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sexta-feira, 11 de abril de 2014

LAODICÉIA, A IGREJA MORNA


I - ESTUDO BÍBLICO PARA JOVENS E OBREIROS – 12-abr-14
ASSUNTO: LAODICÉIA, A IGREJA MORNA.
TEXTO FUNDAMENTAL: APOCALIPSE 3:14-22
 
ENCONTRAMOS NA CARTA DE LAODICÉIA ALGUNS CONSELHOS DO SENHOR RELACIONADOS A NECESSIDADES ESPECÍFICAS DA IGREJA.
 
IDENTIFICAR E COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DAQUILO QUE O SENHOR JESUS VIU NA IGREJA DE LAODICEIA E QUE O LEVOU A DAR OS CONSELHOS DESCRITOS NO VERSO 18.
 
- OURO PROVADO NO FOGO
- VESTES BRANCAS
- UNGIR OS OLHOS COM COLÍRIO
 
(Os textos usados neste estudo foram extraídos da Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida, versão 1995)
 
 
OBSERVAÇÃO: os jovens e obreiros podem ser divididos em três diferentes grupos para que cada um comente sobre um item da atividade. Os textos em itálico são transcrições literais dos estudos recebidos dos grupos de jovens e obreiros.
 
INTRODUÇÃO
O título glorioso do Senhor Jesus na carta à igreja de Laodicéia é “O Amém”, porque está endereçando a carta à igreja que vive os momentos do tempo do fim. Uma igreja que, nos tempos do fim iria se caracterizar pela mistura do quente com o frio tornando-se uma igreja morna no sentido espiritual.
Na igreja antecedente, Filadélfia, abre-se a porta que ninguém pode fechar, do derramamento do Espirito Santo sobre a igreja, aquecendo-a com o calor do fogo para a hora da noite em que essa igreja viveria nos últimos tempos.
Antes de ela dizer quem ela é, o Senhor conhece as obras dessa igreja que mistura o quente com o frio e se torna morna espiritualmente, correndo o risco de ser expulsa do “corpo”, através do vômito. Ela é a mesma que fecha a porta e deixa o Senhor do lado de fora batendo, pois ela expulsou o Senhor do seu interior, dizendo não tendo falta de nada, inclusive dEle, visto que ninguém lá dentro ouve mais a voz do Senhor.
 
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IDENTIFICAR E COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DAQUILO QUE O SENHOR JESUS VIU NA IGREJA DE LAODICEIA E QUE O LEVOU A DAR OS CONSELHOS DESCRITOS NO VERSO 18:
- OURO PROVADO NO FOGO
 
 “ ...Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta...”. – Apocalipse 3:17a
“aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças,...”. – Apocalipse 3:18a
 
COMENTÁRIO
Na cidade de Laodicéia se produzia muita lã e se fabricava tecido de lã escura e até unguento para os olhos. Era uma cidade rica e próspera. A expressão dela é de uma somatória de riquezas que lhe são sempre acrescidas a ponto de essa igreja chegar a uma autossuficiência que inclui até mesmo não precisar mais do Senhor. Sua riqueza é do ouro impuro, ou seja, não é provado no fogo.
 
SENTIDO PROFÉTICO:
A riqueza que consiste em valores materiais e culturais leva a igreja a sentir-se tão capaz de se sustentar sozinha, que não precisa mais de Jesus. Tem cultura bíblica e por isso não precisa de revelação. Tem mega-cultos, mega-templos, e não precisa mais do “templo do Espirito Santo”. A verdadeira riqueza da igreja quem dá é o Senhor, pois o ouro provado no fogo só Jesus pode dar: é o Batismo com o Espirito Santo, aquilo que confere ao crente o poder de Deus na sua vida. Esse poder não é misturado, mas é puro como o ouro provado no fogo. Não é no fogo da carne, da cultura, da animação, mas do Espirito Santo. Comprar do Senhor é porque só o Senhor Jesus é quem batiza com o Espirito Santo e o poder resultante disso é somente dele, não está misturado com o poder do homem ou da sua cultura, sua capacidade ou seu carisma.
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IDENTIFICAR E COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DAQUILO QUE O SENHOR JESUS VIU NA IGREJA DE LAODICEIA E QUE O LEVOU A DAR OS CONSELHOS DESCRITOS NO VERSO 18:
- VESTES BRANCAS
 
 “ ... és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu,...”. – Apocalipse 3:17b
“aconselho-te que de mim compres... vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez;...”. – Apocalipse 3:18b
 
COMENTÁRIO
Jesus viu uma igreja que não tem mais a graça dos apóstolos, que vive de mendicância espiritual, vive da pobreza da letra, da cegueira da falta de profecia e da nudez da ausência de testemunho de salvação que é a santificação. A cidade de Laodicéia, na época da visão de João, produzia tecidos de lã preta que eram vendidos e comercializados internamente e também em várias cidades próximas.
 
SENTIDO PROFÉTICO: – O conselho que o Senhor dá a uma igreja assim, é que ela compre dEle, a veste que somente ele dá, pois é o Seu sangue que purifica as nossas vestes. Comprar de Jesus a veste branca não é pagar o preço, mas é a troca de valores que o crente faz, quando ele descobre em Jesus o valor de uma salvação para vida eterna. Comprar de Jesus as vestes brancas é sair do estado vergonhoso da nudez espiritual de uma igreja que se veste somente de aparência. A vestimenta dessa igreja é de completa nudez espiritual, suas vestes estão escurecidas ou manchadas pela sua falta de testemunho de uma salvação com transformação de vida.
 
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IDENTIFICAR E COMENTAR O SENTIDO PROFÉTICO DAQUILO QUE O SENHOR JESUS VIU NA IGREJA DE LAODICEIA E QUE O LEVOU A DAR OS CONSELHOS DESCRITOS NO VERSO 18:
- UNGIR OS OLHOS COM COLÍRIO
 
 “Como dizes:,... e não sabes que és...cego...”. – Apocalipse 3:17c
“aconselho-te que... unjas os olhos com colírio, para que vejas”. – Apocalipse 3:18c
 
COMENTÁRIO
A cidade de Laodicéia era famosa pela fabricação de um colírio medicinal muito eficiente e conhecido naquela época. Jesus usa de forma muito sábia essa ilustração mostrando à igreja daquela cidade e da época atual que ela precisa sair do seu estado de cegueira espiritual, porém o colírio que ele indica é vindo dos céus, e somente o Seu Espírito pode nos conceder para que tenhamos a nossa visão restaurada e voltemos o nosso foco para o alto.
Jesus viu uma igreja que diz ser uma coisa e é outra. No seu ponto de vista ela diz ser o que é, mas no ponto de vista do Senhor o que ela diz, ela fala sem o conhecimento da verdade. Ela “não sabe” o que verdadeiramente é. O estado de mornidão: as águas saiam quentes das nascentes, mas quando as águas chegavam à cidade já estavam mornas.
 
