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domingo, 19 de julho de 2015

SALVAÇÃO - O PENSAMENTO ARMINIANO

INTRODUÇÃO
(texto de CVPFB)

O Arminianismo é um sistema teológico baseado nas idéias do pastor e teólogo reformado holandês Jacob Harmensz, mais conhecido pela forma latinizada de seu nome Jacobus Arminius. No inglês, é usualmente referenciado como James Arminius ou Jacob Arminius. Em português, seu nome seria Jacó Armínio.

Embora tenha sido discípulo do notável calvinista Teodoro de Beza, Armínio defendeu uma forma evangélica de sinergismo (crença que a salvação do homem depende da cooperação entre Deus e o homem), que é contrária ao monergismo, do qual faz parte o Calvinismo (crença de que a salvação é inteiramente determinada por Deus, sem nenhuma participação livre do homem).

O sinergismo arminiano difere substancialmente de outras formas de sinergismo, tais como o Pelagianismo e o Semipelagianismo. Enquanto o Arminianismo é uma doutrina bíblica, o Pelagianismo nega o pecado original e o Semipelagianismo atribui ao homem a iniciativa da salvação. Não podem ser consideradas doutrinas bíblicas. Já o arminianismo credita a Deus a iniciativa da salvação, capacitando ao homem, pela graça preveniente, aceitar Jesus como único e suficiente Salvador.

De modo análogo ao arminianismo, também há variações entre as crenças monergistas (calvinistas), tais como o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo.

Armínio não foi o primeiro e nem o último sinergista na história da Igreja. De fato, há dúvidas quanto ao fato de que ele tenha introduzido algo de novo na teologia cristã. Os próprios arminianos costumavam afirmar que os pais da Igreja grega dos primeiros séculos da era cristã e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas, tais como o reformador católico Erasmo de Roterdã. 

Até mesmo Philipp Melanchthon (1497-1560), companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse.

Armínio e seus seguidores divergiram do monergismo calvinista por entenderem que as crenças calvinistas na eleição incondicional (e especialmente na reprovação incondicional), na expiação limitada e na graça irresistível:

1) seriam incompatíveis com o caráter de Deus, que é amoroso, compassivo, bom e deseja que todos se salvem. Nesse, ponto, se a a eleição é incondicional e atribuída unicamente a Deus, como pregam os calvinistas, por que Deus não salva a todos? Bastaria que elegesse a todos! Inobstante, se Deus não salva a todos, seria injusto se a salvação dependesse apenas de Deus.

2)  violariam o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. Se Deus não dá ao homem nenhuma possibilidade de escolha, então o homem seria um autômato, não seria responsável por ser salvo. Assim, o arminianismo vai tecer uma teoria baseada na graça preveniente, em que de fato o homem no estado de depravação total em que caiu não tem livre arbítrio, mas a graça de Deus o capacitou a poder fazer a boa escolha. Alega que Deus não poderia permitir ao homem escolher, como está escrito, e ao mesmo tempo impedir que o homem escolhesse, pois estaria zombando do homem e isso é incompatível com o caráter de Deus e as Sagradas Escrituras.

3) levariam à consequência lógica inevitável de que Deus fosse o autor do mal e do pecado. De fato, se Deus elege e predestina alguns para a salvação, e outros para a perdição, então Deus é o autor do pecado porque poderia ter eleito e predestinado a todos, e não o fez. Portanto, porque predetermina a todos, inescapavelmente consentiria com o pecado.

Fonte:  Pr. Flávio Cardoso,  site: Arminianismo.com




I - SALVAÇÃO – A POSIÇÃO ARMINIANA
(texto de Paulo Roberto) 

Afinal de contas o que é o Arminianismo? É a doutrina do Livre-Arbítrio? Prega que o homem tem a capacidade de escolher a Salvação? Prega que o homem pode cair e retornar à Graça o tempo todo?

Nega a Soberania de Deus? Nega a Eleição e a Predestinação, que estão na bíblia? Alguns responderiam essas perguntas de bate-pronto, contudo o que realmente expôs Jacó Arminius e John Wesley (Os expoentes clássicos desta posição) e o que expõe hoje os eruditos arminianos de hoje que efetivamente conhecem essa doutrina.

Passo a discorrer sobre o Arminianismo Clássico (Em sentido amplo, mais tarde veremos porque faço essa diferenciação), ou seja sobre o Arminianismo que verdadeiramente foi ensinado por seus teólogos e pregadores íntimos da Bíblia e da doutrina tal qual foi sistematizada inicialmente, nesse primeiro sentido da expressão Arminianismo Clássico quer-se dizer que nada tem a ver com os conceitos errôneos daqueles que talvez até se achem arminianos contudo são na verdade pelagianos ou semipelagianos( logo veremos as diferenças).

