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sábado, 20 de junho de 2015

SALVAÇÃO

INTRODUÇÃO

Não há tema mais importante na Palavra de Deus do que esse. Afinal, todo o plano de Deus para o homem está focado na salvação.

O primeiro ato, depois da queda adâmica e expulsão do paraíso, foi a morte de um animal para cobrir a nudez de Adão e Eva. Aqui vemos o plano de Deus para propiciar a redenção: o salário do pecado é a morte, mas o Senhor aceitará um sacrifício substitutivo. Com Abel, vem a confirmação do plano para salvação, apenas pelo sacrifício substitutivo. Ou seja, não será jamais pelas obras.

Adão foi feito à imagem e semelhança de ELOHIM, mas caiu e perdeu essa condição.

Em resumo, a queda de Adão, motivada por um desejo que nasceu no coração de Eva e no seu próprio de provar o conhecimento do bem e do mal e ser semelhante a Deus, teve por meio a tentação e consistiu em um desejo corrupto e consequente ato de desobediência direta à Palavra de Deus.

Adão pecou não apenas por ter comido do fruto proibido, mas antes por tê-lo desejado e desobedecido. A consumação do pecado foi o ato pecaminoso, fruto do desejo proibido e da desobediência, consumado ao provarem do fruto proibido.

Uma vez consumado o pecado, a consequência foi o afastamento de Deus, a separação de Deus pelo pecado. Perdeu a comunhão íntima que possuía, perdeu a imagem e semelhança de Deus, perdeu o direito sobre toda a criação e a terra, foi condenado à morte pelo pecado e toda a criação foi amaldiçoada junto com Adão e Eva.

A depravação da natureza humana não é somente moral, é também física e espiritual. A morte física é a consequência para o corpo físico. A corrupção da alma e a morte espiritual é a consequência para a alma. Todo o ser do homem foi corrompido pelo pecado original, tornando-o incapaz de, por si só, retomar a original comunhão com o Senhor.

Por isso, a doutrina do pecado original é a única a ser aceita. O desvio de Pelágio, que nega o pecado original, que em tempos modernos teve por defensor homens de Deus como Charles Finney e algumas correntes arminianas modernas, não pode jamais ser aceito. Charles Finney foi um guerreiro da fé, mas errou nessa parte porque queria oferecer aos universalistas, humanistas e outros críticos uma resposta, tendo que admitir por essa razão que a depravação seria apenas moral. Um ledo engano. Não temos que justificar Deus ou Sua Palavra, Deus não precisa de advogados.

Apenas para argumentar, se a depravação fosse apenas moral nós não envelheceríamos e nem morreríamos. O corpo foi atingido, bem como a mente e o espírito. Todo o ser do homem foi golpeado mortalmente pelo pecado, principalmente o corpo físico, cujos membros se inclinam para o pecado até mesmo no nascido de novo. Paulo afirma:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”. (Romanos 7:18)

“Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:21-24)

Adão até poderia ter livre-arbítrio no éden, mas então perdeu o livre-arbítrio ao cair e se tornar escravo do pecado. Ora, escravos não tem livre-arbítrio, simples assim. Essa, aliás, é a posição de Lutero e dos demais reformadores.

Seus filhos herdaram essa condição irremediavelmente, pois foram gerados à sua imagem e semelhança, e não mais à imagem e semelhança de Deus.

E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete (Gênesis 5:3 – ACF).

Veja que não foi à imagem e semelhança do Senhor, mas dele próprio, Adão, que já havia caído.

Assim, diante da impossibilidade do homem, pelas suas próprias obras, pelas suas forças, retornar a ter comunhão com o Senhor, retornar ao primeiro estado, Deus providenciou para esse homem caído uma plano de salvação.


A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

Soteriologia é o estudo da salvação.

Interessa-nos o processo de aplicação da salvação da parte de Deus para Seus eleitos. Consiste em uma sequência de várias ações desse processo que tem a participação de Deus e do homem. O estudo da salvação busca justamente o entendimento das várias ações desse processo divino-humano.

Assim, entendemos ser possível uma apresentação sistemática de todas as etapas do processo de aplicação dessa salvação. Há uma ordem na salvação, ainda que as etapas não sejam estanques, seu início e fim definidos pari passu.  Louis Berkhof descreve a ordo salutis como:

“o processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo, é concretizada subjetivamente nos corações e vidas dos pecadores. Visa descrever, em sua ordem lógica e também em suas inter-relações, os vários movimentos do Espírito Santo na aplicação da obra de redenção. A ênfase não recai no que o homem faz ao apropriar-se da graça de Deus, mas no que Deus faz ao aplica-la.” (Teologia Sistemática, fl. 383)

Temos uma definição de ordem da salvação em Romanos 8:29-30. É claro que não estão aqui todas as etapas, mas dá para ter uma noção do todo do processo através dessa pasagem bíblica. Todavia, o movimento do Espírito não pode ser nem lógico, nem cronológico.  O processo de salvação, muito embora seja coerente aos desígnios de Deus, não pode ser separado em etapas estanques. Por exemplo, a fé salvífica acompanha todo o processo, a regeneração não se perfaz da mesma maneira em todos os humanos, os eventos podem ocorrer simultaneamente, ou não. Enfim, o Senhor tem a sua forma de agir que, muitas vezes, não se conforma a esquemas lógicos necessários à compreensão humana.

A ordem da salvação é entendida de maneira diferente entre calvinistas e arminianos e outros, cada qual se valendo da sua particular doutrina da salvação para definir uma ordem, sistematizando a aplicação da salvação segundo seus próprios pressupostos.

Todas as vezes que utilizarmos uma sequência, para fins de não induzir o leitor a uma ou outra doutrina, procuraremos definir de onde tiramos a ordem.

Nesse estudo, partimos da visão calvinista, precipuamente porque é a visão dos reformadores e da ortodoxia. Wayne Grudem utiliza a seguinte ordem: eleição, chamado, regeneração, conversão (fé e arrependimento), justificação, adoção, santificação, perseverança e glorificação. Abaixo temos uma ilustração dessa ordem.

Eleição: A escolha dos eleitos é a escolha daqueles a quem serão aplicados redenção, portando colocamos como o primeiro ato de Deus na ordem. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Efésios 1:4). Não podemos afirmar que a eleição seja condicional a alguma atitude ou caráter dos eleitos. Não é possível.

Quem elege, para fazer uma boa escolha precisa conhecer antecipadamente o candidato, é claro. Mas nesse caso os critérios de eleição são pertinentes ao Senhor, que não nos revelou. Somente conhecendo o passado, presente e futuro, o Senhor pode eleger antecipadamente, e é o que Ele faz, mas humildemente devemos responder que não sabemos como. Como Ele conhece antecipadamente, pois elege desde o ventre, ou mesmo antes, não sabemos.

Para os arminianos, Deus não interfere na escolha do homem. Ele somente sabe de antemão quem livremente (livre-arbítrio) aceitará Jesus e, por essa razão, faz a sua eleição dos escolhidos. Seria a eleição, por assim dizer, apenas uma visão do futuro. A isso retrucamos que se a eleição está condicionada à aceitação posterior de Jesus como Salvador, então Ele não precisaria eleger ninguém antecipadamente, o termo eleição não deveria estar na Bíblia porque não teria nenhuma serventia e nenhum sentido. Aqui ainda temos outro problema: se a eleição está baseada apenas no pré-conhecimento de Deus, que elege aqueles que Ele sabe que por livre escolha aceitarão Jesus, então ficou estabelecido um critério para a eleição, ocorre que esse critério de escolha não está nas Sagradas Escrituras, consistindo então em rematada heresia.

Portanto, afirmar que a eleição é feita apenas porque Deus sabe quem aceitará a graça salvífica, ou quem a rejeitará, é impor condições que não estão na Palavra de Deus. Deus elege porque Ele conhece tudo antecipadamente, Ele elege não apenas por isso, mas porque Ele quer. A eleição é incondicional porque não depende do homem, que quando foi eleito estava perdido e não havia feito nada ou demonstrado que faria algo. A eleição é pertinente à soberania divina.

“E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4:35)

“Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mateus 19:26)

O homem, querendo desvendar as coisas ocultas de Deus, tateando na Palavra, comparando texto com texto, muitas vezes fora do contexto, não deve ir além do que lhe foi permitido ir. O que é certo afirmar é que não sabemos como Deus elege os escolhidos e ponto. Por isso mesmo a eleição é incondicional, haja vista que o Senhor não estabeleceu condições nas Escrituras Sagradas para eleger alguém.

"As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre" (Dt 29,28).

Mas dirão: Deus seria injusto se elegesse uns para salvação e permitisse a condenação dos demais. A isso respondemos que Deus não é injusto e tudo faz com justiça e sabedoria. Se Ele não revelou os mistérios da eleição é porque tem seus motivos. Não cabe a nós discordar, procurar encontrar motivos e razões para Deus escolher e eleger uns e não todos, procurar justificar Deus, defende-Lo. Basta saber que Deus é bom, que sua benignidade dura para sempre, que Ele quer que todos sejam salvos, que nós temos mandado do Senhor para evangelizar a todos.

A eleição não está condicionada a alguma ação ou obra humana. O Senhor não apenas sabe o futuro, mas atua na história do universo exercendo a sua soberana vontade e sustentando a existência de todas as coisas e seres, do contrário nem haveria mais universo.