SENTIDO PROFÉTICO:
Ungir os olhos com colírio é o conselho do Senhor para uma igreja que precisa ver, ou seja, enxergar nesta hora de trevas do mundo. O Batismo com o Espirito Santo é exatamente para que a igreja possa enxergar o caminho na hora de trevas. Ter discernimento da hora profética que está vivendo. Ter sua candeia acesa para entrar nas bodas do noivo. Batismo com o Espirito Santo é para discernir, enxergar e não errar o caminho.
Cego. A cegueira de uma igreja é determinada pela ação dela de misturar o frio com o quente. O quente veio do Senhor, mas a mistura com o frio foi ela quem fez. O mornismo espiritual é um estado de acomodação na vida do crente que quer conviver com a benção, mas não quer deixar aquilo que desagrada ao Senhor. O fim disso é um expurgo natural feito pelo Espirito Santo, num processo de rejeição do “corpo” – o vômito.
Não saber é: perder o discernimento, ainda que o Senhor já lhe tivesse dito no verso 15 que “conhece” as suas obras. Uma igreja cega, num lugar em que se fabricava unguento para os olhos. Não sabia discernir entre o quente e o frio, por isso a mistura dos dois estados a tornou morna.
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II - COMENTÁRIOS - CVPFB
 
O sentido profético significa a repercussão da profecia ou do ensino bíblico para os nossos dias (o tempo da igreja) e para o porvir, pode ser adicionado de alegorese. Exemplo claro é a comparação do colírio, unguento para facilitar a visão física, com o colírio que melhora a visão espiritual, pois a igreja estava cega espiritualmente.
 
Também pode significar, no dicionário da ICM, o sentido espiritual, oculto, tão caro aos pregadores da igreja de Alexandria, ou mesmo uma alegorese não autorizada pelas escrituras.
 
Exemplo de alegoria autorizada pelas escrituras é o colírio para fazer enxergar melhor, em uma metáfora para a necessidade de enxergar melhor  espiritualmente. Igualmente, a riqueza material em comparação com a riqueza (ou miséria) espiritual é uma alegorese autorizada.
  
Exemplo de alegoria não autorizada é a mornidão como o procedimento de adicionar o frio ao quente. A Palavra não afirma que a igreja está morna porque misturou o frio com o quente. A igreja está morna simplesmente porque ela esfriou, nada mais. Vamos ao sentido oculto do oculto, nós não esfriamos porque alguns estão frequentando outras denominações. Não foram outras denominações que causou o nosso esfriamento. Nós esfriamos porque nós escolhemos esfriar, escolhemos cercear o Espírito, e não adianta por a culpa na mescla. Identificar a doença, dar um bom diagnóstico, é o princípio da cura. Foi isso que Natã fez com Davi.
 
Três pontos são essenciais e serão abordados:
 
1) ouro provado no fogo, para que enriqueças: São as riquezas que vem do Senhor, quem as quiser terá de passar com elas pelo fogo do Espírito, pois Ele prova a intenção dos corações. Só vai entregar essas riqueza ao coração contrito e arrependido, ao coração humilde e perdoador, ao coração que ama, que dá frutos dignos de arrependimento. As riquezas vem da busca, como Jacó no vau de Jaboque, mas vem principalmente do coração disposto a andar com Deus, como fez Enoque. Morta é a fé sem obras, perde as riquezas quem as conquistou se elas não forem colocadas a serviço do Rei. Comprar é buscar, não adianta ficar deitado em berço esplêndido, há uma necessidade de busca de comunhão, de oração, de querer a bênção e usa-la. Bênção não é para ser só admirada, é para ser utilizada, para gerar frutos. Fazemos assim com nossos filhos, damos aquilo que eles são capazes de fazer bom uso, damos aquilo que eles compreendem e tem discernimento para valorizar e usar corretamente. É o ouro provado no fogo que nos leva aos mistérios profundos do Senhor.
 
A comparação com mega-cultos, com animação, com o fogo da carne é imprópria e deve ser repelida. Visa atingir o avivamento espiritual, os supostos excessos. A falta de discernimento e de visão está na própria palavra do preletor que não percebe que de fato existe um poder que desce com o fogo do Espírito, um poder que fez os sacerdotes não pararem em pé quando o templo do Senhor foi consagrado por Salomão, um poder que fez Saul quando saiu a perseguir Davi ser tomado pelo Espírito de Deus uma noite inteira, e não pôde dar conta de si. Um poder que fez o paralítico entrar saltando no templo com Pedro e João, um poder que fez com que a multidão que afluiu ao Pentecoste achasse que os discípulos cambaleantes e falando noutras línguas estavam embriagados.
 
Excessos existem claro, sempre existirão, assim como também há falsa profecia, falso discernimento e falsa visão espiritual. Mas quem transforma os excessos em regra é que está precisando de comprar ouro provado no fogo e colírio para os olhos.
 
2) Vestes Brancas - O sentido único é santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor. A santificação é diferente da dádiva pura. Ela requer participação nossa. A participação é muito mais intenção do que ação, pois sem Ele nada podemos fazer. Abraão foi considerado amigo de Deus, o maior exemplo de fé do AT. A fé era tão grande que não hesitou em sacrificar o próprio filho. Mas a fé é uma dádiva de Deus. Santificação é fruto, e gerar fruto é dar lugar ao Espírito pois é Ele quem em nós gera os seus frutos (o fruto é gerado no lar, na igreja, no trabalho, na rua, onde quer que estejamos, são os frutos do Espírito, e eles devem nos seguir). Aquele que sonda os corações nos fortalece e nos capacita para deixarmos o pecado para trás. Para mim, a melhor identificação do caminho da santificação é observar e ser sensível ao Espírito. Se o Espírito se alegrar com nossas ações, estamos no caminho certo, se algo o incomodar e, ato contínuo, Ele nos incomodar, significa que uma correção de rumo deve ser praticada. Se não houver correção de rumo pode ser que Ele nos corrija, ou simplesmente se afaste de nós.  
 
3) Colírio para os olhos - Não há cegueira maior do que aquele que acha que vê, estando cego. Isso é comum no sentido espiritual.
 
A cegueira espiritual invariavelmente tem como ingrediente a soberba e a vaidade. Uma pitada de superioridade, algumas gotas de ironia, um pouco de agua contaminada pela heresia, fermento, e, sobretudo, um afastamento gradual do poder de Deus. Sem o poder de Deus, sem a unção, vem o esfriamento e, como esfriamento, a cegueira espiritual.
 
No último estágio de cegueira espiritual, confunde-se riqueza com pobreza, poder de Deus com palavras bonitas, experiências antigas com falta de unção e graça.  No último estágio construímos cercas para impedir a fuga de ovelhas, pois ovelha sabe discernir onde tem pastos verdejantes, onde tem aguas tranquilas, onde tem bênção, unção e poder de Deus.
 
Se o preletor da sua igreja disser que hoje, para enfermidades, basta procurar o médico, fazer uma quimio ou radioterapia, etc, é melhor tomar cuidado. Não que eu seja contra médicos, dentistas ou outros profissionais liberais, de forma alguma. Se eles estão aí, se a ciência evoluiu a esse ponto, por permissão de Deus, é porque podemos e devemos fazer uso dos avanços científicos.

Todavia, a Palavra diz que os sinais seguirão aos que crerem (creu e continua crendo), o que demonstra que milagres  e maravilhas hão de nos seguir, ou então a Bíblia está errada e Deus mudou. Se Deus não muda nunca, se a Bíblia não pode estar errada (inerrância bíblica), então um preletor não pode jamais dizer para a congregação que não devemos buscar milagres. Quem faz isso é suspeito, a unção do Espírito já está passando um tanto longe dele. Aí cabe o conselho: compre ouro provado no fogo, vestes brancas e colírio para que vejas.

