentios), mas elas não pretendem indicar que Cristo morreu por todos os homens, sem exceção (i.e., Ele não morreu com o propósito de salvar todo e qualquer pecador perdido).

b) Há outras passagens que falam de Sua obra salvadora em termos definidos e mostram que ela foi intencionada para salvar infalivelmente um determinado povo, a saber, aqueles que Lhe foram dados pelo Pai: (Mt. 1:21; 26:28; Jo. 10:11; Jo. 11:50-53; At. 20:28; Ef. 5:25-27; Rom. 8:32-34; Heb. 2:17; 3:1; 9:15, 18; Ap. 5:9)

Para maior detalhamento deste ponto da doutrina, ler a obra do puritano John Owen chamada “The Death of Death in the Death of Christ”. Um resumo dos 4 volumes pode ser visto aqui: http://www.baptistlink.com/creationists/porquemowen.pdf


D. Chamada Eficaz do Espírito ou Graça Irresistível

Cada membro da Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - participa e contribui para a salvação de pecadores. Como já foi mostrado, o Pai, antes da fundação do mundo, escolheu aqueles que iriam ser salvos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. Na época oportuna o Filho veio ao mundo e assegurou a redenção desse povo. Mas esses dois grandes atos - a eleição e a redenção - não completam a obra da salvação, pois está incluída no plano divino para a recuperação do pecador perdido a obra renovadora do Espírito Santo, pela qual os benefícios da obediência e da morte de Cristo são aplicados ao eleito. A doutrina da Graça Irresistível ou Eficaz está relacionada com essa fase da Salvação. Declarada de modo simples, esta doutrina afirma que o Espírito Santo nunca falha em trazer à salvação aqueles pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo. Ele aplica inevitavelmente a salvação a todo pecador que Ele tencionou salvar, e é Sua intenção salvar todos os eleitos. O apelo do evangelho estende uma chamada à salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se arrepender e crer. Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por que? Porque os homens estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. Eles são, por si mesmos, incapazes de abandonar os seus maus caminhos e se voltarem a Cristo, para receber misericórdia. Nem podem e nem querem fazer isso. Consequentemente, o não regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar somente para Ele para a salvação. Tal ato de fé e submissão é contrário à natureza do homem perdido. Por isso, o Espírito Santo, para trazer o eleito de Deus à salvação, estende-lhe uma chamada especial interna em adição à chamada externa contida na mensagem do evangelho. Através dessa chamada especial, o Espírito Santo realiza uma obra de graça no pecador que, inevitavelmente, o traz à fé em Cristo. A mudança interna operada no pecador eleito o capacita a entender e crer na verdade espiritual. No campo espiritual, são lhe dados olhos para ver e ouvidos para ouvir. O Espírito cria nele um novo coração e uma nova natureza. Isto é realizado através da regeneração (novo nascimento), pela qual o pecador é feito filho de Deus e recebe a vida espiritual. Sua vontade é renovada através desse processo, de forma que o pecador vem espontaneamente a Cristo por sua própria e livre escolha. Pelo fato de receber uma nova natureza que o habilita a amar a retidão, e porque sua mente é iluminada de tal forma a habilitá-lo a entender e crer no evangelho, o pecador renovado (regenerado) volta-se para Cristo, livre e voluntariamente, como seu Senhor e Salvador. Assim, o pecador que antes estava morto, é atraído a Cristo pela chamada interna e sobrenatural do Espírito, a qual, através da regeneração, o vivifica e cria nele a fé e o arrependimento. Embora a chamada externa do evangelho possa ser, e frequentemente é, rejeitada, a chamada interna e especial do Espírito nunca deixa de produzir a conversão daqueles a quem ela é feita. Essa chamada especial não é feita a todos os pecadores, mas é estendida somente aos eleitos. O Espírito não depende em nenhuma maneira da ajuda ou cooperação do pecador para ter sucesso em Sua obra de trazê-lo a Cristo. É por essa razão que os calvinistas falam da chamada do Espírito e da graça de Deus em salvar pecadores como sendo "eficaz", "invencível" ou "irresistível". A graça que o Espírito Santo estende ao eleito não pode ser obstada, nem recusada; ela nunca falha em trazê-lo à verdadeira fé em Cristo. A doutrina da Graça Irresistível ou da Vocação Eficaz é apresentada em termos bem claros no capítulo X da Confissão de Fé de Westminster.