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.” (Hb 1.1-4)

Deus não elege o homem porque sabe o que o homem vai fazer com a graça oferecida. Ninguém pode jamais afirmar isso com base nas Escrituras Sagradas porque elas não dizem nada a respeito. Deus elege o homem valendo-se de critérios que só Ele conhece e a Ele pertencem, os quais não nos revelou. Entrar nas coisas ocultas ao Senhor não passa de imaginação descompromissada com as Escrituras Sagradas.

“Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaias 55:9).

Podemos concluir assim: A eleição é incondicional, é do Senhor, pertence ao Senhor que não nos revelou como elege, nem quais os critérios.

Por outro lado, Deus respeita a vontade humana, respeita a decisão do homem.

Parece incompatível, e para a mente humana é incompatível. Mas quando lidamos com o infinito, com uma mente que está além do tempo, na eternidade, nada é impossível. Duas linhas paralelas sempre se encontrarão no infinito, na eternidade. Na eternidade, o Eterno é, ninguém mais.


Chamado: O chamado é o ato do Espírito de comunicar eficazmente o evangelho gracioso ao coração do homem, é o encontro marcado, o momento escolhido pelo Senhor para conceder ao homem uma verdadeira experiência com o Eterno que culmina com um chamado direto à alma. Só o Espírito pode fazer isso. Encontramos esse movimento espiritual na ordem de Romanos 8:39-30 e também revelado em 1 Coríntios 1:24 “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”

Regeneração: O sentido etimológico da palavra regeneração vem do vocábulo grego paliggenesia, que significa novo nascimento ou nascer de novo. Refere-se a uma nova criação. Regeneração é uma mudança sobrenatural  operada pelo Espírito Santo na natureza da pessoa que recebe Jesus Cristo como Salvador.

A fé salvífica é comunicada ao nascido de novo provavelmente no ato em que se opera nele a infusão de vida pelo Espírito. Jesus expressamente afirma ser impossível ao velho homem entrar no reino de Deus sem ser nascido de novo: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:3-5

Conversão: É o ato de crer e se arrepender, de receber Jesus como único e suficiente Salvador.
Não é necessário uma confissão de fé, muito embora seja desejável. Porém o ladrão da cruz não recitou qualquer fórmula, tão somente arrependeu-se, humilhou-se e no seu entendimento pôs toda a sua confiança em Jesus Cristo, o nazareno, crucificado. Recebendo o dom da fé o homem está apto para crer e se arrepender. É o Senhor que toma a iniciativa da salvação, Ele nos amou primeiro, nos capacitando para a conversão. Essa ação é primariamente divina e depois humana é chamada de conversão. Em Romanos 8:29-30 temos:

“Porquanto, aqueles que antecipadamente conheceu, também os predestinou para serem semelhantes à imagem do seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes igualmente justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.”

Assim, o chamado precede a conversão, mas não é mencionado em nenhum lugar das Sagradas Escrituras que a conversão precede ao ato de regeneração ou novo nascimento, que também não é pontual ou estático, mas se protrai no tempo, pois o que é nascido do Espírito deve ao final ter Cristo formado nele, deve abandonar o velho homem e se revestir do novo. Entendemos que a regeneração se inicia com a fé, não antes dela, nem antes da conversão.

Ocorrem juntas. Se a regeneração ocorresse antes, teríamos que concordar que ao pecador nem mesmo cabe aceitar Jesus, pois antes mesmo de ser salvo já ocorreu o novo nascimento. Mas sabemos que não é assim, que o pecador escolhe ser salvo, ainda que entendamos que nada fez para ser salvo e que foi movido pelo Espírito a ser salvo por meio da fé, tendo sido renovado para o arrependimento.

Crer e se arrepender fazem parte do chamado. Porém, nem mesmo o se arrepender é do homem. Ele precisa ser renovado para o arrependimento e para crer, ou seja, nem mesmo o arrependimento é um ato da livre vontade humana:

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.” (Hb 6:4-8 ACF)

Justificação: É o ato judicial de Deus de, após a conversão, declarar o pecador justo. A culpa do pecado foi paga na cruz e a justiça de Cristo é atribuída a nós. Encontramos essa justificação na ordem de Romanos 8:30 e percebemos que ela sucede a fé em Romanos 5:1 “Justificados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Adoção: É o ato pelo qual Deus nos declara seus filhos e nos tornamos parte da sua família. Podemos agora nos relacionar com um pai amoroso, desfrutar dos seus cuidados e disciplina, além de ganharmos um corpo de irmãos, a Igreja. Em Gálatas 4:5 Paulo diz que fomos resgatados da do domínio lei (justificados) para recebermos a adoção de filhos. Em João 1:12-13 vemos claramente a adoção como filhos, pois o Senhor nos dá o direito de sermos filhos de Deus, aos que creem no seu nome (Jesus Cristo).

Santificação: O processo pelo qual o homem, a partir do momento em que nasce de novo e se torna uma nova criatura, ajudado e guiado pelo Espírito Santo, passa a abandonar o pecado para uma vida na presença do Senhor.

O Espírito torna a santificação possível e age diariamente conduzindo o homem e sua vontade, que também tem papel importante nesse ponto. “Se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão com os irmãos e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado” (IJoão 1:7)). “E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso (2 Co 6:18)

… Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1).


Perseverança dos santos: O ato soberano de Deus pelo qual ele preserva seus filhos da apostasia e os mantêm seguros na fé. As palavras de Jesus em João 6:39-40 são suficientes: “Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia.”

Não podemos conceber que após a salvação o homem possa perder a salvação e recuperá-la muitas vezes, dependendo da sua vontade de voltar a Deus. Esse cai-cai não existe. O que existe é uma salvação perene e duradoura, em que mesmo se pecarmos temos um advogado no céu, em que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. Mesmo os que se desviam não caíram da graça. Se há uma possibilidade de voltar a ter plena comunhão com o Senhor é porque não houve a queda, o cair da graça, a morte espiritual.

Inobstante, muito embora seja difícil, perder a salvação não é impossível. Por uma simples motivação: As Escrituras advertem ser possível perder a salvação e, elas, as Escrituras, não podem falhar.

Conforme se verá, precedem o cair da graça o afastamento gradual de Cristo, o esfriamento do amor, o retorno gradual e progressivo ao pecado e, por fim, a apostasia. O pecado, ainda que voluntário, não significa cair da graça, pois o que se desvia não perdeu a bênção da salvação. O nascido de novo pode retornar à comunhão.

"Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tiago 5.19,20).

No texto acima vemos claramente que o irmão (“Meus irmãos” é o endereçamento do Apóstolo Tiago, como começa o parágrafo e a quem se destina o ensino), regenerado, que se desvia da verdade, não perdeu a bênção da salvação. Porém se persistir no erro, a sua obra pode se queimar e ele ainda será salvo, mesmo que pelo fogo. Isso não significa impossibilidade de perder a salvação, pois se persistir no erro a vida espiritual perecer, então a queda será definitiva.

 É possível, portanto, perder a salvação. O nome que os textos do NT dão a essa queda definitiva é “cair da graça”.

O cair da graça é definitivo, não há relato bíblico que o caído possa voltar. É o que temos em Hebreus 10:26-29:

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

Evidentemente, o apóstolo não está falando aqui do pecado moral, mas do retorno a práticas legalistas, como o guardar o sábado, circuncisão e inclusive o sacrifício no templo. Tais práticas anulariam o sacrifício de Jesus se levadas a efeito.

Porém, o pecado voluntário, sistemático, é um forte sinal de que não houve real conversão.

Por outro lado, se houve novo nascimento, regeneração, então o pecado voluntário reiterado é sinal de apostasia, que pode culminar com a rejeição final. Antes, porém, o Espírito vai insistir fortemente com o nascido de novo. A provação é iminente neste caso, como foi com Davi, que nem por ter pecado perdeu a salvação, mas sofreu severas consequências e perdeu o filho, passou por grande e intensa provação na sua própria casa em razão do seu pecado.

Acho que ninguém quer passar por isso, mas é o que espera o filho bastardo, que está sem disciplina (Hebreus 12:8). Isso, porém, não é o mesmo que cair da graça e perder a salvação. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo (1 Coríntios 3:15). Ser salvo pelo fogo é provação terrível, mas não é perder a salvação.

“Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos” (Hebreus 6:7-9).

Portanto, passar pelo fogo consumidor não é coisa agradável, é extremamente doloroso, mas muitos escolhem justamente isso.

Aqui lembramos da parábola do semeador. Nos dois primeiros casos, semente lançada à beira do caminho e entre pedregais, não houve real conversão, não houve novo nascimento. Porém no caso do espinheiro que sufoca a semente, houve conversão, mas a nova vida vem sendo sufocada pelos cuidados dessa vida. Espinheiro é pecado, idolatria, contenda, imoralidade, pensamentos contrários à santificação, amizade com o mundo que é inimizade com Deus, mentira, dissimulação e, por fim, apostasia. Ainda que não seja fácil perder a salvação, é possível. Se a Palavra manda temer ao Senhor, sendo o temor o princípio da sabedoria, então fica a advertência.

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?” (Tiago 4:4,5)

Adúltero, no texto acima, é traidor, o que trai Jeová. Está em pecado, voluntariamente e reiteradamente, perto está da perdição eterna.

Repetindo, é impossível aos que nasceram de novo, e recaíram, ser renovados para o arrependimento. 

Se nascer de novo e cair da graça, não resta mais sacrifício. Aqui o homem Fez uma escolha consciente e definitiva pelo pecado, pelo mundo e pelo príncipe desse mundo. Ele está perdido para sempre, tornou-se semelhante ao pai da mentira, ao seu pai.