A Paz do Senhor

sexta-feira, 7 de março de 2014

BIBLIA A PALAVRA DE DEUS

INTRODUÇÃO

Com esse estudo, damos continuidade ao curso de teologia. A infalibilidade das Escrituras é uma das colunas da reforma. Se forem equiparadas à tradição, ou à ulteriores revelações que a contradizem, então esse grupo deixou de ser um grupo cristão reformado.

Fora a inclinação calvinista do autor, que compartilho, faço a ressalva que a livre agência, ou livre disponibilidade de fazer a própria vontade e cumprir certas operações dentro dos limites impostos pela divindade, não vai de encontro necessariamente à soberania divina. Todavia, se Deus não for soberano e onipotente, capaz de direcionar o rumo da história humana e do universo em seus mínimos detalhes (quando necessário), deixando certa margem de liberdade quando assim pretender, então a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. Não pode ser a Palavra de Deus porque o homem é tão falho que seria incapaz de transmitir através de si a inspiração divina. Mesmo defeitos físicos e psíquicos impediriam a clareza da mensagem, não bastassem as limitações impostas pela cultura e pela linguagem, somadas à oposição das potestades das trevas. Mas, Deus é soberano e onipotente, não fosse Ele soberano, as Sagradas Escrituras não poderiam existir.

Há um texto bíblico singular que mostra a atuação de Deus até mesmo na intimidade de um homem e uma mulher, impedindo algo que poria a profecia e, portanto, sua soberania e onipotência em cheque, Genesis 20.3-7:

3 Deus, porém, veio a Abimeleque, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Eis que estás para morrer por causa da mulher que tomaste; porque ela tem marido.
4 Ora, Abimeleque ainda não se havia chegado a ela: perguntou, pois: Senhor matarás porventura também uma nação justa?
5 Não me disse ele mesmo: É minha irmã? e ela mesma me disse: Ele é meu irmão; na sinceridade do meu coração e na inocência das minhas mãos fiz isto.
6 Ao que Deus lhe respondeu em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la;
7 agora, pois, restitui a mulher a seu marido, porque ele é profeta, e intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.

Abraão usou de sua liberdade, ou livre agência, com medo de morrer, mas nada do que fizesse poderia impedir que os desígnios do Senhor se cumprissem nos seus mínimos detalhes.

Bem, na verdade uso a palavra que é a minha marca da fé: Deus está no controle. Ele age como quer, quando quer e da maneira que quer, e seus pensamentos não podem ser impedidos.

Aproveitem o texto a seguir, é uma preciosidade que, espero, não nos seja tolhida.


Texto a seguir: Teologia Sistemática, Vincent Cheung

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A NATUREZA DA ESCRITURA

Devemos enfatizar a natureza verbal ou proposicional da revelação bíblica. Numa época em que muitos menosprezam o valor de palavras, em prol de imagens e sentimentos, devemos notar que Deus escolheu se revelar através das palavras da linguagem humana.

A comunicação verbal é um meio adequado de transmitir informação de e sobre Deus. Isto não somente afirma o valor da Escritura como uma revelação divina significante, mas também o valor da pregação e da escrita como meios para comunicar a mente divina, como apresentada na Bíblia.

A própria natureza da Bíblia como uma revelação proposicional, testifica contra as noções populares de que a linguagem humana é inadequada para falar sobre Deus, que as imagens são superiores às palavras, que a música tem valor maior que o da pregação, ou que as experiências religiosas podem ensinar mais a uma pessoa, sobre as coisas  divinas, do que os estudos doutrinais.

Alguns argumentam que a Bíblia fala numa linguagem que produz vívidas imagens na mente do leitor. Contudo, esta é somente uma descrição da reação de alguns leitores; outros podem não responder do mesmo modo às mesmas passagens, embora eles possam captar a mesma informação delas. Assim, isso não conta contra o uso de palavras como a melhor forma de comunicação teológica.

Se imagens são superiores, então, por que a Bíblia não contém nenhum desenho? Não seria a sua inclusão a melhor maneira de se assegurar que ninguém formasse imagens mentais errôneas, se são elas deveras um elemento essencial na comunicação teológica?
Mesmo se imagens fossem importantes na comunicação teológica, o fato de que Deus escolheu usar palavras-imagens ao invés de desenhos reais, implica que as palavras são suficientes, se não superiores. Mas além de palavras-imagens, a Escritura também usa palavras para discutir as coisas de Deus em termos abstratos, não associados com quaisquer imagens.

Uma figura não vale mais do que mil palavras. Suponha que apresentemos um desenho da crucificação de Cristo a uma pessoa que não tenha qualquer background cristão. Sem qualquer explicação verbal, seria impossível para ela constatar a razão para sua crucificação e o significado dela para a humanidade. A imagem em si mesma não mostra nenhuma relação alguma entre o evento e qualquer coisa espiritual ou divina. Ela não mostra se o evento foi histórico ou fictício. A pessoa, ao olhar para o desenho, não saberia se o ser executado à morte era culpado de algum crime, e não haveria como saber as palavras que ele falou enquanto estava na cruz. A menos que haja centenas de palavras explicando a figura, a imagem, por si só, não tem nenhum significado teológico. Mas, uma vez que há muitas palavras para explicá-la, alguém dificilmente necessitará de imagem.

O ponto de vista que exalta a música acima da comunicação verbal sofre a mesma crítica. É impossível derivar qualquer significado religioso da música, se ela é executada sem palavras. 

É verdade que o Livro de Salmos consiste de uma grande coleção de cânticos, provendo-nos com uma rica herança para adoração, reflexão e doutrina.

Contudo, as melodias originais não acompanharam as palavras dos salmos; nenhuma nota musical acompanha qualquer um dos cânticos na Bíblia. Na mente de Deus, o valor  dos salmos bíblicos está nas palavras, e não nas melodias. Embora a música desempenhe um papel na adoração cristã, sua importância não se aproxima das palavras da Escritura ou do ministério da pregação.

Com respeito às experiências religiosas, até mesmo uma visão de Cristo não é de mais valia do que mil palavras da Escritura. Não se pode provar a validade de uma experiência religiosa, seja uma cura miraculosa ou uma visitação angélica, sem o conhecimento da Escritura. Os encontros sobrenaturais mais espetaculares são vazios de significado sem a comunhão verbal para informar a mente.

O episódio inteiro de Êxodo não poderia ter ocorrido, se Deus houvesse permanecido em silêncio quando apareceu a Moisés, através da sarça ardente. Quando Jesus apareceu num resplendor de luz, na estrada de Damasco, o que teria acontecido se Ele se recusasse a responder quando Saulo de Tarso lhe perguntou: “Quem és, Senhor?” A única razão pela qual Saulo percebeu quem estava falando com ele, foi porque Jesus respondeu com as palavras: “Eu sou Jesus, a quem persegues” (Atos 9:3-6). As experiências religiosas são sem significado, a menos que acompanhadas pela comunicação verbal, transmitindo conteúdo intelectual.