Em síntese o Arminianismo é a posição soteriológica que sistematiza o procedimento da Salvação tal qual é narrado nas escrituras, conciliando princípios básicos das Escrituras, como o caráter bom, amoroso, justo e relacional de Deus e sua isenção ao não fazer acepção de pessoas

“Ele ama a justiça e a retidão; a terra está cheia da bondade do Senhor." Salmos 33:5”,

“Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. Romanos2:11 .

Assim como há ausência de prazer em Deus na morte e falta de arrependimento: Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e  viva? (Ezequiel 18:23).

Assim sendo,  ficam aspectos importantes da salvação explicitados em uma sistematização de 5 pontos, tal qual sua posição antagônica. Em verdade, segundo algumas fontes  foram os próprios arminianos durante a Remonstrância e os eventos históricos envolvendo o sínodo de Dort que provocaram a sistematização das duas posições principais sobre Salvação em 5 pontos essenciais (1). 

Por sinal, em questão histórica, obviamente que o Arminianismo não surge com Arminius, não foi inventado por ele, somente sistematizado, assim como sua posição antagônica não foi criada pelo Reformador de Genebra (Jean Calvin, ou, João Calvino), já existia antes. 

Inclusive dentre os chamados “ Pais da Igreja” as posições predominantes, ou era aquela que mais tarde viriam a ser conhecida como Arminianismo (Tais como Cipriano no século III e Clemente de Roma no primeiro século(2) ), ou era Semipelagiana (3). O monergismo contrário ao sinergismo arminiano surgiria mais tarde com Agostinho, que antes de sustentar tal posição passeou pelo Arminianismo, tendo sido possivelmente o primeiro a utilizar  expressão “Graça Preveniente”, a qual será também explanada mais adiante.(4) e (5)



II – OS CINCO PONTOS ARMINIANOS

Por conseguinte afirmamos ser o acróstico dos 5 pontos do Arminianismo a sigla FACTS


FACTS:

    Freed by Grace (to Believe) – Livre pela graça (para crer)
    Atonement for All – Expiação para Todos
    Conditional Election – Eleição Condicional
    Total Depravity – Depravação Total
    Security in Christ – Segurança em Cristo


Passo a expor em espécie cada um dos 5 pontos:


    1) Freed by Grace (to Believe) – Livre pela graça (para crer) – Esse primeiro ponto consistirá em dois princípios, que a graça foi derramada sobre todos os homens, contudo por que então todos os homens não seriam salvos? Porque tal graça é preveniente, e esse será nosso segundo princípio em relação a graça.

    1) a - Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, Tito 2:11 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Romanos 5:18

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Hebreus 2:9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. João 1:9 ,

Diante de tais afirmativas bíblicas resta-nos entender que a graça salvadora foi dada a todos os homens, logo a principal finalidade da Graça sempre será salvar o homem, não parece existir uma graça que não salva e outra que salva, contudo entende-se  que a Graça em um primeiro momento é Preveniente, ou seja vem antes mesmo que o homem se converta, em verdade ela serve para que o homem se converta, só é possível ao homem que é totalmente depravado(como veremos adiante) receber a dádiva da Salvação porque Deus com sua graça o capacitou, logo o Arminianismo, ao contrário do que faz o Pelagianismo ( Doutrina defendida pelo Monge Pelágio contra Agostinho, no séc. V) e o Semipelagianismo (Doutrina de João Cassiano que nega a depravação total),  alega que só existe livre-arbítrio porque houve um contrabalanceamento por parte de Deus no homem, é como se o homem fosse uma mesa desnivelada e a graça preveniente fosse um calço colocado por Deus, equilibra mas ainda não é a restauração completa que somente virá após o Novo Nascimento

1) b – Todavia tal graça é resistível - "E não quereis vir a mim para terdes vida.
João 5:40 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Mateus 23:37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Lucas 13:34 Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Jo. 12 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. João 3:18,19.


Baseado em tais textos o Arminianismo afirma que a Graça é resistível todos os homens podem rejeitar ou aceitar a Graça, ou seja podem ceder a sua natureza pecaminosa de vez ou optar por desfrutar da plenitude da Graça que lhe foi oferecida através do novo nascimento.


    2) Atonement for All – Expiação para Todos - "E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1 João 2:2" 18 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Rm. 5 22 Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. 1 Co. 15 Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14,15 .

O Entendimento arminiano salienta que Cristo morreu por todos os seres humanos defendendo assim a chamada Expiação Ilimitada(ou Ilimitada Limitada), pois a morte vicária de Cristo tem poder suficiente para expiar os pecados de toda humanidade mas em um aspecto subjetivo de Salvação só é aplicável aqueles que aceitam o amoroso chamado do Espírito Santo.(6)

    3) Conditional Election – Eleição Condicional - Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. 1 Pedro 1:2   Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29  Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. 1 Timóteo 2:4 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. 2 Pedro 3:9.

    3.a) A Bíblia deixa claro que o desejo de Deus é que todos se salvem, nem todos serão salvos como já dito por causa da rejeição que alguns fazem à Graça, a Eleição se dá em Cristo ou seja aqueles que capacitados por sua graça atenderam ao seu chamado são os seus Eleitos, obviamente um Deus onisciente o é também em relação ao tempo e sendo assim realizou essa eleição dentro de sua atemporalidade antevendo aqueles que aceitariam o seu chamado.