Ainda que creiamos na perseverança dos santos, não anulamos as Escrituras e afirmamos que cair da graça é (sim) possível, é terrível, e não tem volta. Ao nascido de novo que novamente morrer em seus pecados, não resta mais sacrifício. Porém, essa queda há de ser consciente e voluntária, fazendo o caído apostatar da fé, rejeitar a Cristo e a graça salvífica, pisando ao sangue de Jesus e tornando-se semelhante ao próprio diabo.

Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

Não existe essa coisa de novo nascimento, cai, perdeu a salvação, depois recupera e nasce de novo, cai de novo, cai, levanta, levanta e cai. Nada disso, só se nasce de novo uma única vez, se perder a salvação, não tem volta! Por essa razão, desviar do alvo, pecar, não é sinônimo de cair da graça. 

Mudar de denominação não é sinônimo de cair da graça, muito menos!  

Porém, se pecarmos, temos um advogado no céu........ mas não é para viver no pecado, é para seguir a Jesus e amar a Jesus.

Porém se pecar e não se arrepender, continuando no pecado voluntariamente, temos um sério problema: Pode ser que não tenha nascido de novo. Ou pode ser que o espinheiro esteja sufocando a semente do Semeador Eterno, e nesse caso pode acabar perdendo a salvação, aniquilando o novo nascimento e caindo da graça. Se cair da graça após toda a insistência do Espírito Santo, tornou-se como a porca lavada que volta ao espojadouro de lama, como o cão que tornou ao próprio vômito. 

Assemelhou-se ao próprio diabo, ao anticristo, será que haverá retorno? As Escrituras afirmam que não.

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama”.

Portanto, a palavra para os eleitos é que deles o Espírito Santo espera coisa melhor.

Glorificação: O ato final de Deus na aplicação da salvação acontecerá na segunda vinda de Cristo quando os corpos de todos os crentes serão glorificados, ou seja, transformados a semelhança de Cristo em corpos incorruptíveis e perfeitos (Também descrito em Romanos 8:30). Em João 6:39-40 vemos que a perseverança resultará nessa ressurreição do último dia, em outras palavras, glorificação. 

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade.” 1 Coríntios 15:52-53.


ORDO SALUTIS – ORDEM DA SALVAÇÃO

Eleição (Deus) Chamado (Deus) Conversão/Regeneração (Deus-homem) Justificação (Deus) Santificação (Deus-homem)  Glorificação (Deus)


CONCLUSÃO

Assim, para nós a única garantia que temos de salvação é Cristo Jesus. Segui-Lo é a única garantia. Podemos falhar, o pecado às vezes pode nos atingir, mas a vontade de seguir a Cristo, intrínseca ao nascido de novo, é maior. O Espírito de Deus nos constrange. É Ele quem nos garante que estamos salvos pelo simples fato de lutar conosco para ficarmos presos a Cristo. Se você tem por característica desejar seguir a Cristo e abandonar o pecado, amar o irmão, então você está salvo. Se alguém tiver por característica permanecer no pecado, amar o pecado, odiar seu irmão, amar as coisas que Deus detesta e não amar as coisas que Deus aprova, provavelmente não foi salvo, ou, se foi, perto está de perder a bênção da salvação, pois a terra que produz espinheiros se presta ao fogo, perto está de ser condenada e amaldiçoada não fora a misericórdia divina.

Essa certeza de salvação em Cristo Jesus é que nos traz a paz e o desejo de buscarmos cada vez mais, mais e mais. Não perderemos a salvação por qualquer motivo, por um pecado, estamos seguros nas mãos do Senhor nosso Deus e Salvador. Todavia, é bom relembrar as terríveis e funestas consequências do pecado para Davi, foi tão terrível que ele desejou a própria morte.

“Mas de vós, amados, esperamos coisa melhor.”

O grande sinal de que estamos salvos é a transformação de vida iniciada no novo nascimento, o abandono do pecado e o alegrar-se com a presença do Senhor e querer mais do Seu Santo Espírito.

A nossa segurança está só em Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé. Ou seja, Ele nos salvou e completará em nós a boa obra.

No próximo post, estudaremos calvinismo e arminianismo.

SOLA SCRIPTURA

domingo, 31 de maio de 2015

EBD - FÉ RACIONAL e FÉ PROFÉTICA


ESCOLA BÍBLICA PARA JOVENS E OBREIROS – 30-mai-2015


- TEMA: ORIGENS DA FÉ 
- ASSUNTO: FÉ RACIONAL E FÉ PROFÉTICA
- TEXTO FUNDAMENTAL: LUCAS 23.33-43

EM LUCAS 23.39 UM DOS MALFEITORES USA O ARGUMENTO RACIONAL QUE JUSTIFICARIA SUA “FE” EM JESUS.

COMENTAR OS ASPECTOS PROFÉTICOS DESSE ARGUMENTO E DO ENTENDIMENTO PROFÉTICO DA FÉ MANIFESTADO PELO OUTRO MALFEITOR.

ARGUMENTO RACIONAL
“... SE TU ÉS O CRISTO, SALVA-TE A TI MESMO, E NÓS.” VS. 39

FÉ PROFÉTICA
“... ESTANDO NA MESMA CONDENAÇÃO? – VS. 40
 “... LEMBRA-TE DE MIM, QUANDO ENTRARES NO TEU REINO – VS. 42

(Os textos usados neste estudo foram extraídos da Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida).
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OBSERVAÇÕES:
1. Haverá um período de 10 minutos no início da reunião para uma pequena dinâmica em classe;
2. Os textos em itálico são transcrições literais dos estudos recebidos dos grupos de jovens e obreiros.
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OBJETIVO DO ESTUDO
Mostrar que:
- A fé tem duas origens: uma relacionada à obra criadora e outra à obra redentora;
- A fé relacionada à obra criadora origina-se na razão. Esse tipo de fé é produzida por uma teologia conduzida pela filosofia que racionaliza a fé e dispensa o Espírito Santo. Tudo nela está relacionado à obra criadora. A esse tipo de fé atribuem-se conquistas, ou “bênçãos” relacionadas ao plano terreno e secular; nesse tipo de fé, o ponto central é o homem.
- A fé relacionada à obra redentora é profética. Ela vem de Deus. Ela é a uma operação do Espírito Santo. Ela gera no homem a esperança de vida eterna e o conduz numa caminhada para a vida eterna; nesse tipo de fé, o ponto central é Deus.

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INTRODUÇÃO 

EM LUCAS 23:39 UM DOS MALFEITORES USA O ARGUMENTO RACIONAL QUE JUSTIFICARIA SUA “FE” EM JESUS.
“E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós.”. Lucas 23:39

O cenário da cruz mostra dois entendimentos de fé: uma fé em Jesus para a vida eterna e uma fé em Jesus para a vida terrena. A fé da cruz para baixo e a fé da cruz para cima. Portanto duas origens da fé: uma da obra criadora e outra da obra redentora.
O entendimento de fé da obra criadora ali era no sentido de que Jesus poderia salvar-se a si mesmo, salvar a ambos e tudo isso para esta vida presente. Esse tipo de fé admite que alguém seja cristão e até evangélico, mas ao mesmo tempo vivendo ligado ao mundo entendendo que Jesus vai continuar com ele. Salvo uma vez, salvo para sempre.
A fé da Obra redentora leva o homem a desejar eternidade, pois para ele as coisas dessa vida terrena perdem o valor em relação a promessa de vida eterna.
Os dois malfeitos ouviram duas mensagens relacionadas a Jesus: 
- “Pai, perdoa-lhes”. Essa mensagem vinha do alto da cruz, vinha de Jesus. Ela expressava o projeto de resgate pelo sangue que Jesus ali estava derramando;
- “Se tu és o Cristo”. Essa mensagem vinha de baixo, vinha do povo, dos religiosos e dos soldados romanos. Ela expressava a dúvida e condicionava a fé.
Os dois malfeitores se posicionaram diante disso. Um recebeu a revelação de Jesus. Nele operou uma profética, porém o outro ficou com a mensagem de “baixo”. Nele operou uma fé racional.
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COMENTAR OS ASPECTOS PROFÉTICOS DESSE ARGUMENTO E DO ENTENDIMENTO PROFÉTICO DA FÉ MANIFESTADO PELO OUTRO MALFEITOR.

ARGUMENTO RACIONAL
“... SE TU ÉS O CRISTO, SALVA-TE A TI MESMO, E NÓS.” VS. 39
“E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós.”. Lucas 23:39

COMENTÁRIO:
“...se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e nós.”
Esse malfeitor condiciona sua “fé” a uma operação que livrasse o próprio Jesus da cruz, bem como os dois malfeitores. Ele argumenta que Jesus só seria o Cristo se assim o fizesse e, portanto, isso justificaria uma “fé” em Jesus. 
Essa era a mesma condição defendida pelo povo e pelos líderes religiosos. Para eles não fazia qualquer sentido o derramar do sangue de Jesus naquela cruz. Por isso diziam: “salva-te a ti mesmo”.
Portanto, a “fé” manifestada pelos religiosos e pelo povo dispensava o sangue e tinha que ser provada com um sinal miraculoso que salvasse para essa vida. Era uma fé racionalizada. Uma fé originada em princípios religiosos. Era uma questão quase que de lógica. Se Ele é o Cristo, não poderia morrer. Se Ele é o Cristo, tem que salvar para essa vida. Se Ele é o Cristo, tinha que restaurar o reino a Israel. Isso era um entendimento religioso e até teológico fundamentado na razão. Era isso que a razão religiosa espera do Messias.
“Se tu és o Cristo” é uma demonstração do desconhecimento e da vida que se opõem à fé profética. O projeto racional aponta para aquilo que é terreno, deseja e se contenta com o que é deste mundo e se acomoda a uma vida pecaminosa.