1. Declarações gerais mostrando que a salvação é tanto obra do Espírito como é do Pai e do Filho: (Rom. 8.14; 1Co. 2:10-14; 6:11; 12:3; 2Co. 3:6, 17-18; 1Pe. 1:2;)

2. Através da regeneração ou novo nascimento, os pecadores recebem a vida espiritual e são feitos filhos de Deus. A Bíblia descreve esse processo como uma ressurreição espiritual, uma criação, o recebimento de um novo coração, etc. A mudança interna, que é operada através do Espírito Santo, é fruto do poder e da graça de Deus e de forma nenhuma depende da ajuda do homem para a operação do Espírito ser bem sucedida.

a) Os pecadores, através da regeneração, são trazidos para o Reino de Deus e feitos Seus filhos. O autor desse "segundo" nascimento é o Espírito Santo: o instrumento que Ele usa é a Palavra de Deus: (Jo. 1:12-13; Jo. 3:3-8; Tt. 3:5; 1Pe. 1:3; 1Jo. 5:4)
b) Através da obra do Espírito o pecador morto recebe um novo coração (uma nova natureza) e é levado a andar na lei de Deus. Em Cristo ele torna-se uma nova criação: (Dt. 30.6; Ez. 36:26-27; Gál 6:15; Ef. 2:10; 2Co. 5:17-18)
c) O Espírito Santo ergue o pecador de seu estado de morte espiritual e o vivifica: (Jo 5.21; Ef. 2:1, 5; Col. 2:13)

3. Deus torna conhecidos aos Seus escolhidos os segredos do Reino através da revelação interna e pessoal dada pelo Espírito: (Mt. 11:25-27; Lc. 10:21; Mt. 16:15-17; Jo. 6:37, 44-45, 64-65 1Co. 2:14; Ef. 1:17;)

4. A Fé e o Arrependimento são dons divinos, os quais são operados na alma através da obra regeneradora do Espírito Santo: (At. 5.31; 11:18; 13:48; 16:14; 18:27; Ef. 2:8-9; Fl. 1:29; 2Tim. 2:25-26)

5. O apelo do evangelho estende uma chamada geral externa à salvação a todos que ouvem a mensagem. Em adição a essa chamada externa, o Espírito estende uma chamada especial interna aos eleitos e só a esses. A chamada geral do evangelho pode ser, e geralmente é, rejeitada, mas a chamada especial do Espírito não pode ser rejeitada. Ela sempre resulta na conversão daqueles a quem é feita: (Ro. 1:6-7; 8:30; :23-24; 1Co. 1:1-2, 9, 23-31; Gál. 1:15-16; Ef. 4:4; 2Tim. 1:9; Heb. 9:15; Jud. 1:1; 1Pe. 1:15; 2:9; 5:10; 2Pe. 1:3; Ap. 17:14)

6. A aplicação da salvação é toda pela graça e só é realizada através do infinito poder de Deus: (Is. 55.11; Jo. 3:27; 17:2; Rom. 9:16; 1Co. 3:6-7; 4:7; Fil. 2:12-13; Tg. 1:18; 1Jo. 5:20)