    3.b) o Arminianismo crê em Eleição Incondicional nos contextos Corporativo e pra Funções, ou seja a Igreja e a Nação de Israel por exemplo são Eleitos incondicionalmente, Deus escolheu esses povos incondicionalmente, assim como dentre os salvos Ele elege de maneira incondicional pessoas para diversas funções, tal qual escolheu os profetas no Velho Testamento.(7)

4) Total Depravity – Depravação Total - Gênesis 6.5-6: "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração." Gênesis 8.21: "E o SENHOR sentiu o suave cheiro, e o SENHOR disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz."Salmo 58.3: "Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras." Provérbios 20.9: "Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?"Romanos 5.12: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram."

O Arminianismo se coaduna em pensamentos com o monergismo pelo menos nesse ponto, o homem é naturalmente inclinado ao pecado, não há nele nada para que se salve, ele não pode alcançar Deus, está miseravelmente enfermo da alma o livre-arbítrio libertário só existe pela ação da Graça Preveniente que tem a finalidade de dar ao homem a oportunidade de Salvar-se pela Obra de Cristo.


    Security in Christ – Segurança em Cristo - 12 Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. 39 Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.

É Aqui que há diversidade no pensamento Arminiano. Aqui o Arminianismo Clássico ganhará um sentido estrito, o qual seria dos chamados Arminianos de 4 pontos, que entendem a perseverança dos Santos como garantia de que o crente genuinamente nascido de Novo jamais cairá. Essa posição existe porque, segundo consta nos registros históricos sobre Arminius e seus primeiros alunos, tais homens não chegaram a consolidar a possibilidade de queda. Contudo, há também os Aminío-Wesleyanos, que tal como John Wesley afirmam ser plenamente possível que se caia da Graça no caso de Apostasia(8), contudo ressalta-se que tal posição não implica no chamado cai-cai, a Apostasia seria verdadeiramente alguém que foi claramente um Cristão voltar-se agora contra o Evangelho, descrer de tal bênção ou ainda distorcê-lo em uma Heresia de Perdição.


III - CONSIDERAÇÕES FINAIS

1) Afirmações Equivocadas sobre o Arminianismo

a) O Arminianismo é uma doutrina que prega salvação pelas obras e mérito – Diante de toda a exposição crê-se que ficou claro que o Arminianismo credita a graça de Deus e ao sacrificio de Cristo à Salvação, não há mérito nenhum em um miserável mendigo que recebe um banquete e o aceita, pois não foi ele quem pagou o preço nem tinha autonomia para entrar naquele banquete simplesmente por querer o mérito é de quem pagou o preço e o convidou.

b) O Arminianismo nega a depravação total – De forma alguma, como foi dito é o único ponto em que concordam 100% Arminianos e monergistas a diferença é que o Arminianismo atribui à graça preveniente a possibilidade de escolha.

c) O Arminianismo nega a Soberania de Deus- Neste caso há de se ver o que se entende por Soberania, o Arminianismo entende ser Deus Soberano sobre sua própria Soberania, ou seja Deus criar seres dotados de vontade própria não o tira do Governo da História e da Humanidade.

d) O Arminianismo é herético – Crê-se que seja tal afirmação por demais exagerada mesmo porque tanto a posição sinergista como monergista foram declaradas heresias em concílios e sínodos ao longo da hstória da Igreja sempre em algum momento uma prevalecendo sobre a outra.

e) As igrejas pentecostais em geral são Arminianas- Negativo, infelizmente é pouco conhecido o Arminianismo de verdade no meio pentecostal rendendo-se tais igrejas, ainda que involuntariamente, ao Pelagianismo e ao Semipelagianismo.


2) Igrejas, Avivalistas, Pregadores e Pastores expoentes do Arminianismo Clássico:

Igrejas: Igreja Metodista, Igrejas Batistas do Brasil ( A CBB é de orientação Arminiana de 4 pontos, todavia o meio Batista é livre para adotar posições teológicas diversas) e Igreja do Nazareno.

Avivalistas ,Pregadores e Pastores Históricos: Jonh e Charles Wesley, D.L. Moody,C.S. Lewis, A.W. Tozer , Leonard Ravenhill e David Wilkerson.

Pastores Vivos: Billy Graham, Jerry Walls, Roger Olson( Americanos), Brasileiros: Ildo Mello, Claudionor de Andrade, Silas Daniel.

Obs: Existem “Arminianos não-confessos” que apesar de defenderem basicamente a doutrina aqui apresentada não costumam se chamar de Arminianos, pois preferem dizer-se “Não-Calvinistas”, ou nem Calvinista, nem Arminiano, dentre os quais podemos citar respeitosamente, Ciro Zibordi, Antônio Gilberto e Paulo Júnior.