ASPECTO PROFÉTICO:
A fé cuja origem é a razão atua no ambiente da obra criadora onde tudo converge para essa vida. Essa fé criadora não leva para o céu. Não coloca o homem dentro do projeto de salvação. 
A salvação pregada em função dessa “fé” é a salvação das mazelas terrenas e sociais. É a mensagem materialista que despreza o poder do sangue de Jesus que é a operação do Espírito Santo. Ele era um malfeitor sem Cristo e agora será um malfeitor com Cristo sob o argumento de que está na “graça”. Trata-se de uma fé que aceita os sinais, mas não está comprometida com o Sangue. Essa fé criadora, ou racional morre com o homem.
Essa fé concebe um tipo de evangelho social, cuja função é a solução dos problemas relacionados à vida terrena. É estabelecer a igualdade entre os povos, estabelecer a paz, acabar com a fome e trazer a liberdade. Esse tipo de mensagem materialista amparada por essa fé prepara o ambiente para o anticristo: Paz, pão e liberdade.
Jesus não deu resposta a esse malfeitor, porque o Senhor não tem resposta para dar quando se leva a ele uma fé somente para esta vida.
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FÉ PROFÉTICA
“... ESTANDO NA MESMA CONDENAÇÃO? – VS. 40
“Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?.”. Lucas 23:40

COMENTÁRIO:
“...estando na mesma condenação?”
A fé que vai se manifestar na vida do segundo malfeitor o leva ao temor de Deus e ao entendimento de que sua condenação era justa. Ele compreende seu estado de pecador. Essa é a fé profética. Ela não o deixou enganado, mas operou para lhe mostrar seu estado e sua responsabilidade por ele, demonstrada quando disse: “recebemos o que os nossos feitos mereciam”. Vs 41. Ela leva o pecador a desejar salvação, porque gera nele o anseio pela vida eterna.

ASPECTO PROFÉTICO:
A fé profética leva o pecador a reconhecer seu estado. Ela opera transformação. É uma fé geradora que opera para a vida eterna. Essa fé não deixa o homem enganado em relação ao pecado e ao projeto de salvação, porque ela é absoluta. Ela não admite relativismo e nem precisa ser confirmada pela razão, pois ela é gerada por uma operação do Espírito Santo.
Apesar de Jesus estar ali na cruz, como homem, estando sob a mesma condenação, o malfeitor que creu nEle alcançou o profético. A fé profética entrou no seu coração de tal maneira que o levou a expressar “este nenhum mal fez”, numa referência ao projeto de resgate do homem através do sangue inocente. Isso identificou Jesus como o Cordeiro de Deus, sem pecado, único capaz de tirar o pecado do mundo e abrir ao homem a porta da salvação.

“... LEMBRA-SE DE MIM, QUANDO ENTRARES NO TEU REINO – VS. 42
“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino..”. Lucas 23:42

COMENTÁRIO:
“... lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”
Aquele homem reconheceu Jesus como Senhor. Ele estava seguro disso. Também o reconheceu como salvador quando disse: “Lembra-te de mim”. E ainda o reconheceu como Rei ao dizer: “Quando entrares no teu reino”. Portanto, a fé que operou nele o levou a enxergar o profético. Ele enxergou Jesus como Vítima (cordeiro), Senhor, Salvador e Rei. Ela não estava relacionada àquilo que os religiosos e o povo diziam pela razão. Mas essa fé que o alcançou vinha do alto. A fé geradora vem de Deus e gera no homem a esperança do reino. 
O Senhor Jesus lhe respondeu que ele estaria no reino. Portanto, a fé profética gerou novo nascimento, pois Jesus disse que só pode entrar no reino aquele que nascer de novo.

ASPECTO PROFÉTICO:
A igreja fiel foi alcançada por uma fé profética que opera dentro da Obra redentora. Ela leva o homem à revelação de Jesus como Senhor e Salvador que o resgata para a vida eterna. Não é uma fé racional que emerge do homem. É uma fé gerada pela operação do Espírito Santo que o leva a olhar para o Reino celestial e não o terreno. Essa fé não morre com o homem. Ela é viva, porque seu autor está é vivo, por isso mesmo nos conduz para a vida eterna.
Apesar da morte física, este malfeitor viu a glória de Deus, pois através da fé profética ele creu no reino eterno. Mesmo sem ter visto o reino celeste, ele creu nele, vendo-o pela fé profética. Assim também nós cremos e pregamos a vinda do reino do Deus quando Jesus vier para arrebatar a sua igreja. Por isso dizemos: “Maranata! Ora vem Senhor Jesus!”. 


ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – 31-mai-2015

- TEMA: ORIGENS DA FÉ 
- ASSUNTO: FÉ RACIONAL E FÉ PROFÉTICA
- TEXTO FUNDAMENTAL: JOÃO 3:2-8

EM JOÃO 3:2 NICODEMOS USA ARGUMENTOS QUE EXPLICAM SEU ENTENDIMENTO DE FÉ EM JESUS.

COMENTAR OS ASPECTOS PROFÉTICOS DESSES ARGUMENTOS E A REVELAÇÃO DE JESUS SOBRE A FÉ PROFÉTICA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:

FÉ RACIONAL
“... SABEMOS QUE ÉS MESTRE, VINDO DE DEUS...” VS. 2
“... NINGUÉM PODE FAZER ESTES SINAIS QUE TU FAZES...” VS. 2

FÉ PROFÉTICA
“... AQUELE QUE NÃO NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO, NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS.” – VS. 5
 “O VENTO ASSOPRA ONDE QUER, [...] ASSIM É TODO AQUELE QUE É NASCIDO DO ESPÍRITO”. – VS. 8

(Os textos usados neste estudo foram extraídos da Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida).
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OBSERVAÇÕES:
1. Haverá um período de 20 minutos no início da reunião para uma pequena dinâmica em classe;
2. Os textos em itálico são transcrições literais dos estudos recebidos dos grupos de jovens e obreiros.
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OBJETIVO DO ESTUDO
Mostrar que:
- A fé tem duas origens: uma relacionada à obra criadora e outra à obra redentora;
- A fé relacionada à obra criadora origina-se na razão. Esse tipo de fé é produzida por uma teologia conduzida pela filosofia que racionaliza a fé e dispensa o Espírito Santo. Tudo nela está relacionado à obra criadora. A esse tipo de fé atribuem-se conquistas, ou “bênçãos” relacionadas ao plano terreno e secular; nesse tipo de fé, o ponto central é o homem e a fé que nasce com o homem, morre com ele.
- A fé relacionada à obra redentora é profética. Ela vem de Deus. Ela é a uma operação do Espírito Santo. Ela tem aspecto absoluto e não relativo. É espiritual e não material, é eterna e não temporal, pois se baseia na Obra Redentora. Nessa fé o ponto central é Deus e a fé que vem Deus é que irá de volta para Ele.

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INTRODUÇÃO 
EM JOÃO 3:2 NICODEMOS USA ARGUMENTOS QUE EXPLICAM SEU ENTENDIMENTO DE FÉ EM JESUS.
“Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”. João 3:2
Os argumentos usados por Nicodemos para definir um conceito a respeito de Jesus o levaram a uma certeza que o desviou naquele momento do projeto verdadeiro de salvação. Esses argumentos racionais, inclusive compartilhados com outras pessoas, não o levaram ao profético. Portanto, ele cria que Jesus era mestre, tinha “fé” na operação de sinais, mas estava fora do Reino, haja vista que Jesus lhe disse que precisava nascer de novo para entrar no Reino.
Assim, Jesus vai revelar a ele uma fé profética operada pelo Espírito Santo que produz o novo nascimento e conduz o homem num processo de santificação para a eternidade.
A origem da fé no argumento de Nicodemos emerge do homem, mas a origem da fé nas palavras do Senhor Jesus vem de Deus.
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COMENTAR OS ASPECTOS PROFÉTICOS DESSES ARGUMENTOS E A REVELAÇÃO DE JESUS SOBRE A FÉ PROFÉTICA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:

FÉ RACIONAL
“... SABEMOS QUE ÉS MESTRE, VINDO DE DEUS...” VS. 2
“... NINGUÉM PODE FAZER ESTES SINAIS QUE TU FAZES...” VS. 2

“Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”. João 3:2

COMENTÁRIO:
“...sabemos que és Mestre vindo de Deus...”
Nicodemos expressou uma convicção a respeito de Jesus provavelmente de acordo com o pensamento do grupo, ou segmento do qual ele fazia parte, haja vista que ele usa o plural “sabemos”. Portanto, a “certeza” de que Jesus era mestre vindo de Deus era um conceito definido a partir do entendimento do mestre Nicodemos e dos demais que concordavam com ele. Aquela certeza, ou aquela fé não veio de Deus, mas da razão.
Portanto, a origem dessa certeza, ou dessa fé está dentro do âmbito da obra criadora, no campo da razão, onde tudo converge para essa vida. Essa fé criadora não leva para o céu. Não coloca o homem dentro do projeto de salvação.
A palavra “sabemos” dá uma conotação de conceito global, argumentos, e não uma experiência pessoal com o Senhor.
Reconhecer Jesus como mestre evidencia um fundamento meramente racional, ou religioso, visto que Jesus não veio de Deus apenas para ser reconhecido como mestre, mas, sobretudo como Senhor e Salvador. Portanto, a razão religiosa de Nicodemos e do grupo que comungava com ele o levou a expressar uma certeza, ou uma fé que não o conduziu ao conhecimento de um projeto de salvação. Sua convicção emergiu de um conceito racional, religioso e até teológico. Por isso, Jesus vai lhe falar sobre o novo nascimento, porque a razão não leva para o céu.
Trazer o argumento filosófico para dentro da teologia para explicar Deus, é um esforço inútil para os teólogos, pois isso não convencerá ninguém do pecado. Quem convence o homem do pecado é o Espirito Santo.