Uma outra percepção errônea com respeito à natureza da Bíblia é considerar a Escritura como um mero registro de discursos e eventos reveladores, e não a revelação de Deus em si mesma. A pessoa de Cristo, suas ações e seus milagres revelavam a mente de Deus, mas é um engano pensar que a Bíblia é meramente um relato escrito deles. As próprias palavras da Bíblia constituem a revelação de Deus para nós, e não somente os eventos aos quais elas se referem.

Alguns temem que uma forte devoção à Escritura implica em estimar mais o registro de um evento revelador do que o evento em si mesmo. Mas, se a Escritura possui o status de revelação divina, então tal preocupação não tem fundamento. Paulo explica que “Toda Escritura é soprada por Deus” (2 Timóteo 3:16). A própria Escritura foi soprada por Deus. Embora os eventos que a Bíblia registra possam ser reveladores, a única revelação objetiva com a qual temos contato direto é a Bíblia.

Visto que a elevada opinião da Escritura que advogamos aqui é somente a que a própria Bíblia afirma, os cristãos devem rejeitar toda doutrina exposta como sendo da Escritura que comprometa nosso acesso à revelação infalível de Deus. Sustentar uma opinião inferior sobre a Escritura destrói a revelação como a autoridade última de alguém, e, então, é impossível superar o problema de epistemologia resultante.

Enquanto uma pessoa negar que a Escritura seja a revelação divina em si mesma, ela permanece sendo “apenas um livro”, e essa pessoa hesita em lhe dar reverência completa, como se fosse possível adorá-la excessivamente. Há supostos ministros cristãos que pressionam os crentes a olhar para “o Senhor do livro, e não para o livro do Senhor”, ou para algo com esse objetivo. Mas, visto que as palavras da Escritura foram  ( Veja Vincent Cheung, Ultimate Questions) sopradas por Deus, e aquelas são a única revelação objetiva e explícita de Deus, é impossível olhar para o Senhor sem olhar para o seu livro. Visto que as palavras da Escritura são as próprias palavras divinas, alguém está olhando para o Senhor somente até onde estiver olhando para as palavras da Bíblia. Nosso contato com Deus é através das palavras da Escritura. Provérbios 22:17-21 indica que confiar no Senhor é confiar em suas palavras:

Preste atenção e ouça os ditados dos sábios, e aplique o coração ao meu ensino.  Será uma satisfação guardá-los no íntimo e tê-los todos na ponta da língua. Para que você confie no Senhor, a você hoje ensinarei. Já não lhe escrevi conselhos e instruções, ensinando-lhe palavras dignas de confiança, para que você responda com a verdade a quem o enviou?

Deus governa sua igreja através da Bíblia; portanto, nossa atitude para com ela reflete nossa atitude para com ele. Ninguém que ama a Deus não amará as suas palavras da mesma forma. Aqueles que declaram amá-lo, devem demonstrar isso por uma obsessão zelosa para com as suas palavras:

Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro... Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais que o mel para a minha boca! (Salmo 119:97,103)
O temor do Senhor é puro, e dura para sempre. As ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas. São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo. (Salmo 19:9-10)
Uma pessoa ama a Deus somente até onde ame a Escritura. Pode haver outras indicações do amor de alguém para com Deus, mas o amor por sua palavra é um elemento necessário, pelo qual todos os outros aspectos da nossa vida espiritual são mensurados.



A INSPIRAÇÃO DA ESCRITURA


A Bíblia é a revelação verbal ou proposicional de Deus. É Deus falando a nós. É a voz do próprio Deus. A própria natureza da Bíblia indica que a comunicação verbal é a melhor maneira de transmitir a revelação divina. Nenhum outro modo de se conhecer a Deus é superior ao estudo da Escritura, e nenhuma outra fonte de informação sobre Deus é mais precisa, acurada e abrangente.

O apóstolo Paulo diz:

Toda Escritura é soprada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender,  para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja plenamente preparado para toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17).

Todas as palavras da Bíblia foram sopradas por Deus. Tudo o que podemos chamar de Escritura foi inspirado por Deus. Que a Escritura é “soprada por Deus” refere-se a sua origem divina

(A palavra traduzida “divinamente inspirada” (ERC) ou “inspirada por Deus” (ARA) é theopneustos). Ela significa expiração (soprar para fora) e não inspiração (soprar para dentro), daí o termo “soprada por Deus” na NVI. Embora “inspiração” seja um termo teológico aceitável, referindo-se à origem divina da Escritura, e como tal permanece útil, ele não consegue transmitir o significado literal de theopneustos.)

Tudo que podemos chamar de origem divina. Tudo da Escritura procede de Deus; portanto, podemos corretamente chamar a Bíblia de “a palavra de Deus”. Esta é a doutrina da INSPIRAÇÃO DIVINA.

O conteúdo da Escritura consiste de todo o Antigo e Novo Testamento, sessenta e seis documentos no total, funcionando como um todo orgânico. O apóstolo Pedro dá endosso explícito aos escritos de Paulo, reconhecendo seu status de Escritura inspirada:

Tenham em mente que a paciência de nosso Senhor significa salvação, como  também o nosso amado irmão Paulo lhes escreveu, com a sabedoria que Deus lhe deu. Ele escreve da mesma forma em todas as suas cartas, falando nelas destes assuntos. Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria destruição deles (2 Pedro 3:15-16).

Pedro explica que os homens que escreveram a Escritura foram “impelidos pelo Espírito Santo”, para que nenhuma parte dela “tivesse origem na vontade de homem” ou pela “interpretação pessoal do profeta” (2 Pedro 1:20-21).

A Bíblia é uma revelação verbal exata de Deus, a ponto de Jesus dizer que “Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:18). Deus exerceu tal controle preciso sobre a produção da Escritura que o seu conteúdo, na própria letra, é o que ele desejava colocar em escrito.

Essa elevada opinião da inspiração escriturística não supõe ditado. Deus não ditou sua palavra aos profetas e apóstolos como um patrão dita suas cartas para uma secretária. A princípio, alguém pode tender a pensar que o ditado seria a mais alta forma de inspiração, mas não o é. Um patrão pode ditar suas palavras à secretária, mas ele não pode ter controle sobre os detalhes diários da vida dela — seja passado, presente ou futuro — e tem ainda menos poder sobre os seus pensamentos.

Em contraste, a Bíblia ensina que Deus exercita controle total e preciso sobre cada detalhe de sua criação, a tal ponto que até mesmo os pensamentos dos homens estão sob o seu controle. Isso é verdade com respeito a todo indivíduo, incluindo os escritores bíblicos. Deus de uma tal forma ordenou, dirigiu e controlou as vidas e pensamentos instrumentos escolhidos que, quando o tempo chegou, suas personalidades e os seus cenários eram perfeitamente adequados para escrever aquelas porções da Escritura que Deus tinha designado para eles:

Disse-lhe o SENHOR: “Quem deu boca ao homem? Quem o fez surdo ou mudo? Quem lhe concede vista ou o torna cego? Não sou eu, o SENHOR? Agora, pois, vá; eu estarei com você, ensinando-lhe o que dizer” (Êxodo 4:11-12).

A Bíblia nega que o homem tenha “livre-arbítrio”. Embora a sua vontade exista como uma função da mente, ela não é “livre” no sentido de que pode funcionar independentemente do controle de Deus. Eu abordarei esse tópico mais adiante no livro.