3) A ICM e o Arminianismo – Há pouco conhecimento do arminianismo na ICM. Algumas de suas posições podem coincidir em algum ponto, porém não é proposital. Existem alguns membros com orientação arminiana e até alguns poucos que conhecem tal doutrina e com ela se identificam, contudo a atual posição oficial é um arminianismo com eleição incondicional ( como se fosse um calvinismo de 1 ponto), sendo que alguns que não concordam com a eleição incondicional tendem a incorrer num ponto equivocado de Eleição Universal.


(1) Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, p. 396
(2)  Roger Olson, História das Controvérsias na Teologia Cristã, p. 381
(4) Norman Geisler, Eleitos Mas Livres
(6) Vinicius Couto, Introdução a Teologia Amínio-Wesleyana, p. 48/49, citando Jacó Arminius
(7)Vinicius Couto, Introdução a Teologia Amínio-Wesleyana, p. 40
(8)Vinicius Couto, Introdução a Teologia Amínio-Wesleyana, p. 91


Texto da autoria de Paulo Roberto


(Nota de CVPB: o autor, Paulo Roberto, é simpatizante da doutrina arminiana, conhece-a profundamente, é um estudioso das Escrituras sincero, sábio e capaz, pelo que é indicado a defendê-la, inclusive para que sejamos justos e tenhamos um debate justo)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

NASCER DE NOVO





I – INTRODUÇÃO

Você está prestes a conhecer a mensagem mais incrível da Bíblia, a mensagem mais importante para a sua vida, para todo ser que vive.

Todos nós paramos ante um assunto muito importante. Todos nós procuramos conhecer os pormenores, o que, onde, quando, como  e o por que. 

Um acontecimento ímpar fica em voga várias semanas, até meses. Se for muito importante, se 
consistir de um impacto tremendo, nunca mais será esquecido. Foi assim, por exemplo, com o holocausto, ou a queda insana, odiosa, cruel e diabólica (faltam-me adjetivos) das torres gêmeas. 

Todavia, há uma verdade que parecer estar esquecida, da qual poucos se lembram. Uma verdade que consiste, nada mais, nada menos, no divisor de águas na vida de todo ser humano. Algo tão importante que marcará para sempre, e eternamente, o resto de nossas vidas. Ainda assim, essa verdade não possui o lugar de destaque no coração da humanidade.

É uma verdade um tanto esquecida, até mesmo para os evangélicos. Quando dela se lembram é sempre assim: Ah! Também tem isso!

Parece que está no inconsciente coletivo essa grande verdade. Ela está lá, como que gritando, como se quisesse arrebentar os ferrolhos da ignorância e da insensibilidade que envolver o homem natural, moldados pela cultura civilizada:

“A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela.” Max Frisch

“Se queres compreender os milagres, deves começar por fazê-los tu mesmo.”Ludwig Van Beethoven

Sim, parece que o homem, inconscientemente, crê no sobrenatural, mas fica essa verdade adormecida pelos cuidados da vida e pelas coisas fúteis da vã maneira de viver. Se alguém dá um remelexo no dormente logo ouve: quieto, não perturbe! Estou sonhando! Deixe-me assim enquanto o tempo passa! Acordar é por demais cansativo, ou doloroso!

Manter o homem no sono e distrair a alma da sua angústia. Quem quiser ganhar dinheiro faça isso. Inventem redes sociais, smarts explodindo de tecnologia, filmes e novelas, torneios idiotas, campeonatos, revistas de fofoca, tudo para distrair o dormente. Enquanto fica em mensagens fúteis e afazeres bobos, a alma, paralisada, não encontra sensibilidade para expressar seus anseios.

E se de alguma maneira surge aquele vazio. Ah! Aquele momento a sós, em que teimamos em refletir! Não se preocupe, há um smartfhone ao alcance do polegar, basta um clique e o falso mundo de cores exsurge diante das olheiras ávidas para esquecer o inadiável.

O novo nascimento!

Muitas denominações se esqueceram dessa verdade bíblica. Quando o Senhor Jesus curava enfermos e multiplicava pães e peixes, alertou a multidão sobre essa verdade única e incomparável. Mas muitos simplesmente se retiraram. Vejam João 6:26 e seguintes:

 26 Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.
57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
58 Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
60 Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? 
63 O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.
65 E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.
66 Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele.


Fico imaginando.......onde está a dureza do discurso? Eu não consigo entender. Duro porque queriam somente o alimento material, duro porque não queriam compromisso, duro porque estava bom do jeito que estavam: escravos do pecado? Por isso, quando foi requerido que deviam seguir a Cristo, se retiraram. Era só um operador de milagres, muito bom se não mudasse nada realmente importante na vida desses discípulos que se afastaram. Era a mesma raça de víboras que buscava João Batista, queriam a bênção, mas não queriam deixar a vã maneira de viver. A acusação foi essa: O Pai não vos enviou a Mim! Não sois das minhas ovelhas! Em suma, não houve novo nascimento. 