“...ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes...”
O mestre Nicodemos justificou sua certeza e convicção a partir da premissa estabelecida por ele, ou seu grupo para que alguém fosse considerado mestre vindo de Deus: “Ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”. Portanto, como Jesus atendia aquela premissa fazendo sinais, ele concluiu que Jesus era mestre. Era uma conclusão lógica, que, aliás, é um dos campos da filosofia que se utiliza de raciocínios e argumentos para validar um pensamento na busca da verdade. Portanto, eles certamente estudaram a vida de Jesus, ou pelo menos os sinais que ele fazia, mas isso não os levou ao alcance de um projeto que é eterno.
A lógica, ou razão religiosa de Nicodemos reduzia todo o projeto de Deus em Jesus a sinais. A fé que se origina da razão está sempre ligada a sinais visíveis, a milagres e a benefícios palpáveis.
A fé profética não vive somente de sinais e curas, mas de experiência com uma salvação em Jesus que transforma a vida do homem. Uma fé baseada somente em curas e sinais será sempre uma fé duvidosa e racional, ou seja, se não existirem mais os sinais, a fé acaba.

ASPECTO PROFÉTICO:
A fé que opera na vida da igreja fiel tem origem na Obra redentora. Ela está dentro de um projeto eterno de salvação. Ela vem de Deus, por isso é profética. Essa fé não é gerada a partir de consenso, ou linhas teológicas. Essa fé é geradora, pois vem de cima e alcança o homem dando-lhe esperança de vida eterna.
A fé profética nos leva a reconhecer Jesus como Senhor e Salvador. Ela é gerada por uma operação do Espírito Santo em nossas vidas. Ela é absoluta e, portanto inquestionável.
A fé geradora que nos alcançou leva-nos a compreender um projeto que vai além dos sinais, e nos conduz para a eternidade.
Não é uma fé genérica atribuída a qualquer coisa e que deriva para superstição, crendice, simpatia, ou misticismo, onde se admite tudo e atribui-se tudo a um Deus racional, cuja relação com o homem dispensa o Espírito Santo.
A fé racional, que emerge do homem não consegue transcender, ou seja, não consegue tirar o homem do nível das coisas terrenas e colocá-lo no nível das coisas eternas. Na obra criadora, tudo é racional e relativo, mas na obra redentora tudo é absoluto, tudo é essência.


FÉ PROFÉTICA
“... AQUELE QUE NÃO NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO, NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS.” – VS. 5

“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deu.”. João 3:5

COMENTÁRIO:
“... aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”
Jesus mostrou a Nicodemos que o projeto de Deus para o homem é resgatá-lo para Seu Reino. Todavia, a entrada no Reino, isto é, a salvação, passa pela experiência do novo nascimento. Esse novo nascimento é resultado de uma experiência com a água (a palavra que é Jesus) e com o Espírito Santo, pois é ele quem revela o projeto de salvação na Palavra. 
Portanto, é o Espírito Santo que opera a fé no coração do homem para que ele creia no projeto de salvação em Jesus revelado na Palavra. Nicodemos não havia alcançado isso com seu conhecimento religioso, racional e filosófico (“És mestre de Israel, e não sabes isso?”).

ASPECTO PROFÉTICO:
A igreja fiel entendeu que a verdadeira fé é a profética, resultado de uma operação do Espírito Santo em sua vida. A fé operada pelo Espírito Santo que a levou à experiência do novo nascimento e à esperança gloriosa de entrar na eternidade.
Nicodemos não entendeu isso mesmo sendo mestre em Israel. Seus argumentos e estudos sobre Jesus o levaram à conclusão de que Jesus era mestre vindo de Deus, mas o mistério da Palavra e do novo nascimento só se alcança por revelação.
A fé profética está ligada à purificação pela palavra e ao entendimento da Obra do Espírito Santo, que é o agente de união entre Deus e o homem, pois é Ele quem nos revela Jesus como o Filho de Deus.
Por isso, quando Jesus fala, ele apresenta uma fé que vem de Deus. Ele faz isso em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. “Na verdade (O PAI), na verdade (O FILHO), Eu te digo (O ESPIRITO SANTO)”.

“O VENTO ASSOPRA ONDE QUER, [...] ASSIM É TODO AQUELE QUE É NASCIDO DO ESPÍRITO”. – VS. 8
“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. João 3:8

COMENTÁRIO:
“O vento assopra onde quer...”
Jesus comparou a experiência do novo nascimento ao vento que sopra onde quer. Ele estava mostrando que aquele que nasce de novo por uma operação do Espírito Santo é dirigido por ele. Não são os conceitos teológicos, ou filosóficos que conduzem o homem, porque eles não entram no Reino de Deus. Nicodemos não entraria no Reino se continuasse na lógica de seus conceitos.
A ação do Espirito Santo é no sentido de conduzir o homem na direção que o Senhor quer, pois a fé salvadora vem de Deus e não do homem. O homem natural não sabe de onde vem, nem para onde vai essa ação, porque ele quer dirigir tudo pela sua própria conta. Ele dogmatiza a fé, ele sistematiza a fé. Ele racionaliza a fé. A mensagem que prega é baseada apenas em comparações racionais. A fé profética não é baseada naquilo que o homem quer, mas naquilo que o Espirito determina. A fé racional não precisa da ação do vento, ou seja, do Espirito Santo.

ASPECTO PROFÉTICO:
O Espírito Santo opera no coração do homem uma fé profética que o leva ao novo nascimento para entrar na eternidade. Essa mesma fé vai continuar operando em sua vida numa nova caminhada, isto é, no processo da salvação, a fim de que o mesmo Espírito que operou no encontro, isto é, no novo nascimento, possa continuar operando para santificação, sem a qual ninguém verá a Deus. Ele não caminhará amparado por dogmas, usos e costumes, princípios teológicos, ou filosóficos, mas sim pela revelação do Espírito Santo, que opera sobre a fé que vem de cima.
Aquele que é nascido do Espirito, seu prazer é fazer a vontade do Senhor e não questiona de onde está vindo a revelação, nem para onde ela vai, mas o seu prazer é deixar-se dirigir pela voz do Senhor.  O Culto ao Senhor não é como nós queremos, mas como Ele revela. Nossa forma de vida não é como nós conduzimos, mas como Ele nos conduz.
A fé racional é sempre baseada na prova daquilo que se vê, pois é material e temporal, mas a fé profética é a sempre baseada na prova daquilo que não se vê, pois é espiritual e eterna.

COMENTÁRIO:
“...assim é todo aquele que é nascido do Espírito”
Enquanto aquele que é nascido da carne se apraz em fazer a vontade da carne, aquele que é nascido do Espirito, ao contrário, se apraz em fazer a vontade do Senhor.
Aquele que é nascido do Espirito é exatamente assim, ou seja, sempre disposto a deixar-se dirigir pelo Espirito Santo. 

ASPECTO PROFÉTICO:
Aquele que é gerado pela operação do Espirito Santo em sua vida não questiona de onde vem a revelação nem para onde vai, mas simplesmente obedece, porque seu prazer é atender a voz do Espirito Santo. 
Aquele que é nascido do Espirito é assim:
- Consulta tudo ao Senhor através da Sua Palavra
- Busca a direção do Senhor através dos dons espirituais
- Usa os meios de graça para ter uma vida espiritual vitoriosa,
- Deixa sempre soprar sobre ele o vento da direção do Espirito Santo em sua vida.


COMENTÁRIOS - CVPFB


Fé Racional x Fé Profética nada mais é do que um "remake" de razão x revelação.

Aliás, talvez o termo correto seja um desdobramento da doutrina razão x revelação, uma doutrina capital da ICM. Sabia que depois das últimas publicações deste blog viria um estudo forte para defender essa doutrina herética, heresia que já foi combatida e, diga-se, rejeitada por Agostinho e pelos pais reformadores, cujo principal é LUTERO.

Para demonstrar o grande equívoco do PES quanto ao absurdo da aula, vamos a alguns pontos.


  • - A fé tem duas origens: uma relacionada à obra criadora e outra à obra redentora;
  • - A fé relacionada à obra criadora origina-se na razão. Esse tipo de fé é produzida por uma teologia conduzida pela filosofia que racionaliza a fé e dispensa o Espírito Santo. Tudo nela está relacionado à obra criadora. A esse tipo de fé atribuem-se conquistas, ou “bênçãos” relacionadas ao plano terreno e secular; nesse tipo de fé, o ponto central é o homem.
  • - A fé relacionada à obra redentora é profética. Ela vem de Deus. Ela é a uma operação do Espírito Santo. Ela gera no homem a esperança de vida eterna e o conduz numa caminhada para a vida eterna; nesse tipo de fé, o ponto central é Deus.

Acho que podemos defender e concordar com obra criadora x obra redentora. A obra criadora diz respeito à criação, a Adão. Nela havia o paraíso e uma natureza perfeita, que foi amaldiçoada e degenerada pela queda do homem. Em Cristo, o segundo Adão, a natureza voltará em um momento futuro a ser perfeita. O homem foi regenerado (e por conseguinte a natureza será) em Cristo Jesus. Então, é defensável, porque a morte foi tragada pela vitória da cruz. Mas essa doutrina não é nova, ela tem raiz na Bíblia, mas também na filosofia, tão condenada pelo autor, ideia x matéria. Platão talvez tenha sido o maior filósofo idealista de todos os tempos. Ah! O mito das cavernas! o mundo das ideias e o mundo dos fenômenos! Ao longo dos séculos perdura a dicotomia materialismo x idealismo, que muitas vezes admite filosofias em zonas de intersecção, como a filosofia de Kant. Às vezes. o idealismo ressurge, vem em nova roupagem, como as ideias inatas de Descartes.