E. Perseverança Dos Santos Ou Segurança Dos Crentes


Os eleitos não são apenas redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito; eles são mantidos na fé pelo infinito poder de Deus. Todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração, estão eternamente seguros nEle. Nada os pode separar do eterno e imutável amor de Deus. Foram predestinados para a glória eterna e estão, portanto, assegurados para o céu. A doutrina da perseverança dos santos não mantém que todos que professam a fé cristã estão garantidos para o céu. São os santos - os que são separados pelo Espírito - os que perseveram até o fim. São os crentes - aqueles que recebem a verdadeira e viva fé em Cristo - os que estão seguros e salvos nEle. Muitos que professam a fé cristã caem, mas eles não caem da graça pois nunca estiveram na graça. Os crentes verdadeiros caem em tentações e cometem graves pecados, às vezes, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a separá-los de Cristo. A Confissão de Fé de Westminster diz o seguinte a respeito dessa doutrina: "Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair no estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos" (XVII, 1). Boettner certamente está correto em afirmar que "essa doutrina não se manifesta isoladamente, mas é uma parte necessária do sistema calvinista de teologia. As doutrinas da Eleição e da Graça Eficaz implicam logicamente na salvação certa daqueles que recebem essas bênçãos. Se Deus escolheu homens de modo absoluto e incondicional para a vida eterna, e se o Seu Espírito efetivamente aplica-lhes os benefícios da redenção, a conclusão inevitável é que essas pessoas serão salvas" (op. cit., p.182). Os seguintes versículos mostram que o povo de Deus recebe a vida eterna no momento em que crê. Estes são guardados pelo poder de Deus mediante a fé e nada os pode separar do Seu amor. Foram selados com o Espírito Santo que lhes foi dado como garantia de sua salvação e, desta forma, estão assegurados para uma herança eterna: (Is. 43.1-3; 54:10; Jer. 32:40; Mt.18:12-14; Jo. 3:16, 36: 5:24; 6:35-40, 47; 10:27-30; 17:11-12, 15; Rom. 5:8-10; Rom. 8:1, 29-30, 35-39; 1Co. 1:7-9; 10:13; 2Co. 4:14, 17; Ef. 1:5, 13-14; 4:30; Col. 3:3-4; 1Ts.5:23-24; 2Ti. 4:18; Heb. 9:12, 15; 10:14; 12:28; 1Pe. 1:3-5; 1Jo. 2:19, 25; 5:4, 11-13, 20; Jd. 1:24-25)

Texto de Pedro

domingo, 19 de julho de 2015

SALVAÇÃO - O PENSAMENTO ARMINIANO

INTRODUÇÃO
(texto de CVPFB)

O Arminianismo é um sistema teológico baseado nas idéias do pastor e teólogo reformado holandês Jacob Harmensz, mais conhecido pela forma latinizada de seu nome Jacobus Arminius. No inglês, é usualmente referenciado como James Arminius ou Jacob Arminius. Em português, seu nome seria Jacó Armínio.

Embora tenha sido discípulo do notável calvinista Teodoro de Beza, Armínio defendeu uma forma evangélica de sinergismo (crença que a salvação do homem depende da cooperação entre Deus e o homem), que é contrária ao monergismo, do qual faz parte o Calvinismo (crença de que a salvação é inteiramente determinada por Deus, sem nenhuma participação livre do homem).

O sinergismo arminiano difere substancialmente de outras formas de sinergismo, tais como o Pelagianismo e o Semipelagianismo. Enquanto o Arminianismo é uma doutrina bíblica, o Pelagianismo nega o pecado original e o Semipelagianismo atribui ao homem a iniciativa da salvação. Não podem ser consideradas doutrinas bíblicas. Já o arminianismo credita a Deus a iniciativa da salvação, capacitando ao homem, pela graça preveniente, aceitar Jesus como único e suficiente Salvador.

De modo análogo ao arminianismo, também há variações entre as crenças monergistas (calvinistas), tais como o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo.

Armínio não foi o primeiro e nem o último sinergista na história da Igreja. De fato, há dúvidas quanto ao fato de que ele tenha introduzido algo de novo na teologia cristã. Os próprios arminianos costumavam afirmar que os pais da Igreja grega dos primeiros séculos da era cristã e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas, tais como o reformador católico Erasmo de Roterdã. 

Até mesmo Philipp Melanchthon (1497-1560), companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse.

Armínio e seus seguidores divergiram do monergismo calvinista por entenderem que as crenças calvinistas na eleição incondicional (e especialmente na reprovação incondicional), na expiação limitada e na graça irresistível:

1) seriam incompatíveis com o caráter de Deus, que é amoroso, compassivo, bom e deseja que todos se salvem. Nesse, ponto, se a a eleição é incondicional e atribuída unicamente a Deus, como pregam os calvinistas, por que Deus não salva a todos? Bastaria que elegesse a todos! Inobstante, se Deus não salva a todos, seria injusto se a salvação dependesse apenas de Deus.

2)  violariam o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. Se Deus não dá ao homem nenhuma possibilidade de escolha, então o homem seria um autômato, não seria responsável por ser salvo. Assim, o arminianismo vai tecer uma teoria baseada na graça preveniente, em que de fato o homem no estado de depravação total em que caiu não tem livre arbítrio, mas a graça de Deus o capacitou a poder fazer a boa escolha. Alega que Deus não poderia permitir ao homem escolher, como está escrito, e ao mesmo tempo impedir que o homem escolhesse, pois estaria zombando do homem e isso é incompatível com o caráter de Deus e as Sagradas Escrituras.