Jesus enfatizou sobremaneira essa verdade (necessário nascer de novo), fez dela a condição sine qua non para entrar no Reino de Deus, Seu Reino.

Ensinou-a em todas as ocasiões, sempre comparando os que longe dEle se encontravam a mortos. Para o Senhor, estar longe de Jesus é estar morto. De outro lado, tÊ-lo significa estar vivo eternamente.

Mas por que razão esta poderosa verdade encontra-se apagada do púlpito cristão, notadamente do púlpito de algumas igrejas pentecostais e neopentecostais?

A resposta é mui simples. Pode ser que alguns se retirem, pode ser que alguns membros não gostem da pregação. Inobstante, se as verdadeiras ovelhas se conscientizarem dessa verdade, o poder da denominação, do ministério, fica esmaecido. Afinal, as ovelhas nascidas de novo já tem tudo: Jesus, o Deus da vida. 

Mas será que estou inventando um novo título para o Senhor? Creio que não, Ele é o príncipe da vida, pai da eternidade.


II – NASCER DE NOVO - REGENERAÇÃO

Preste atenção naquele bebê por um instante. Tão frágil, tão pequeno!

Mas quando um casal tem um filho a vida deles muda radicalmente. A casa vira uma bagunça. Tudo gira em torno do recém-nascido, muda o centro gravitacional da família. Qualquer espirro é um Deus nos acuda. Vira o assunto mais comentado. É o centro das atenções! 

Toda e qualquer foto e ele está lá, o bebê. Os pais não podem mais viver sem ele, nem os outros, amigos, familiares e conhecidos. Aquela criança repentinamente, e para sempre, entrou na vida de todos.

Pois bem, o nascido de novo é assim. Aquele que nasce de novo passa por um estágio assim. Tudo muda de lugar, uma reviravolta completa na vida, nova vida, tudo novo, eis que as coisas velhas vão ficando para trás, eis que tudo é novidade de vida. 

Charles H. Spurgeon assim define o novo nascimento:

“Primeiro, então, a questão da regeneração. No esforço de explicá-la, devo destacar antes de tudo a ilustração que é usada. Nos é dito que as pessoas têm de nascer de novo. Não posso ilustrar isso melhor do que imaginando um caso. Imagine que na Inglaterra fosse aprovada uma nova lei do acesso à corte real: o atendimento nas repartições públicas e qualquer privilégio na nação só seria dado a quem tivesse nascido na Inglaterra — que o nascimento neste país se tornasse condição sine qua non, e que fosse declarado definitivamente que, não importa o que as pessoas fossem ou fizessem, se não tivessem nascido como súditos ingleses, não poderiam entrar na presen­ça de Sua Majestade, usufruir dos serviços do Estado nem qual­quer privilégio dos cidadãos. 

Acho que, se vocês puderem imaginar um caso como este, poderei ilustrar a diferença entre as mudanças e reformas que as pessoas fazem em si mesmas e a verdadeira obra de ser nascido de novo. 

Imaginemos, então, que um estrangeiro — um índio, por exemplo — viesse a esse país e se esforçasse por obter os privilégios de um cidadão, bem sabendo que a regra é absoluta e não pode ser alterada, que os privilégios são só para os súditos nascidos aqui. 

Imaginemos que ele diga: "Vou mudar meu nome; adotarei o nome de um inglês. Entre os sioux tenho uma posição muito importante, um nome como Filho do Grande Vento do Oeste ou algo assim, mas adotarei um nome inglês, cristão, súdito do rei." Vocês acham que ele será aceito? Você o vê se aproximando dos portões do palácio e solicitar admissão. Ele diz:

—Adotei um nome inglês.
—Mas você é um inglês que nasceu e cresceu aqui?
—Não, não sou.
—Então as portas precisam ficar fechadas para você, porque a lei é absoluta. Mesmo que você tivesse o nome da família real, se não nasceu aqui, você fica fora.

Essa ilustração se aplica a todos nós que estamos aqui presentes. Quase todos nós usamos o nome de cristãos professos; vivendo na Inglaterra, você consideraria uma desgraça se não fosse chamado de cristão. Você não é pagão, não é infiel, não é nem muçulmano nem judeu. Você acha que o nome cristão lhe é devido, e você o assumiu. Pois você pode ter certeza de que ser chamado de cristão não equivale a ter natureza de cristão, e que o fato de ter nascido num país cristão, e ser conhecido como alguém que professa a religião cristã, não é garantia nenhuma se não lhe for acrescentado mais alguma coisa — ser nascido de novo como súdito de Jesus Cristo.

— Mas — diz o índio,
— estou disposto a renunciar às minhas roupas típicas para vestir-me como um inglês. Vou me adaptar em tudo; você não verá nenhuma diferença em relação à maneira usual neste país. Quando eu tiver me vestido como manda a etiqueta, poderei vir à presença do rei? Veja, não vou brandir a machadinha, vou tirar estas penas e roupas de couro, vou jogar fora meus mocassins para sempre. 

—Sou inglês de nome e na maneira de ser.