Porém, a razão é própria do homem, nasceu com o homem e.....ponto! O homem é um ser racional, tem mente e intelecto, Deus o criou assim no paraíso e não mudou de ideia, mesmo porque Deus não muda.

Vamos aos equívocos. O mais sério deles é que a razão não se opõe à revelação. Ela jamais será abolida, estará conosco para todo o sempre, mesmo depois do novo nascimento ela continua e continuará conosco. Nunca nos desvencilharemos dela, pois não deixamos jamais de pensar e raciocinar. A questão é que esse intelecto, esse ser pensante, após o novo nascimento, teve a razão iluminada pelo ESPÍRITO DE DEUS. Somente isso e nada mais. Nascer de novo não significa abandonar a razão, parar de pensar. Nascer de novo é ser gerado de novo, uma nova vida, regenerada, mas não uma vida irracional.

Essa ideologia de razão em oposição a revelação é simplesmente alienante, um mal em si, uma perversão do raciocínio, que se volta contra si mesmo e deixa de se aceitar.

Mas se deixa de se aceitar, não para jamais de pensar. Vejamos o exemplo:

A fé relacionada à obra criadora origina-se na razão. Esse tipo de fé é produzida por uma teologia conduzida pela filosofia que racionaliza a fé e dispensa o Espírito Santo. Tudo nela está relacionado à obra criadora. A esse tipo de fé atribuem-se conquistas, ou “bênçãos” relacionadas ao plano terreno e secular; nesse tipo de fé, o ponto central é o homem.

Vemos aqui uma tremenda atuação do raciocínio lógico. A fé comum, ou racional, origina-se na razão. Isso é raciocínio puro, isso é raciocínio baseado em premissas imateriais, o que demanda grande poder de inferência lógica, dedutiva e indutiva, aliado à imaginação, recursos próprios de uma pessoa acostumada ao meio acadêmico, com pensamento muito desenvolvido.

Depois, o autor presbiteral, ensina que a fé racional passa a ser produzida por uma teologia conduzida por uma filosofia que racionaliza a fé e dispensa o Espírito Santo. Ora, essa premissa é um tremendo raciocínio lógico, uma utilização cuidadosa de conceitos modernos, que precisam ser estudados para poderem ser utilizados de forma concatenada como vemos no estudo. Esses conceitos são o conceito de filosofia e o de teologia, o autor os conhece bem e os utiliza de forma lógica e racional. O autor consegue afirmar que a fé racional é produzida por uma teologia que foi conduzida por uma filosofia. Aqui temos uma boa definição da teologia moderna, uma teologia conduzida pela praga humanista, que de fato racionaliza Deus e não aceita o sobrenatural.

Mas ao tecer esses argumentos extremamente racionais o autor do estudo se trai. Ele se trai porque o vemos utilizando a razão de forma poderosa. Mas o mesmo autor prega que a razão é oposta à revelação. Ora, mas o autor está usando raciocínio lógico para defender a revelação e a fé? A resposta somente pode ser afirmativa. O autor está nu, sem máscara, usa a razão e ao mesmo tempo condena a razão, uma tremenda contradição que deixa todos doidos, sem aprender e sem saber nada. É uma deseducação, um incentivo à ignorância.

Mas o perigo dessas afirmativas contra a razão é gerar um nó cego na cabeça das ovelhas, e isso é muito ruim, muito mau mesmo.

Portanto, não concordamos com a fé racional (razão) em oposição à fé profética (dada por Deus = revelação). Se a razão continua conosco, não pode ser verdade a dicotomia fé racional x fé profética. A fé será sempre racional, se for cega, teremos fanatismo e cegueira espiritual apenas. Se for racional, teremos vida espiritual. Lembrem-se que acreditamos que a razão na carne se opõe à razão iluminada pelo Espírito de Deus, mas nunca abolimos a razão.

A fé comum, ou sem Deus, é apenas confiança em alguém ou alguma coisa. Porém, se o autor da fé for o Senhor Jesus, então essa fé vem de Deus, e até podemos chamá-la de profética no sentido em que vem de Deus. Lembremos que profético para o autor presbiteral não é só o que aponta para a profecia, mas é também o espiritual.

Concluindo, a fé racional do estudo seria, na verdade, a fé comum, uma pálida e fraca confiança em Deus, ou em qualquer outro deus, homem ou coisa. A segunda, a fé profética do estudo das EBD e EBJO, é a fé salvífica, aquela que é DADA POR DEUS AOS QUE CREEM, único meio de graça para salvação, cujo autor é o Eterno Salvador. Isso a teologia reformada (Teologia dos reformadores, ortodoxa clássica) já ensinou sobejamente, não há mais nada a dizer sobre o tema.

Embora o conceito dos dois tipos de fé seja em essência o mesmo, pois fé é sinônimo de confiança, na verdade muda o autor da fé.

A nossa discordância está em que a fé será sempre racional, seja a fé comum, seja a fé para salvação. Não existe oposição entre o racional e o profético, a oposição está entre a carne e o Espírito, apenas. Assim, haverá oposição entre a razão na carne e o intelecto iluminado pelo Espírito, mas não entre razão e revelação, entre o racional e o profético, entre o racional e o espiritual, mesmo porque isso vai de encontro às Escrituras Sagradas, o que é PROIBIDO.

Nesse conceito que adotamos, cabe o conceito do culto racional, que o apóstolo Paulo ensina. Cabe o louvar a Deus com o coração, mas também com o entendimento, cabe adorá-lo de todo o coração, mas também com todas as forças e com entendimento, cabe crescer na graça, mas também no conhecimento de Deus. E se só podemos conhece-Lo pelo Espírito, não é menos verdadeiro que seres irracionais também não poderão conhece-Lo. Segue que precisamos do intelecto para conhecer a Deus. Deus não nos criou seres irracionais, mas sim racionais. Abolir a razão como meio para alcançar a revelação é loucura, não fosse também falta de ética e outras coisas mais.

VOLTEMOS À PALAVRA, VOLTEMOS À SIMPLICIDADE DO EVANGELHO, PELO AMOR DE DEUS!!!

Esses estudos do PES me aborrecem e me cansam. Desisto deles, haja paciência! Não ensinam nada, não produzem nada! Em que as ovelhas melhoraram com essa aula?  Bem, desisto deles, quem quiser que faça bom proveito, embora eu julgue isso muito improvável porque não ensinam absolutamente nada.

Portanto, não trarei mais nenhuma EBD  ou EBJO. Só tenho dó desse rebanho, nada mais. Poderia estar tendo aulas verdadeiramente proveitosas, como SOTERIOLOGIA, ESCATOLOGIA, DEUS, ECLESIOLOGIA, PARACLETOLOGIA, REFORMA PROTESTANTES, AS CINCO SOLAS, LUTERO E O REFORMADORES, ETC.

Pobre rebanho! Nem conhece a própria história! Não a simples história da ICM, cujos fundadores foram acossados pelos tradicionais porque queriam mais do Espírito de Deus, queriam o batismo com o Espírito Santo. Isso já havia acontecido com DANIEL BERG no início do século, sequer era novidade.

Falo da história da igreja, pois essa igreja que nasceu no calvário somos nós, quando não havia o denominacionismo que vemos atualmente. O crente tem de saber da igreja primeva, que nem sempre foi assim, essa profusão horripilante de denominações, cada uma querendo oferecer um diferencial em relação às outras. O crente que não conhece a história enxerga o evangelho com a lupa das denominações e fica perdido, erra, não entende....

Ele, o crente, precisa conhecer da igreja primitiva, das trevas da idade de ouro do catolicismo, da reforma, etc. Em suma, precisa saber de onde veio, como nasceu, para onde vai. Se não conhecer, não saberá, está condenado a repetir erros e heresias tão antigas quanto corrosivas à fé cristã.

A Paz do Senhor

sábado, 23 de maio de 2015

EBD - BATALHAR PELA FÉ


INTRODUÇÃO

Com essa postagem, retomamos os estudos relativos às EBDs da ICM, com o claro intuito de ajudar aos irmãos no discernimento dos estudos, seus objetivos, e os pontos de teologia sistemática abordados, ainda que tangencialmente.





ESCOLA BÍBLICA PARA JOVENS E OBREIROS – 23-mai-2015


- TEMA: A FÉ
- ASSUNTO: BATALHAR PELA FÉ
- TEXTO FUNDAMENTAL: JUDAS 1:1-5

A CARTA DE JUDAS NO VERSO 3 EXORTA A BATALHAR PELA FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA À IGREJA.
COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... PORQUE SE INTRODUZIRAM ALGUNS, [...] HOMENS ÍMPIOS...” VS. 4
“... CONVERTEM EM DISSOLUÇÃO A GRAÇA DE DEUS, E NEGAM A DEUS...” VS. 4
“... HAVENDO O SENHOR SALVO UM POVO [...] DESTRUIU, DEPOIS, OS QUE NÃO CRERAM”. VS. 5.