3) levariam à consequência lógica inevitável de que Deus fosse o autor do mal e do pecado. De fato, se Deus elege e predestina alguns para a salvação, e outros para a perdição, então Deus é o autor do pecado porque poderia ter eleito e predestinado a todos, e não o fez. Portanto, porque predetermina a todos, inescapavelmente consentiria com o pecado.

Fonte:  Pr. Flávio Cardoso,  site: Arminianismo.com




I - SALVAÇÃO – A POSIÇÃO ARMINIANA
(texto de Paulo Roberto) 

Afinal de contas o que é o Arminianismo? É a doutrina do Livre-Arbítrio? Prega que o homem tem a capacidade de escolher a Salvação? Prega que o homem pode cair e retornar à Graça o tempo todo?

Nega a Soberania de Deus? Nega a Eleição e a Predestinação, que estão na bíblia? Alguns responderiam essas perguntas de bate-pronto, contudo o que realmente expôs Jacó Arminius e John Wesley (Os expoentes clássicos desta posição) e o que expõe hoje os eruditos arminianos de hoje que efetivamente conhecem essa doutrina.

Passo a discorrer sobre o Arminianismo Clássico (Em sentido amplo, mais tarde veremos porque faço essa diferenciação), ou seja sobre o Arminianismo que verdadeiramente foi ensinado por seus teólogos e pregadores íntimos da Bíblia e da doutrina tal qual foi sistematizada inicialmente, nesse primeiro sentido da expressão Arminianismo Clássico quer-se dizer que nada tem a ver com os conceitos errôneos daqueles que talvez até se achem arminianos contudo são na verdade pelagianos ou semipelagianos( logo veremos as diferenças).

Em síntese o Arminianismo é a posição soteriológica que sistematiza o procedimento da Salvação tal qual é narrado nas escrituras, conciliando princípios básicos das Escrituras, como o caráter bom, amoroso, justo e relacional de Deus e sua isenção ao não fazer acepção de pessoas

“Ele ama a justiça e a retidão; a terra está cheia da bondade do Senhor." Salmos 33:5”,

“Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. Romanos2:11 .

Assim como há ausência de prazer em Deus na morte e falta de arrependimento: Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e  viva? (Ezequiel 18:23).

Assim sendo,  ficam aspectos importantes da salvação explicitados em uma sistematização de 5 pontos, tal qual sua posição antagônica. Em verdade, segundo algumas fontes  foram os próprios arminianos durante a Remonstrância e os eventos históricos envolvendo o sínodo de Dort que provocaram a sistematização das duas posições principais sobre Salvação em 5 pontos essenciais (1). 

Por sinal, em questão histórica, obviamente que o Arminianismo não surge com Arminius, não foi inventado por ele, somente sistematizado, assim como sua posição antagônica não foi criada pelo Reformador de Genebra (Jean Calvin, ou, João Calvino), já existia antes. 

Inclusive dentre os chamados “ Pais da Igreja” as posições predominantes, ou era aquela que mais tarde viriam a ser conhecida como Arminianismo (Tais como Cipriano no século III e Clemente de Roma no primeiro século(2) ), ou era Semipelagiana (3). O monergismo contrário ao sinergismo arminiano surgiria mais tarde com Agostinho, que antes de sustentar tal posição passeou pelo Arminianismo, tendo sido possivelmente o primeiro a utilizar  expressão “Graça Preveniente”, a qual será também explanada mais adiante.(4) e (5)



II – OS CINCO PONTOS ARMINIANOS

Por conseguinte afirmamos ser o acróstico dos 5 pontos do Arminianismo a sigla FACTS


FACTS:

    Freed by Grace (to Believe) – Livre pela graça (para crer)
    Atonement for All – Expiação para Todos
    Conditional Election – Eleição Condicional
    Total Depravity – Depravação Total
    Security in Christ – Segurança em Cristo


Passo a expor em espécie cada um dos 5 pontos:


    1) Freed by Grace (to Believe) – Livre pela graça (para crer) – Esse primeiro ponto consistirá em dois princípios, que a graça foi derramada sobre todos os homens, contudo por que então todos os homens não seriam salvos? Porque tal graça é preveniente, e esse será nosso segundo princípio em relação a graça.