Ele se aproxima do portão vestido como um inglês, mas este continua fechado, porque a lei exige que ele tenha nascido neste país; sem isto, não importa como ele se veste, ele não pode entrar no palácio. Assim também, quantos de vocês, além de assumir o nome de cristão, também adotaram um comportamento cristão? Vocês vão às suas igrejas e capelas, frequentam a casa de Deus, cuidam que sua família siga alguma forma de religião; seus filhos não ficam sem ouvir o nome de Jesus! Até aí tudo bem. Deus não permita que eu diga alguma palavra contra isso. Mas lembrem: isso não vale nada se vocês não vão além. Tudo isso não serve de nada para granjear admissão no reino do céu se não for acompanhado de — ser nascido de novo. Sim! Vocês podem se vestir com a pompa da vida cristã, colocar o chapéu da benevolência, cingir-se de integridade, vestir os sapatos da perseverança e caminhar pela terra como pessoas honestas e direitas; mas lembrem-se, se não forem nascidos de novo, "o que é da carne é carne", e você, que não tem o Espírito atuando em você, ainda tem as portas do céu fechadas porque não nasceu de novo.

—     Está bem — diz o índio,
— não só adotarei a maneira de vestir, mas aprenderei a língua. Deixarei minha lín­gua, o dialeto que eu falava nos campos e florestas da minha terra. Não usarei mais o xu-xu-gá e os outros nomes estranhos com que chamava os pássaros selvagens e os animais, e vou falar como vocês falam e agir como vocês agem. Vou vestir-me como vocês se vestem, adotar suas maneiras, falar do mesmo jeito, aprender seu sotaque e a gramática certa; então, pode­rei entrar? Fiquei completamente anglicizado; não posso ser recebido?

— Não — diz o guarda na porta,
— só admitimos pessoas nascidas neste país; você não pode entrar.

O mesmo acontecerá com alguns de vocês. Vocês falam como cristãos, talvez com um tom um pouco forçado. Vocês começaram a imitar tão bem que se consideram espirituais até um pouco mais que os outros, e vocês se esforçam tanto que exatamente por isso podemos perceber a falsificação. Mas para as pessoas em geral vocês parecem ser o tipo certo de cristão. Vocês estudaram biografias, e às vezes contam histórias sobre sua experiência com Deus. 

Vocês as copiaram das biografias de bons cristãos; vocês andaram com cristãos e sabem como eles falam. Talvez vocês até têm um jeito puritano; vocês andam pelo mundo como professores; quem os observasse, não perceberia a diferença. Vocês são membros da igreja, foram batizados, participam da Ceia do Senhor, talvez até sejam diáconos ou presbíteros, estendem o cálice para os outros. Vocês são tudo o que cristãos podem ser, só que não têm um coração cristão. Vocês são sepulcros caiados, cheios de podridão por dentro, mesmo que bem enfeitados por fora. Tomem cuidado! É impressionante como um pintor pode chegar perto da expressão da vida, e mesmo assim a tela está morta e sem movimento; é igualmente impressionante como alguém pode chegar perto de ser cristão e ser excluído do céu pela regra absoluta, por não ser nascido de novo. Com toda sua profissão de fé, com toda a pompa da sua alegada vida cristã e com todas as plumas esplêndidas da experiência, ele tem de ser afastado dos portões do céu.

"Você não tem compaixão, Sr. Spurgeon." Não me importo com o que você está dizendo. Não quero ter mais compaixão do que Cristo. Não fui eu quem disse essas coisas: foi Cristo. Se você tem algum problema com ele, resolva-o aqui. Não sou eu quem fiz esta verdade, apenas sou seu porta-voz. Eu achei isto escrito: "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus."

Observe agora a maneira de se obter a regeneração. Creio que aqui não há ninguém tão estúpido, que eu tenha atraído alguém tão sem cérebro, que ainda creia na doutrina da regenera­ção pelo batismo. Sim, tenho de mencionar isto rapidamente. Há pessoas que ensinam que algumas gotas de água aspergidas sobre a cabeça de um bebê o regeneram. Imaginemos que seja assim, e eu encontro estes regenerados vinte anos depois. O ganhador do prêmio da loteria é um homem regenerado. Sim, regenerado por­que foi batizado na infância. Você consegue ouvi-lo praguejando e blasfemando de Deus? Ele está regenerado, creia em mim; o pas­tor pôs alguns pingos de água na sua testa. Você está vendo o bêbado cambaleando pela rua, a peste da vizinhança, brigando com todo mundo e batendo em sua esposa, pior que um selvagem — ele é regenerado! Observe a multidão reunida na rua. A forca foi levantada, está para ser executado um homem cujo nome de­veria ser banido por toda a eternidade, de tão maligno. Ele é rege­nerado, sim, porque foi batizado na infância. Ele estava regenerado enquanto misturava seu veneno e o administrava em pequenas doses, para causar dor infinita e uma morte lenta. E claro que ele é regenerado! Se isto é regeneração, não vale a pena sê-lo; se é isso que nos liberta para o reino do céu, então o evangelho é realmente licencioso; não há mais nada a dizer sobre ele. Se este é o evangelho, que todas estas pessoas são regeneradas e serão salvas, só podemos dizer que seria obrigação de qualquer pessoa no mundo rejeitar esse evangelho, porque é tão incoerente com os princípios mais comuns de moral que não pode ser de Deus; deve ser do diabo.