Deus determina cada detalhe da vida de uma pessoa — sua ancestralidade, saúde, inteligência, educação, personalidade, longevidade, localização geográfica, etc. Seções posteriores deste livro discutem a soberania de Deus.

O controle preciso de Deus sobre os homens não se aplica somente aos profetas e apóstolos, mas a toda pessoa (mesmo os réprobos). Contudo, Deus especificamente ordenou as vidas dos escritores bíblicos para que pudessem ser preparados para escrever a Escritura quando o tempo chegasse.

A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: “Antes de formá-lo no ventre eu o escolhia; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações”... O Senhor estendeu a mão, tocou a minha boca e disse-me: “Agora ponho em sua boca as minhas palavras” (Jeremias 1:4-5,9).
Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Não o recebi de pessoa alguma nem me foi ele ensinado; ao contrário, eu o recebi de Jesus Cristo por revelação.... Mas Deus me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça. Quando lhe agradou revelar o seu Filho em mim para que eu o anunciasse entre os gentios... (Gálatas 1:11-12, 15-16).

Então, quando chegou o tempo de escrever, o Espírito de Deus supervisionou o processo para que o conteúdo da Escritura fosse além do que a inteligência natural dos escritores pudesse conceber literalmente o que Ele desejava pôr por escrito. Deus não encontrou as pessoas certas para escrever a Escritura; Ele fez as pessoas certas para escrevê-la, e então, supervisionou o processo de escrita.

Portanto, a inspiração da Escritura não se refere somente aos tempos em que o Espírito Santo exerceu controle especial sobre os escritores bíblicos, embora isto tenha deveras acontecido, mas a preparação começou antes da criação do mundo. A teoria do ditado, a qual a Bíblia não ensina, é, em comparação, uma opinião inferior a respeito da inspiração, atribuindo a Deus um controle menor sobre o processo.

Esse ponto de vista acerca da inspiração explica o suposto “elemento humano” evidente na Escritura. Os documentos bíblicos refletem vários cenários sociais, econômicos e intelectuais dos autores, suas diferentes possibilidades, e seus vocabulários e estilos literários singulares. 

Este fenômeno é o que se poderia esperar, dado o ponto de vista bíblico sobre a inspiração, no qual Deus exerceu controle total sobre a vida dos escritores, e não somente sobre o processo de escrita. O “elemento humano” da Escritura, portanto, não prejudica a doutrina da inspiração, mas é consistente com ela e pela mesma explicado.


A UNIDADE DA ESCRITURA


A inspiração subentende a unidade da Escritura. Que as suas palavras procedem de uma única mente divina, faz supor que a Bíblia deve exibir uma coerência perfeita. Isso é o que encontramos na Bíblia. Embora a personalidade distinta de cada escritor bíblico seja evidente, o conteúdo da Bíblia como um todo exibe uma unidade e desígnio que revela um único autor divino. A consistência interna caracteriza os vários documentos escriturísticos, de forma que uma parte não contradiz outra.

Jesus pressupõe a coerência da Escritura quando responde à seguinte tentação de Satanás:

Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está escrito: “ ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’” (Mateus 4:5-7).

Satanás encoraja Jesus a pular do templo citando Salmo 91:11-12. Jesus replica com Deuteronômio 6:16, subentendendo que o uso da passagem por Satanás contradiz aquela instrução e, portanto, é u’a má-aplicação. Quando alguém entende ou aplica uma passagem da Escritura de uma maneira que contradiz outra passagem, é porque manejou mal o texto. O argumento de Cristo aqui presume a unidade da Escritura, e nem mesmo o diabo pôde contestá-la.

Numa outra ocasião, quando Jesus tratava com os fariseus, seu desafio para com eles supõe a unidade da Escritura e a lei da não-contradição:

E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: Que pensais vós do Cristo? De Estando os fariseus reunidos, Jesus lhes perguntou: “O que vocês pensam a respeito do Cristo? De quem ele é filho?” “É filho de Davi”, responderam eles. Ele lhes disse: “Então, como é que Davi, falando pelo Espírito, o chama ‘Senhor’? Pois ele afirma: “ ‘O Senhor disse ao meu Senhor:  Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés ’. Se, pois, Davi o chama ‘Senhor’, como pode ser ele seu filho?” Ninguém conseguia responder-lhe uma palavra; e daquele dia em diante, ninguém jamais se atreveu a lhe fazer perguntas (Mateus 22:41-46).

Visto que Davi estava “falando pelo Espírito”, ele não poderia ter errado. Mas, se o Cristo haveria de ser um descendente de Davi, como ele poderia ser seu Senhor ao mesmo tempo? Que isso coloca um problema significa, em primeiro lugar, que tanto Jesus como sua audiência admitiam a unidade da Escritura e a lei da não-contradição. Se eles reconhecessem que a Escritura se contradiz, ou que alguém pode afirmar duas proposições contraditórias, então Jesus não estaria significativamente fazendo questão em absoluto. A resposta aqui é que o Messias é tanto divino como humano e, portanto, tanto “Senhor” como “filho” de Davi.

Mas é popular encorajar-se uma tolerância para com as contradições na teologia. Alister McGrath escreve em seu livro Understanding Doctrine:

O fato de que algo é paradoxal e até mesmo autocontraditório, não o invalida... Aqueles dentre nós que têm trabalhado no campo científico estão muitíssimos conscientes da completa complexidade e do caráter misterioso da realidade. Os eventos subjacentes à teoria quântica, as dificuldades de se usar modelos na explicação científica — para mencionar apenas dois fatores de que posso lembrar claramente do meu próprio período como cientista natural — apontam para a inevitabilidade do paradoxo e da contradição em tudo, exceto quando o compromisso com a realidade é o mais superficial.... (Alister McGrath, Understanding Doctrine; Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House, 1990; p. 138. )

Isso não tem sentido. Admitindo que McGrath conheça ciência o suficiente para falar sobre o assunto, tolerar contradições na teologia. Ele pressupõe a confiabilidade da ciência e julga todas as outras disciplinas por ela. Parafraseando-o, se há contradições na ciência, então, as contradições devem ser aceitas, e deve-se tolerá-las quando surgirem também numa reflexão teológica.

Contudo, uma razão para rejeitar a confiabilidade da ciência é precisamente porque ela freqüentemente se contradiz. A ciência é uma disciplina pragmática, útil para manipular a natureza e avançar a tecnologia, mas que não pode descobrir nada sobre a realidade. O conhecimento sobre a realidade vem somente de deduções válidas da revelação bíblica, e nunca de métodos científicos ou empíricos. McGrath não nos dá nenhum argumento para ignorar ou tolerar as contradições na ciência; ele apenas assume a confiabilidade dela, a despeito das contradições. Mas, ele não dá nenhuma justificativa para assim o fazer.

O que torna a ciência o padrão último pelo qual devemos julgar todas as outras disciplinas? O que dá à ciência o direito de criar as regras para todos os outros campos de estudo? McGrath declara que a ciência aponta “para a inevitabilidade do paradoxo e da contradição em tudo, exceto se o compromisso com a realidade for o mais superficial”. Porém, ciência não é teologia. Além do mais superficial “compromisso com a realidade” — embora eu negue a confiabilidade da ciência até mesmo em tal nível — a ciência gera contradições e desmorona, mas isto não quer dizer que a teologia sofra o mesmo destino.