    1) a - Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, Tito 2:11 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Romanos 5:18

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Hebreus 2:9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. João 1:9 ,

Diante de tais afirmativas bíblicas resta-nos entender que a graça salvadora foi dada a todos os homens, logo a principal finalidade da Graça sempre será salvar o homem, não parece existir uma graça que não salva e outra que salva, contudo entende-se  que a Graça em um primeiro momento é Preveniente, ou seja vem antes mesmo que o homem se converta, em verdade ela serve para que o homem se converta, só é possível ao homem que é totalmente depravado(como veremos adiante) receber a dádiva da Salvação porque Deus com sua graça o capacitou, logo o Arminianismo, ao contrário do que faz o Pelagianismo ( Doutrina defendida pelo Monge Pelágio contra Agostinho, no séc. V) e o Semipelagianismo (Doutrina de João Cassiano que nega a depravação total),  alega que só existe livre-arbítrio porque houve um contrabalanceamento por parte de Deus no homem, é como se o homem fosse uma mesa desnivelada e a graça preveniente fosse um calço colocado por Deus, equilibra mas ainda não é a restauração completa que somente virá após o Novo Nascimento

1) b – Todavia tal graça é resistível - "E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Mateus 23:37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Lucas 13:34 Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Jo. 12 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. João 3:18,19.


Baseado em tais textos o Arminianismo afirma que a Graça é resistível todos os homens podem rejeitar ou aceitar a Graça, ou seja podem ceder a sua natureza pecaminosa de vez ou optar por desfrutar da plenitude da Graça que lhe foi oferecida através do novo nascimento.


    2) Atonement for All – Expiação para Todos - "E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1 João 2:2" 18 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Rm. 5 22 Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. 1 Co. 15 Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14,15 .

O Entendimento arminiano salienta que Cristo morreu por todos os seres humanos defendendo assim a chamada Expiação Ilimitada(ou Ilimitada Limitada), pois a morte vicária de Cristo tem poder suficiente para expiar os pecados de toda humanidade mas em um aspecto subjetivo de Salvação só é aplicável aqueles que aceitam o amoroso chamado do Espírito Santo.(6)

    3) Conditional Election – Eleição Condicional - Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. 1 Pedro 1:2   Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29  Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. 1 Timóteo 2:4 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 2 Pedro 3:9.

    3.a) A Bíblia deixa claro que o desejo de Deus é que todos se salvem, nem todos serão salvos como já dito por causa da rejeição que alguns fazem à Graça, a Eleição se dá em Cristo ou seja aqueles que capacitados por sua graça atenderam ao seu chamado são os seus Eleitos, obviamente um Deus onisciente o é também em relação ao tempo e sendo assim realizou essa eleição dentro de sua atemporalidade antevendo aqueles que aceitariam o seu chamado.


    3.b) o Arminianismo crê em Eleição Incondicional nos contextos Corporativo e pra Funções, ou seja a Igreja e a Nação de Israel por exemplo são Eleitos incondicionalmente, Deus escolheu esses povos incondicionalmente, assim como dentre os salvos Ele elege de maneira incondicional pessoas para diversas funções, tal qual escolheu os profetas no Velho Testamento.(7)

4) Total Depravity – Depravação Total - Gênesis 6.5-6: "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração." Gênesis 8.21: "E o SENHOR sentiu o suave cheiro, e o SENHOR disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz."Salmo 58.3: "Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras." Provérbios 20.9: "Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?"Romanos 5.12: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram."

O Arminianismo se coaduna em pensamentos com o monergismo pelo menos nesse ponto, o homem é naturalmente inclinado ao pecado, não há nele nada para que se salve, ele não pode alcançar Deus, está miseravelmente enfermo da alma o livre-arbítrio libertário só existe pela ação da Graça Preveniente que tem a finalidade de dar ao homem a oportunidade de Salvar-se pela Obra de Cristo.


    Security in Christ – Segurança em Cristo - 12 Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. 39 Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.

É Aqui que há diversidade no pensamento Arminiano. Aqui o Arminianismo Clássico ganhará um sentido estrito, o qual seria dos chamados Arminianos de 4 pontos, que entendem a perseverança dos Santos como garantia de que o crente genuinamente nascido de Novo jamais cairá. Essa posição existe porque, segundo consta nos registros históricos sobre Arminius e seus primeiros alunos, tais homens não chegaram a consolidar a possibilidade de queda. Contudo, há também os Aminío-Wesleyanos, que tal como John Wesley afirmam ser plenamente possível que se caia da Graça no caso de Apostasia(8), contudo ressalta-se que tal posição não implica no chamado cai-cai, a Apostasia seria verdadeiramente alguém que foi claramente um Cristão voltar-se agora contra o Evangelho, descrer de tal bênção ou ainda distorcê-lo em uma Heresia de Perdição.