Em seguida podemos dizer que ninguém é regenerado por seu próprio esforço. Uma pessoa pode mudar bastante, e isto é muito bom; que todos o façam, Uma pessoa pode rejeitar todos os maus hábitos, esquecer os vícios em que andava e controlar suas ações más; ninguém no mundo, porém, pode fazer-se nascer de Deus. Por mais que ele se esforce, jamais conseguirá realizar o que transcende o seu poder. E preste atenção, se alguém conseguisse fazer nascer a si próprio de novo, ainda assim não entraria no céu, porque há outro detalhe da condição que ele teria quebrado: "Quem não nascer do Espírito não pode entrar no reino de Deus." O maior esforço da carne não atingirá este patamar, de nascer do Espírito de Deus.

Agora podemos dizer que a regeneração consiste em que este Deus, o Espírito Santo, de maneira sobrenatural — veja, com a palavra "sobrenatural" quero dizer simplesmente o que o termo significa, mais que natural — age sobre os corações das pessoas, que, pela atuação do Espírito divino, ficam regeneradas. Sem o Espírito isso é impossível de acontecer. Se esse Deus, o Espírito Santo, que "efetua em nós tanto o querer como o realizar", não agir sobre a vontade e a consciência, a regeneração é absolutamente impossível, de modo que não há salvação. "O quê?", diz alguém, "você está querendo dizer que Deus intervém absolutamente na salvação de cada pessoa, para regenerá-la?" Exatamente. Na salvação de cada pessoa há uma manifestação real do poder de Deus, pela qual o pecador morto é avivado, o pecador renitente se torna dócil, o pecador desesperadamente endurecido fica com a consciência sensível, e aquele que rejeitou Deus e desprezou a Cristo é levado a lançar-se aos pés de Jesus. Há quem queira chamar isso de doutrina fanática, mas nada posso fazer a esse respeito; para nós basta que a doutrina é bíblica. "Quem não nascer  do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito."

http://www.projetospurgeon.com.br/2012/01/a-necessidade-da-regeneracao/


III – NICODEMOS

Nicodemos foi ter com Jesus à noite. Sim poderia ter sido de dia, mas talvez a sua condição de fariseu influente, mestre em Israel, pessoa nobre, o tivesse intimidado. Sendo conhecido, seus pares facilmente saberiam.

Talvez tenha ido à noite por ser muito ocupado, o que também é possível.

Nicodemos inicia o discurso de uma forma polida. Diplomaticamente, a melhor maneira de se iniciar uma entrevista proveitosa é com elogios. Até para que as críticas, se vierem, sejam amenizadas pelos elogios. 

Naquela noite, o mestre iria atendê-lo. Era o momento em que todas as dúvidas, todos os anseios, poderiam ser satisfeitos. Fico imaginando aquele homem, conhecedor de todos os sinais do Mestre, de suas palavras e atos poderosos, conhecedor as Sagradas Escrituras, praticante delas e mestre em Israel, apreensivo.....

“Ninguém pode fazer tais sinais se Deus não for com ele”. Nicodemos deixa claro que não acredita nas acusações de seus pares contra Jesus. Um bom sinal, por certo. Também dá a entender que se colocava inteiramente à frente do mestre dos mestres disposto a tudo.

De fato, ele ainda vive a causalidade da lei: faze isso e viverá! Ele crê que Jesus é o messias pelos sinais, é uma relação de causalidade. Mas entender racionalmente não pode transformar Nicodemos, convencer-se não é o bastante. A alma clama no recôndito do ser, ela tem sede e essa sede aflora, perpassa a mente e chega à superfície do ser.  Nicodemos sabe que é preciso algo mais, mas ao mesmo tempo não sabe, está confuso.

Jesus capta a intenção do coração instantaneamente. Ninguém oculta coisa alguma daquele que sonda os corações. Rapidamente o Senhor percebe a sinceridade no coração de Nicodemos, identifica os anseios e a grande necessidade da alma está patente aos olhos que tudo veem. 

Então, o diagnóstico: Você precisa nascer de novo!

Nada de diplomacia, nada de elogios precedentes, nada de rodeios. A verdade vem nua e crua: 

- Você, filho de Abraão, que se considera filho de Deus, que se considera reto diante da lei, você mesmo! Se não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus, não pode entrar no reino de Deus.
- Mas já sou filho de Abraão, sou herdeiro das promessas, sou do povo escolhido, sou fariseu, doutor da lei, pratico boas obras, sou sincero em tudo, já estou salvo pela fé de Abraão e sinto-me aperfeiçoado pela lei.......
- Se não nascer de novo, está morto, Nicodemos, não pode entrar, sinto muito! As promessas feitas a Abraão são para os nascidos de novo! Você não pode entrar! Você é só mais um sepulcro caiado, os sacrifícios te purificaram o exterior, não a consciência.
- Estou aqui hoje, o que devo fazer?