A teologia trata de Deus, que tem o direito e poder para governar tudo da vida e do pensamento. Deus conhece a natureza da realidade, e a comunica para nós através da Bíblia. Portanto, é a teologia que cria as regras da ciência, e um sistema bíblico de teologia não contém paradoxos ou contradições.

Qualquer proposição que afirme uma coisa é, necessariamente, uma negação do seu oposto. Afirmar X é negar não-X, e afirmar não-X é afirmar X. Para simplificar, suponha que o oposto de X é Y, de forma que Y=não-X. Então, afirmar X é negar Y, e afirmar Y é negar X. Ou, X=não-Y, e Y=não-X. Visto que afirmar uma proposição é, ao mesmo tempo, negar o seu oposto, afirmar X e Y ao mesmo tempo é o equivalente a afirmar não-Y e não-X. Afirmar duas proposições contrárias é, na realidade, negar ambas. Mas afirmar tanto não-Y como não-X, é afirmar também X e Y, que significa novamente negar Y e X. E, assim, toda a operação se torna sem sentido. É impossível afirmar duas proposições contrárias ao mesmo tempo.

Afirmar a proposição, “Adão é um homem” (X) é, ao mesmo tempo, negar a proposição contrária, “Adão não é um homem” (Y, ou não-X). Da mesma forma, afirmar a proposição, “Adão não é um homem” (Y), é negar a proposição contrária, “Adão é um homem” (X). Ora, afirmar tanto “Adão é um homem” (X) como “Adão não é um homem” (Y) não é nada mais do que negar ambas as proposições na ordem inversa. Ou seja, é equivalente a negar “Adão não é um homem” (Y) e negar “Adão é um homem” (X). Mas então, isto é o mesmo que voltar a afirmar as duas proposições na ordem inversa outra vez. Quando afirmamos ambas, negamos ambas; quando negamos ambas,  afirmamos ambas. Afirmar duas proposições contrárias, portanto, não gera nenhum significado inteligível. É o mesmo que não dizer nada.

Admita que a soberania divina e a liberdade humana sejam contraditórias. Alguns teólogos, alegando que a Bíblia ensina ambas, encorajam seus leitores a afirmarem aquelas duas. Contudo, se afirmar a soberania divina é negar a liberdade humana, e afirmar a liberdade humana é negar a soberania divina, então, afirmar ambas significa rejeitar tanto a soberania divina (na forma de uma afirmação da liberdade humana) como a liberdade humana (na forma de uma afirmação da soberania divina). Nesse exemplo, visto que a Bíblia afirma a soberania divina e nega a liberdade humana, não há contradição — nem mesmo uma que seja aparente.

Por outro lado, quando incrédulos alegam que a encarnação de Cristo acarreta uma contradição, a qual é o contexto da passagem acima de McGrath, o cristão não tem a opção de negar a deidade ou a humanidade de Cristo. Antes, ele deve articular e clarificar a doutrina como a Bíblia a ensina, e mostrar que não há contradição. O mesmo se aplica à doutrina da Trindade.

É fútil dizer que essas doutrinas estão em perfeita harmonia na mente de Deus, e que somente parece haver contradições para os seres humanos. Enquanto permanecerem contradições, seja somente na aparência ou não, não podemos afirmar as duas coisas. E como alguém pode distinguir entre uma contradição real e uma apenas aparente? Se devemos tolerar as contradições aparentes, então devemos tolerar todas as outras. Visto que sem conhecer a resolução, uma aparente contradição parece ser o mesmo que uma real, saber que uma “contradição” o é somente na aparência significa que alguém já a resolveu, e, então, o termo não mais se aplica.

Cientistas e incrédulos podem chafurdar em contradições, mas os cristãos não devem tolerá-las. Pelo contrário, ao invés de abandonar a unidade da Escritura e a lei da não-contradição como uma “defesa” contra aqueles que acusam as doutrinas bíblicas de serem contraditórias, devem afirmar e demonstrar a coerência dessas doutrinas. Por outro lado, os cristãos devem expor a incoerência das crenças não-cristãs, e desafiar seus adeptos a abandoná-las.


A INFALIBILIDADE DA ESCRITURA


A infalibilidade bíblica acompanha necessariamente a inspiração e a unidade da Escritura. A Bíblia não contém erro algum; ela está correta em tudo o que declara. Visto que Deus não mente nem erra, e que a Bíblia é a sua palavra, segue-se que tudo que nela está escrito tem que ser verdade. Jesus disse, “a Escritura não pode ser anulada” (João 10:35), e que “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Lucas 16:17).
A INFALIBILIDADE da Escritura se refere a uma incapacidade para errar — a Bíblia não pode errar. INERRÂNCIA, por outro lado, enfatiza que a Bíblia não erra. A primeira faz alusão ao potencial, enquanto a última se dirige ao real estado de coisas. Estritamente falando, infalibilidade é a palavra mais forte, e ela acarreta necessariamente a inerrância, mas algumas vezes as duas são intercambiáveis no uso.

É possível alguém ser falível, mas produzir um texto que esteja livre de erro. Pessoas que são capazes de cometer enganos, apesar de tudo, não erram constantemente. Contudo, há aqueles que rejeitam a doutrina da inerrância, mas ao mesmo tempo desejam afirmar a perfeição de Deus e a Bíblia como a sua palavra, e como resultado, mantém a impossível posição de que a Bíblia é deveras infalível, mas contendo erros.

Algumas vezes, o que eles querem dizer é que a Bíblia é infalível num sentido, talvez no que se relaciona às coisas espirituais, enquanto que contém erros em outro sentido, talvez no que toca aos acontecimentos históricos. Contudo, as afirmações bíblicas sobre as coisas espirituais estão inseparavelmente unidas às declarações bíblicas sobre a história, de forma que é impossível afirmar uma enquanto se rejeita a outra. Por exemplo, ninguém pode separar o que a Escritura diz sobre a ressurreição como um evento histórico e o que ela diz sobre seu significado espiritual. Se a ressurreição não aconteceu como a Bíblia diz, o que ela diz sobre seu significado espiritual não pode ser verdade.

O desafio para aqueles que rejeitam a infalibilidade e a inerrância bíblica é que eles não têm nenhum princípio epistemológico autorizado pelo qual possam julgar uma parte da Escritura como sendo acurada e outra não. Visto que a Escritura é a única fonte objetiva de informação a partir da qual todo o sistema cristão é construído, alguém que considere qualquer porção ou aspecto da Escritura como falível ou contendo erros deve rejeitar todo o cristianismo. Novamente, esse é o porquê de não haver um princípio epistemológico mais alto para julgar uma parte da Escritura como sendo correta e outra errada.

Não se pode questionar ou rejeitar a autoridade última de um sistema de pensamento e ainda reivindicar lealdade a ele, visto que a autoridade última em qualquer sistema define o sistema inteiro. Uma vez que uma pessoa questiona ou rejeita a autoridade última de um sistema, ele não é mais um adepto dele, pelo contrário, é alguém que adere ao princípio ou autoridade pelo qual ele questiona ou rejeita a autoridade última do sistema, a qual acabou de deixar para trás. Ter uma outra autoridade última além da Escritura é rejeitá-la, visto que a própria Bíblia reivindica infalibilidade e supremacia.