III - CONSIDERAÇÕES FINAIS

1) Afirmações Equivocadas sobre o Arminianismo

a) O Arminianismo é uma doutrina que prega salvação pelas obras e mérito – Diante de toda a exposição crê-se que ficou claro que o Arminianismo credita a graça de Deus e ao sacrificio de Cristo à Salvação, não há mérito nenhum em um miserável mendigo que recebe um banquete e o aceita, pois não foi ele quem pagou o preço nem tinha autonomia para entrar naquele banquete simplesmente por querer o mérito é de quem pagou o preço e o convidou.

b) O Arminianismo nega a depravação total – De forma alguma, como foi dito é o único ponto em que concordam 100% Arminianos e monergistas a diferença é que o Arminianismo atribui à graça preveniente a possibilidade de escolha.

c) O Arminianismo nega a Soberania de Deus- Neste caso há de se ver o que se entende por Soberania, o Arminianismo entende ser Deus Soberano sobre sua própria Soberania, ou seja Deus criar seres dotados de vontade própria não o tira do Governo da História e da Humanidade.

d) O Arminianismo é herético – Crê-se que seja tal afirmação por demais exagerada mesmo porque tanto a posição sinergista como monergista foram declaradas heresias em concílios e sínodos ao longo da hstória da Igreja sempre em algum momento uma prevalecendo sobre a outra.

e) As igrejas pentecostais em geral são Arminianas- Negativo, infelizmente é pouco conhecido o Arminianismo de verdade no meio pentecostal rendendo-se tais igrejas, ainda que involuntariamente, ao Pelagianismo e ao Semipelagianismo.


2) Igrejas, Avivalistas, Pregadores e Pastores expoentes do Arminianismo Clássico:

Igrejas: Igreja Metodista, Igrejas Batistas do Brasil ( A CBB é de orientação Arminiana de 4 pontos, todavia o meio Batista é livre para adotar posições teológicas diversas) e Igreja do Nazareno.

Avivalistas ,Pregadores e Pastores Históricos: Jonh e Charles Wesley, D.L. Moody,C.S. Lewis, A.W. Tozer , Leonard Ravenhill e David Wilkerson.

Pastores Vivos: Billy Graham, Jerry Walls, Roger Olson( Americanos), Brasileiros: Ildo Mello, Claudionor de Andrade, Silas Daniel.

Obs: Existem “Arminianos não-confessos” que apesar de defenderem basicamente a doutrina aqui apresentada não costumam se chamar de Arminianos, pois preferem dizer-se “Não-Calvinistas”, ou nem Calvinista, nem Arminiano, dentre os quais podemos citar respeitosamente, Ciro Zibordi, Antônio Gilberto e Paulo Júnior.

3) A ICM e o Arminianismo – Há pouco conhecimento do arminianismo na ICM. Algumas de suas posições podem coincidir em algum ponto, porém não é proposital. Existem alguns membros com orientação arminiana e até alguns poucos que conhecem tal doutrina e com ela se identificam, contudo a atual posição oficial é um arminianismo com eleição incondicional ( como se fosse um calvinismo de 1 ponto), sendo que alguns que não concordam com a eleição incondicional tendem a incorrer num ponto equivocado de Eleição Universal.


(1) Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, p. 396
(2)  Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, p. 381
(4) Norman Geisler, Eleitos Mas Livres
(6) Vinicius Couto, Introdução a Teologia Amínio-Wesleyana, p. 48/49, citando Jacó Arminius
(7)Vinicius Couto, Introdução a Teologia Amínio-Wesleyana, p. 40
(8)Vinicius Couto, Introdução a Teologia Amínio-Wesleyana, p. 91


Texto da autoria de Paulo Roberto


(Nota de CVPB: o autor, Paulo Roberto, é simpatizante da doutrina arminiana, conhece-a profundamente, é um estudioso das Escrituras sincero, sábio e capaz, pelo que é indicado a defendê-la, inclusive para que sejamos justos e tenhamos um debate justo)