(Os textos usados neste estudo foram extraídos da Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida).
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OBSERVAÇÕES:
  1. Haverá um período de 10 minutos no início da reunião para uma pequena dinâmica em classe;
  2. Os textos em itálico são transcrições literais dos estudos recebidos dos grupos de jovens e obreiros.
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OBJETIVO DO ESTUDO
Mostrar que
- Batalhar pela fé não é simplesmente crer, mas é lutar para andar da direção do Espírito Santo. Isso está ligado ao exercício da fé que uma vez foi dada aos santos (à igreja).
- Esta batalha é de ordem interior, ou seja, dentro do “Corpo”, para impedir a introdução daqueles que querem converter em dissolução a graça de Deus.
- “A fé foi dada aos santos” (à igreja): se foi dada é porque ela não tinha antes. Se foi dada é porque alguém deu e quem deu foi o Pai, porque quando nos deu Jesus, nós recebemos o DOM DE DEUS. Uma fé vinda de Deus “não vem de vós, é dom de Deus”.
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INTRODUÇÃO
A CARTA DE JUDAS NO VERSO 3 EXORTA A BATALHAR PELA FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA À IGREJA.

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”. Judas 1:3

Hoje percebemos no cristianismo uma crise de fé. Não se trata da “fé” que está lá fora no mundo, mas uma “fé” que foi acolhida por um cristianismo moderno. Uma “fé” que emerge do homem, isto é, gerada por ele, e que por isso mesmo admite todo tipo de desvio do projeto genuíno de salvação.
O estudo visa despertar os servos a batalhar pela fé que uma vez foi dada, e foi dada pela graça, na pessoa daquele que é o “dom de Deus”. Uma fé que não foi gerada pelo homem, mas que vem de Deus e nos alcançou para gerar em nós a esperança de vida eterna,
É uma batalha muito sutil e meticulosa, porque a palavra “introduzir”, no verso 4, dá uma ideia de uma introdução furtiva, imperceptível, sorrateira, disfarçada.
A pergunta é: Como está a fé nos meios cristãos? E a resposta da igreja fiel a esta pergunta é vem através de uma batalha pela conservação dessa fé. Uma batalha interna.
A carta de Judas foi escrita para uma igreja que vive uma “comum salvação”, ou seja, uma salvação compartilhada no ambiente interno que é o “Corpo”. Sobre essa experiência de salvação no Corpo ele exorta a igreja a batalhar para que ela não seja diluída por homens ímpios que tentem se introduzir no meio dela para causar dissolução.
A carta é dirigida a uma igreja “conservada por Jesus Cristo”, ou seja, a revelação de Jesus a conserva e a preserva de toda contaminação que tenta se introduzir no meio dela.
Essa batalha é para a preservação de uma fé interior, que uma vez foi dada aos santos quando o Espirito Santo foi derramado sobre a igreja e passou a habitar no meio dela.

COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... PORQUE SE INTRODUZIRAM ALGUNS, [...] HOMENS ÍMPIOS...” VS. 4

 “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” VS 4

COMENTÁRIO:
“... porque se introduziram alguns, [...] homens ímpios...”
A palavra introduzir dá o sentido de algo interno, algo que ocorreria no interior da igreja de forma sutil. Ele exorta quanto ao mal que “alguns” causariam ao evangelho.
Judas estava advertindo a igreja a fim de que ela permanecesse “conservada”, visto que essa luta interna é profética. Por isso ele usa a expressão “que já antes estavam escritos para este mesmo juízo”, mostrando que essa ação de “homens ímpios” já estava profetizada, sobretudo, para a igreja da última hora.
A grande luta para essa igreja, portanto, não seria nas arenas, mas sim no “Corpo”, contra a ação de “homens ímpios” que se introduziriam no evangelho, porém sem conversão e submissão ao Espírito, conforme Judas descreve suas características no conteúdo da carta.
A batalha da fé não é uma luta para ser exteriorizada na forma de manifestação pública para defender a fé, mas uma luta de ordem interior. Os apóstolos em suas cartas travaram uma grande luta interior no meio da igreja para estabelecer e defender a unidade doutrinária. Essa luta era contra os que queriam causar dissolução dentro da igreja.

ASPECTO PROFÉTICO:
A igreja vive hoje a plenitude do conteúdo da carta de Judas. Com pesar contemplamos um evangelho descaracterizado pela ação de “alguns que se introduziram”, dando forma ao aspecto profético do perfil de “mestres” descritos na carta. Na verdade são “homens ímpios”, pois seus comportamentos atestam que não foram transformados pelo poder do evangelho, mas sim querem transformar o evangelho de acordo com seus interesses.
A igreja fiel deve estar atenta a esse perfil que se introduz no meio dela.
- Ele não faz parte do Corpo.
- Ele não foi gerado pelo Corpo.
- Ele não traz a genética do Corpo.
- Ele foi introduzido.
- Veio de fora e, portanto, faz mal ao Corpo, porque não pertence ao corpo.
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COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... CONVERTEM EM DISSOLUÇÃO A GRAÇA DE DEUS, E NEGAM A DEUS...” VS. 4

 “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” VS 4

COMENTÁRIO:
“... convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus...”
A graça de Deus é o Seu favor para com o homem, é o Seu projeto de salvação revelado em Sua Palavra. Por isso, Paulo diz: “Pela graça sois salvos.” Efésios 2.8.
Converter em dissolução é transformar em partes. Dissolução é separar as partes. Portanto, o sentido aqui não é “acabar com a graça”, mas sim separar em partes, a fim de absorver, ou ensinar somente aquilo que convém. Essa é a intenção daqueles que se introduziriam.
Judas mostra que a síntese dessa dissolução é negar a Deus, negar a Jesus Cristo. Isso significa negar o projeto cujo fundamento é o Senhor Jesus e seu sangue.
O autor da carta queria inicialmente falar sobre salvação, mas sentiu a necessidade de falar sobre a batalha pela fé, visto que é a fé que nos conduz à graça. A fé profética não compactua com a dissolução da graça. Portanto, ele coloca a fé como o elemento que vai preservar a graça, ou seja, o projeto de salvação.
Dissolução também significa perversão de costumes, devassidão, ruína, e isso é claramente observado quando se vê igrejas perdendo o sentido do culto, do evangelho e do louvor verdadeiro, que é santo, puro, perfeito, sem interesses, feito como expressão de almas remidas, anunciando os atos de justiça do Senhor e antecipando a posse do reino.

ASPECTO PROFÉTICO:
A grande luta da igreja fiel é no sentido de manter a fé que lhe foi dada. Essa fé, que é a direção do Espírito Santo, é o elemento fundamental para preservar o projeto da graça salvadora.
Não entendemos o projeto em partes.
- Não é possível dissociar salvação do poder do sangue de Jesus.
- Não é possível falar de comunhão sem o poder do sangue de Jesus.
- Não é possível falar de Corpo sem o Sangue.
- Não é possível falar do Espírito Santo sem os dons espirituais.
- Não é possível falar de santificação sem uma operação do Espírito Santo.
- Não é possível pregar o evangelho sem anunciar que o Senhor Jesus vem.
O projeto é único. A salvação é um projeto, revelado na Palavra de Gênesis a Apocalipse, que alcançamos pela fé que nos foi dada no encontro com o Senhor.
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COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DESSA BATALHA PELA FÉ POR PARTE DA IGREJA, NAS SEGUINTES EXPRESSÕES:
“... HAVENDO O SENHOR SALVO UM POVO [...] DESTRUIU, DEPOIS, OS QUE NÃO CRERAM”. VS. 5.

 “Mas quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram;” VS 5

COMENTÁRIO:
“Havendo o Senhor salvo um povo [...] destruiu, depois, os que não creram.”
O cenário profético apresentado por Judas é comparado à saída de Israel do Egito e à morte no deserto dos que não creram, durante uma caminhada de quarenta anos.
A saída de Israel do Egito foi marcada por sinais, sobretudo, a revelação do sangue do cordeiro que foi passado na verga e nas ombreiras das portas, naquela que foi a última noite do povo no Egito.
Entretanto, mesmo após a saída do Egito e dos sinais que marcaram a caminha pelo deserto eles deixaram de crer e murmuraram contra o Senhor.

“Então levantou-se toda a congregação, e alçaram a sua voz; e o povo chorou naquela mesma noite. E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Aarão; e toda a congregação lhe disse; Ah, se morrêramos na terra do Egito! ou, ah, se morrêramos neste deserto! E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada, e para que as nossas mulheres e as nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito? E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos ao Egito.” Números 14.1-4

Desejar morrer no Egito, ou voltar para lá era desprezar aqueles sinais, sobretudo a vida pelo sangue do cordeiro. Era desprezar a promessa da terra que mana leite e mel. Por isso Deus decidiu que, os que deixaram de crer morreriam no deserto.

“E todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz, não verão a terra de que a seus pais jurei, e até nenhum daqueles que me provocaram a verá.” Números 14.22-23.

ASPECTO PROFÉTICO:
É possível que, alguns voltem atrás depois de viveram experiências com o Senhor. Mesmo depois de viveram sinais, depois de crerem e pregarem o poder do sangue de Jesus e sua vinda. É possível que tentem confundir alguns com sua incredulidade. Porém, a igreja fiel deve estar atenta a esses sinais que identificam aqueles que desistiram do projeto da graça salvadora e agora agem sutilmente buscando introduzir uma mentalidade de graça dissolvida a fim de demover alguns da fé profética dada aos santos e que os conduz à graça salvadora.

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COMENTÁRIOS CVPFB


Para nós, batalhar pela fé que um dia foi dada aos santos é uma admoestação de grande repercussão, atingindo toda a igreja de Cristo, não apenas a ICM.