Alguém que rejeita a infalibilidade e a inerrância bíblica assume a posição intelectual de um incrédulo, e deve prosseguir para defender e justificar sua cosmovisão pessoal contra os argumentos dos crentes a favor da veracidade da fé cristã.

A confusão permeia o estado psicológico prevalecente no meio teológico de hoje; logo, é melhor afirmar tanto a infalibilidade como a inerrância bíblica, e explicar o que queremos dizer com esses termos. Deus é infalível, e visto que a Bíblia é a sua palavra, ela não pode ter e não contém nenhum erro. Nós afirmamos que a Bíblia é infalível em todo sentido do termo, e, portanto, ela deve ser também inerrante em todo sentido do termo. A Bíblia não pode e não contém erros, seja falando de coisas espirituais, históricas ou de outros assuntos. Ela é correta em tudo o que afirma.



A AUTORIDADE DA ESCRITURA

Precisamos determinar a extensão da autoridade da Bíblia, para verificar o nível de controle que ela deve ter sobre as nossas vidas. A inspiração, unidade e infalibilidade da Escritura implicam que ela possui autoridade absoluta. Visto que a Escritura é a própria palavra de Deus, ou ele falando, a conclusão necessária é que ela porta a autoridade de Deus. Por conseguinte, a autoridade da Escritura é idêntica à autoridade divina.

Os escritores bíblicos algumas vezes se referem a Deus e a Escritura como se os dois fossem intercambiáveis. Como Warfield escreve: “Deus e as Escrituras são trazidos em tal conjunção para mostrar que na questão de autoridade, nenhuma distinção foi feita entre eles”.

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:1-3).

“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3.8).

“Então disse o SENHOR a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Faraó, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que me sirva;Porque esta vez enviarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não há outro como eu em toda a terra.Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com pestilência, e para que sejas destruído da terra;Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com pestilência, e para que sejas destruído da terra” (Êxodo 9:13-16).

“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra” (Romanos 9:17).

Enquanto a passagem de Gênesis diz que foi “o Senhor” que falou a Abraão, Gálatas diz, “A Escritura previu....[A Escritura] anunciou...”. A passagem de Êxodo declara que foi “o Senhor” quem disse a Moisés o que falar a Faraó, mas Romanos diz, “a Escritura diz a Faraó...”.

Visto que Deus possui autoridade absoluta e última, a Bíblia sempre porta autoridade absoluta e última. Já que não existe diferença alguma entre Deus falando e a Bíblia falando, não há diferença nenhuma entre obedecer a Deus e obedecer a Bíblia. Crer e obedecer a Bíblia é crer e obedecer a Deus; não crer e não obedecer a Bíblia é não crer e não obedecer a Deus. A Bíblia não é apenas um instrumento através do qual ele nos fala; antes, as palavras da Bíblia são as próprias palavras de Deus falando — não há diferença. A Bíblia é a voz divina para a humanidade, e sua autoridade é total.


A NECESSIDADE DA ESCRITURA

A Bíblia é necessária para a informação precisa e autorizada sobre as coisas de Deus.
Visto que a teologia é central para tudo da vida e do pensamento, a Escritura é necessária como um fundamento para tudo na civilização humana. Aqueles que rejeitam a autoridade bíblica, todavia, continuam a adotar as pressuposições cristãs para governar sua vida e pensamento, embora eles recusem admitir isso. Uma tarefa do apologeta cristão é expor a suposição implícita do incrédulo das premissas bíblicas, a despeito de sua explícita rejeição delas. Mas, à medida que qualquer cosmovisão consistentemente exclua as premissas bíblicas, ela se degenera em ceticismo e barbarismo.

A infalibilidade bíblica é o único princípio primeiro justificável do qual alguém pode deduzir informação sobre assuntos últimos, tais como metafísica, epistemologia e ética.
Conhecimento pertencente a categorias subsidiárias, tais como política e matemática, é também limitado pelas proposições dedutíveis da revelação bíblica. Sem a infalibilidade bíblica como o ponto de partida do pensamento de alguém, o conhecimento não é possível, em hipótese alguma; qualquer outro princípio não consegue justificar a si próprio e, assim, um sistema que depende dele não pode nem mesmo começar. Por exemplo, sem uma revelação verbal de Deus, não há razão universal e autorizada para proibir o assassinato e o roubo. A Bíblia é necessária para todas proposições significativas.

A Escritura é necessária para definir todo conceito e atividade cristã. Ela governa cada aspecto da vida espiritual, incluindo pregação, oração, adoração e instrução. A Escritura é também necessária para que a salvação seja possível, visto que a informação necessária para tal está revelada na Bíblia, e deve aquela ser levada ao indivíduo, para por ela receber a salvação. Paulo escreve, “as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15).

Uma seção anterior deste livro salienta que todos os homens sabem que o Deus cristão existe, e que Ele é o único Deus. Os homens nascem com esse conhecimento. Embora isso seja suficiente para tornar a incredulidade culpável, é insuficiente para a salvação.
Adquire-se conhecimento sobre a obra de Cristo diretamente da Escritura, ou indiretamente, mediante a pregação ou escrito de outro. Portanto, a Escritura é necessária para o conhecimento que conduz à salvação, as instruções que levam ao crescimento espiritual, as respostas às questões últimas, e qualquer conhecimento sobre a realidade. Ela é a pré-condição necessária para todo o conhecimento.


A CLAREZA DA ESCRITURA


Há dois extremos, com respeito à clareza da Escritura, que os cristãos devem evitar. Um, é sustentar que o significado da Escritura é totalmente obscuro à pessoa comum — que somente uma elite e um grupo de indivíduos escolhidos podem interpretá-la. Outro, é a opinião que alega que a Escritura é tão clara que não há parte alguma dela que seja difícil de ser entendida, e que nenhum treinamento em hermenêutica é requerido para manusear o texto. Por extensão, a interpretação de um teólogo maduro não é mais confiável do que a opinião de uma pessoa despreparada.

A primeira posição isola o uso da Escritura do povão em geral, e impede qualquer pessoa de contestar o entendimento bíblico de profissionais estabelecidos, mesmo quando eles estão enganados.

A segunda também é perigosa. A Bíblia não é tão fácil de compreender que qualquer pessoa possa interpretá-la com igual competência. Mesmo o apóstolo Pedro, quando se referindo ao escritos de Paulo, diz que “suas cartas contêm algumas coisas que são difíceis de entender”. Ele adverte que “as pessoas ignorantes e instáveis distorcem” o significado das palavras de Paulo, “assim como eles fazem com outras Escrituras, para a sua própria destruição” (2 Pedro 3.16).

Muitos gostariam de julgar a si mesmos competentes em assuntos importantes tais como teologia e hermenêutica mas, ao invés de orarem por sabedoria e estudarem as Escrituras, supõem serem tão capazes quanto os teólogos ou os seus próprios pastores.
Tal modo de pensar é um convite ao desastre e à confusão. Diligência, treinamento e capacitação divina, tudo isso contribui para a capacidade de alguém interpretar e aplicar a Bíblia.

Embora muitas passagens na Bíblia sejam fáceis de entender, algumas delas requerem diligência extra e sabedoria especial para serem interpretadas acuradamente. É possível para uma pessoa ler a Escritura e adquirir dela entendimento e conhecimento suficientes para salvação, embora algumas vezes alguém possa precisar de um crente instruído até para isso:

“E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse” (Atos 8:30-31).

É possível também aprender os dogmas básicos da fé cristã, simplesmente lendo a Bíblia. Mas há passagens ali que são, em diferentes graus, difíceis de entender. Nesses casos, alguém pode solicitar o auxílio de ministros e teólogos para as explicarem, de forma a evitar a distorção da palavra de Deus.

Neemias 8:8 afirma o lugar do ministério de pregação: “E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”.

Contudo, a autoridade final repousa nas palavras da Escritura mesma, e não na interpretação dos eruditos. Ela nunca está errada, embora nosso entendimento e inferências dela extraídos possam estar, algumas vezes, equivocados. Este é o motivo pelo qual toda igreja deveria preparar seus membros na teologia, na hermenêutica e na lógica, de forma que eles possam manusear melhor a palavra da verdade.

Portanto, embora a doutrina da clareza da Escritura conceda a cada pessoa o direito de ler e interpretar a Bíblia, ela não elimina a necessidade de mestres na igreja mas, antes, afirma a sua necessidade. Paulo escreve que um dos ofícios ministeriais que Deus estabeleceu foi o de mestre, e que ele apontou indivíduos para desempenhar tal função (1 Coríntios 12.28).

Mas Tiago adverte que nem todos deveriam ansiar assumir tal ofício: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tiago 3:1). Em outro lugar, Paulo escreve, “Digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação...” (Romanos 12:3).

Aqueles escolhidos por Deus para serem ministros da doutrina são capazes de interpretar as passagens mais difíceis da Escritura, e podem também extrair valiosos insights que podem evitar outras dificuldades das passagens mais simples também.

Efésios 4:7-13 se refere a tal ofício como um dos dons de Cristo à sua igreja e, conseqüentemente, os cristãos devem valorizar e respeitar aqueles que estão em tal ministério.

Vivemos numa geração na qual pessoas desprezam a autoridade; elas detestam ouvir o que devem fazer ou crer.  A maioria nem mesmo respeita a autoridade bíblica, para não citar a autoridade eclesiástica. Elas consideram as suas opiniões tão boas quanto as dos apóstolos, ou, no mínimo, dos teólogos e pastores; sua religião é democrática, não autoritária. Mas a Escritura ordena os crentes a obedecerem aos seus líderes: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hebreus 13.17).

Todo crente tem o direito de ler a Bíblia por si mesmo, mas isto não deve se traduzir em desafio ilegítimo contra os sábios ensinos dos eruditos ou contra a autoridade dos líderes da igreja.

Nesse ponto, é bom lembrar que “não há diferença entre obedecer a Deus e obedecer à Escritura, e visto ser ela o nosso contato direto com a vontade divina revelada, o objeto imediato de nossa lealdade é a Bíblia (Atos 17:11), pela qual podemos testar os ensinos e práticas daqueles que estão em posição de ensino e autoridade na igreja. Portanto, ensinos e práticas que neguem as doutrinas escriturísticas, tais como a infalibilidade bíblica e a ressurreição de Cristo, constituem fundamentos suficientes para desafiar a autoridade. “Devemos obedecer antes a Deus, do que aos homens” (Atos 5:29).”



A SUFICIÊNCIA DA ESCRITURA


Muitos cristãos alegam afirmar a suficiência da Escritura, mas seu real pensamento e prática negam-na. A doutrina afirma que a Bíblia contém informação suficiente para alguém, não somente para encontrar a salvação em Cristo, mas para, subsequentemente,  receber instrução e direção em todo aspecto da vida e pensamento, seja por declarações explícitas da Escritura, ou por inferências dela necessariamente retiradas.

A Bíblia contém tudo que é necessário para construir uma cosmovisão cristã compreensiva que nos capacite a ter uma verdadeira visão da realidade. A Escritura nos transmite, não somente a vontade de Deus em assuntos gerais da fé e conduta cristãs, mas, ao aplicar preceitos bíblicos, podemos também conhecer sua vontade em nossas decisões específicas e pessoais. Tudo que precisamos saber como cristãos é encontrado na Bíblia, seja no âmbito familiar, do trabalho ou da igreja.

Paulo escreve que a Escritura não é somente divina na origem, mas é também abrangente no escopo:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para  redargüir, para corrigir, para instruir em justiça. Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).

A implicação necessária é que os meios de instrução extra-bíblicos, tais como visões e profecias, são desnecessários, embora Deus possa ainda fornecê-los, quando for de seu agrado.

Os problemas ocorrem quando os cristãos sustentam uma posição que equivale a negar a suficiência da Escritura em fornecer abrangente instrução e direção. Alguns se  queixam que na Bíblia falta informação específica que alguém precisa para tomar decisões pessoais; entretanto, à luz das palavras de Paulo, deve-se entender que a falta reside nesses indivíduos, e não no fato de que a Bíblia seja insuficiente.

Aqueles que negam a suficiência da Escritura carecem da informação de que necessitam, por causa da sua imaturidade espiritual e negligência. A Bíblia é deveras suficiente para dirigi-los, mas negligenciam o estudo dela. Alguns também exibem forte rebelião e impiedade. Embora a Bíblia se dirija às suas situações, recusam-se a submeter aos seus mandamentos e instruções. Ou, eles rejeitam aceitar o próprio método de receber direção da Escritura juntamente, e exigem que Deus os dirija através de visões, sonhos e profecias, quando ele lhes deu tudo de que necessitam, através da Bíblia.

Quando Deus não atende às suas demandas ilegítimas por direção extra-bíblica, alguns decidem até mesmo procurá-la através de métodos proibidos, tais como astrologia, adivinhação e outras práticas ocultas. A rebelião deles é tal que, se Deus não fornecer a informação desejada nos moldes prescritos por eles, ficam determinados a obtê-la do diabo.

O conhecimento da vontade de Deus não vem de orientação extra-bíblica, mas de uma compreensão intelectual e de uma aplicação da Escritura.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela  renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

A teologia cristã deve afirmar, sem reservas, a suficiência da Escritura como uma fonte completa de informação, instrução e direção. A Bíblia contém toda a vontade divina, incluindo a informação de que alguém precisa para salvação, desenvolvimento espiritual e direção pessoal. Ela contém informação suficiente, de forma que, se alguém a obedece completamente, estará cumprindo a vontade de Deus em cada detalhe da vida. Mas, ele comete pecado à extensão em que falha em obedecer à Escritura. Embora nossa obediência nunca alcance perfeição nesta vida, todavia, não há nenhuma informação  que precisemos para viver uma vida cristã perfeita, que já não esteja na Bíblia.

O apóstolo Paulo escreve:

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

A teologia cristã deve afirmar, sem reservas, a suficiência da Escritura como uma fonte completa de informação, instrução e direção. A Bíblia contém toda a vontade divina, incluindo a informação de que alguém precisa para salvação, desenvolvimento espiritual e direção pessoal. Ela contém informação suficiente, de forma que, se alguém a obedece completamente, estará cumprindo a vontade de Deus em cada detalhe da vida. Mas, ele comete pecado à extensão em que falha em obedecer à Escritura.


Embora nossa obediência nunca alcance perfeição nesta vida, todavia, não há nenhuma informação que precisemos para viver uma vida cristã perfeita, que já não esteja na Bíblia.