Orígenes de Alexandria, um dos pais da igreja, disse acerca da carta de Judas:

"é um livro pequeno, mas cheio de um vigoroso vocabulário"


Trata-se de um livro pouco lembrado pela maioria. A ordem aqui é lutar pela fé, nos trazendo a recordação que fomos chamados para lutar pela fé.

A questão inicial é para quem Judas escreveu e por quê?

Evidentemente, a fé pela qual devemos lutar não é apenas a fé em si, a fé que vem de Deus, mesmo porque Deus cumprirá todos os seus propósitos com ou sem a nossa ajuda.

Judas está falando outra coisa. Ele está afirmando categoricamente que devemos defender a crença cristã, a fé cristã, assim entendida a fé em Jesus Cristo para salvação e a IGREJA CORPO DE CRISTO. Batalhar pela doutrina da graça, a graça salvífica, a salvação, por meio da fé, pela graça, em que o homem não precisa de fazer nada para ser salvo, pois toda a obra da salvação foi feita por Cristo, que na cruz cravou para sempre nossos pecados e tragou na vitória o pecado e a morte. Batalhar pela fé aqui é batalhar pelos irmãos, para que não sejam presas fáceis dos falsos mestres, mais preocupados com suas próprias posições e doutrinas do que com as ovelhas de Cristo.

Para quem, então, é a Carta de Judas? Quem são os destinatários?

Para a universal igreja de Jesus Cristo. E por que isso? Por que se introduziram alguns que estavam solapando o evangelho de Jesus Cristo. Judas está, pelo Espírito Santo, escrevendo para uma igreja tendo por escopo defende-la de um ataque específico ao evangelho: Falsos ensinos, um ataque que acontecia dentro da igreja. As heresias, falsas doutrinas, ensinamentos errôneos tomavam um proporção no meio dos cristãos. A fé cristã e a própria igreja estavam sob ataque!

É interessante notar que os destinatários da mensagem de Judas eram cristãos que conheciam bem as Escrituras Sagradas. Senão vejamos: "Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Core" (1.11). São ilustrações tiradas do Antigo Testamento, que ocorreram no contexto do povo do Senhor.

Judas estava atacando os que se introduziram com dissimulação, estavam com o intuito de por a fé em dúvida (1.20), causavam divisões e contendas internas e traziam uma influência anticristã (1.19). Eles convertem em dissolução a graça de Deus. No original, dissolução aqui quer dizer exatamente isso: dissolução! A palavra grega é "ASELGEIA", QUE SIGNIFICA LICENCIOSIDADE, LIBERTINAGEM. Esses falsos mestres serão conhecidos por pregar que Deus tolerará a licenciosidade e a libertinagem, quando, em verdade, a dissolução é um sinal evidente que a pessoa que a pratica NÃO ESTÁ SALVA. Quanto a negar a Deus como único dominador é justamente deixar de pregar a necessidade de santificação e regeneração, a necessidade de curvar-se às ESCRITURAS.

O propósito de Judas seria lembrar aos seus leitores que existem falsos cristãos dentro das congregações. Esses homens entraram pelo caminho de Caim, que motivado por uma ira no seu coração, matou seu próprio irmão. O nome de Balaão é mencionado, levado pela ganância (Nm 31.16). A referência a Coré é estarrecedora! Um sacerdote rebelando-se contra a ordem e a estrutura divina firmada em Israel. Sua oposição contra a autoridade da Igreja no Antigo Testamento (Nm 16; 26). Então, no seio da igreja, o apóstolo denunciava que estavam acontecendo fatos similares, os quais podiam ser identificados, bem como os autores, pelos exemplos que estava pondo em destaque.

Para os leitores dessa carta, era necessário entender que esses falsos mestres não somente distorciam o verdadeiro ensino, como também sorrateiramente manipulavam em prol das suas causas. Como Caim, esses invasores desejavam, de acordo com Judas, inverter a direção da igreja, assassinar o ensino a partir de dentro da casa do Senhor. Como Balaão, esses falsos mestres estão preocupados somente com o seu ganho, interesses pessoais (1.12). A citação do nome Coré, vem para provar que esses pseudocristãos estão arraigados na mesma revolta, (oposição), disputas rebeldes em que os falsos mestres também estavam envolvidos.

Finalizando, a Carta de Judas não é contra aqueles que saem ou saíram, muito ao contrário, é contra aqueles que se introduziram na igreja para destruí-la.



A DOUTRINA DO MEDO

Não podemos mais tolerar o uso indevido desta importantíssima Carta Bíblica, como agora está sendo feito nessa EBD. Ocorre que tivemos saídas de muitos pastores por esses últimos dias. A Circular PES nº 22/2015, é prova inconteste de um embate na cúpula e saída de membros.

Há perda de pastores nos EUA, EUROPA, Serra/ES, Juiz de Fora e BH/MG e outros lugares no Brasil também.

Ora, usar a Carta de Judas, em uma EBD, exatamente neste momento, tem endereço certo: condenar os que acabaram de sair.

Isso é grave erro. Judas, em sua Carta à Igreja, não estava condenando os que saíam, estava condenando os que se introduziram com falsas doutrinas. 

Por outro lado, ao condenar os que saem, o objetivo é também amedrontar os que ficam para que não saiam. E, pior, sem dizer para os que ficam que essa é a intenção. Trata-se de no mínimo uma atitude antiética para os que permanecem.

Os amedrontados sabem que, caso saiam, serão condenados veementemente pelo PES, que usará contra eles a mesma Carta, a Carta de Judas. Isso traz sérias repercussões na vida do retirante, pois ele possui amigos, familiares e, principalmente, diletos irmãos dentre os que ficam. Ser execrado publicamente significa ter de suportar perdas terríveis. É ser punido apenas por sair da denominação. Não é preciso afirmar que isso não procede do Espírito Santo de Deus. A uma porque Deus não impõe a quem quer que seja uma denominação, a duas porque quem ataca as ovelhas que resolveram mudar de ministério pode estar fechando a porta para essas pessoas e lançando-as no precipício. Isso é terrível, pois fomos chamados para apascentar as ovelhas de Cristo e essa é a única prova de amor que Ele quer que demonstremos: Pedro, tu me amas? .....Apascenta as minhas ovelhas!

Porém, desde já afirmo que a Carta de Judas é contra exatamente o que o PES está fazendo nesta EBD: Utilizando o púlpito cristão, um momento sagrado, que é o momento em que a igreja se reúne para adorar a Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, para uma atitude dessas, que o próprio texto extraído da Carta de Judas veementemente condena.

Enfim, esse tipo de mensagem não pode mais ser tolerada. Os pastores estão avisados, essa EBD não trará nada de bom para a membresia e nem deve ser ligado o satélite para esse nefasto propósito de condenar os irmãos que se desligaram, como se estivessem se desligando da igreja de Jesus Cristo. Obviamente, não é o caso, desligaram-se somente do PES.

Segue abaixo a mencionada Circular.

Batalhar pela fé, no contexto da Carta de Judas, é condenar a atitude de sub-repticiamente condenar irmãos e pastores que se desligaram da ICM nesses últimos dias.



CIRCULAR Nº 022/15

Igreja Cristã Maranata – Presbitério Espírito Santense
Vila Velha/ES, 09 de maio de 2015

COMUNICADO

Comunicamos aos Pastores, ungidos, diáconos e membros dos grupos de intercessão que recebemos um comunicado do presidente das Igrejas dos Estados Unidos da América formalizando o desejo já cogitado na última reunião de pastores, em dezembro de 2014, ocasião em que foi estabelecida a diretoria da igreja americana.

Admitindo que em tal posicionamento tenha sido expressa a vontade do Espírito Santo, como foi no caso de Portugal e outros, em breve, por certo, serão conhecidos os resultados dessa decisão.

Com relação ao assunto MISSÃO:

1. A ICM do Brasil tem uma Missão devidamente registrada, que atende algumas necessidades relacionadas a envio de obreiros ao exterior;

2. Os esforços feitos na América anteriormente para evangelização e propagação da doutrina em outros países, tiveram resultados limitados por falta de uma instituição mais sólida e estruturada;

3. É do nosso interesse envidar todos os esforços possíveis para ampliar e institucionalizar este instrumento – a Missão Internacional.

Sendo assim, é nosso desejo unir esforços com a participação dos demais grupos já ligados a nós interessados nesse trabalho missionário de evangelização.

Ficou demonstrado pelo atual presidente da Igreja Norte Americana que não há nenhum interesse em comungar conosco nesse projeto, em virtude dos fatos citados pelo mesmo, devido a aspectos legais do país, incluindo o isolamento dessa igreja com outros países, deixando de atender o que até aqui vinha sendo feito.

Não houve nenhuma formalização, discussão ou até mesmo contato entre o Conselho Presbiteral e a diretoria da igreja Norte Americana para tratar do assunto de Missão Internacional, disponibilização e transferência de recursos. Esse ou qualquer outro assunto será tratado no Brasil pela diretoria administrativa e eclesiástica, com ampla divulgação para seus membros.

Quanto aos pastores das igrejas Norte Americanas que tem buscado informações, nossa palavra é que busquem manter a unidade, fiéis à doutrina, cuidando dos rebanhos com todo amor e diligência, buscando em tudo agradar e fazer a vontade do Senhor Jesus que nos chamou e comissionou para esse mister.

O Presbitério da Igreja Cristã Maranata reafirma que o vínculo outrora estabelecido com os pastores e membros das igrejas permanece o mesmo, colocando à disposição toda a sua estrutura, pronto para atender qualquer e eventual solicitação.

A Paz do Senhor
Conselho Presbiteral.