Então o Senhor passa a responder:

- Nicodemos, o vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito! (João 3:8) 
- Nicodemos, “o que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” (João 3:6-7)

Nicodemos imaginou que Jesus falava de um segundo nascimento físico. Porém, mesmo se fosse possível isso, se a alma reencarnasse em um novo feto, ainda assim ela seria um ser perdido para sempre porque não nascera de novo pelo Espírito. Não, decididamente o espiritismo é uma mentira hedionda.

O novo nascimento ou regeneração é o ato SOBRENATURAL pelo qual Deus concede uma vida espiritual, faz a alma renascer, àqueles que se entregam a Jesus Cristo como Salvador. Sem esse nascimento espiritual sobrenatural ninguém pode ver o Reino de Deus, tampouco entrar no Reino de Deus.

Então por que a expressão novo nascimento? Não seria mais apropriado nascimento espiritual? Há aqui um mistério. O novo nascimento ocorre porque tivemos um nascimento anterior em Adão.

Adão recebeu o sopro do Espírito. Antes de pecar, seria imortal, feito à imagem e semelhança de Deus. Mas então desgraçadamente caiu, caindo gerou filhos à sua imagem e semelhança, filhos que tinham a sua genética depravada, que tinham a sua genética imoral, mortal e decaída (Gênesis 5:3). 

Toda a imaginação do homem é continuamente má (Gênesis 6:5). Deus quer filhos à imagem e semelhança de Seu Filho unigênito, e a única forma de fazer isso seria um sacrifício vicário perfeito, que pagasse o preço pelo pecado, e que o Deus trino, purificada a consciência do pecado, viesse a fazer novamente morada na alma do pecador, operando nela o milagre do novo nascimento.

Portanto, salvação não é só crer, não é só aceitar Jesus, desculpem-me. Salvação é um milagre sobrenatural, e o vento assopra onde quer. É Deus quem ama primeiro, é Deus quem salva, não por esforço humano, mas tão somente pela graça, maravilhosa graça. Não fique esperando, amado, que você marcará dia e hora com o Salvador, não será assim, Ele marcará dia e hora com você, e se sentires o seu coração arder não o endureça para sempre. Pode não ter volta.

Assim como os pais devem proceder à certidão de nascimento, o Deus vivo escreve no livro da vida a certidão de nascimento do salvo. Ali está o registro no céu. O salvo em Cristo Jesus está registrado na eternidade, passa a ser conhecido de todos, embaixo, na terra e em cima no céu.

Foi a noite da transformação para Nicodemos. Encontramos-lhe depois defendendo o Senhor Jesus perante seus pares que tanto antes temia contrariar, e finalmente requerendo o corpo do amado Senhor para sepultá-lo após a morte. Não sabia Nicodemos que era apenas por três dias, um aluguel de três dias pela cova na pedra. Por que o que vive para sempre adormeceu apenas por ínfimos momentos ante a eternidade, nada mais.

Se você quer saber se foi salvo, a vida de Nicodemos diz tudo. É insuportável ver alguém falando mal do Senhor Jesus. É insuportável enlamear-se gostosamente no espojadouro de lama, é insuportável banquetear-se no vômito, como um cão. O nascido de novo não ama o pecado, pode ser que o pecado o chame, mas ele logo volve, horrorizado, pois sabe que não pode ir para longe daquele amor que conheceu. Paulo dizia assim: Eu, o preso do Senhor! O amor de Cristo nos constrange!

O novo nascimento é uma reviravolta completa na vida do salvo em Cristo Jesus. Quem teve um filho sabe como é uma nova vida dentro de casa, ela simboliza perfeitamente essa mudança radical.

Quer saber? O novo nascimento é o que de mais radical pode acontecer na vida de um ser humano.
Se você é nascido de novo, faça firme a sua vocação. Não permita que conversas de religiosos, de sepulcros caiados imponham dogmas religiosos, procedimentos sem os quais Deus não opera ou atua. 

Não aceite aquilo que não está escrito na Bíblia, como se fora a mais profunda revelação do iluminado da sua igreja.

A mais profunda de todas as revelações, a meu ver, é essa: Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer de novo! E isso não vem de você , tampouco da sua religião, mas vem de Deus!

Se não foi o seu líder religioso que te fez nascer de novo, não será ele que vai preservar a sua bênção. Quem vai fazer isso é o Espírito Santo. Não é a sua religião que fez 45 anos que vai acrescentar qualquer coisa à Bíblia, a Bíblia não precisa de defensores.

Jesus, quando combateu com satanás no deserto, não usou alguma revelação que o Pai lhe dera, e olha que tinha muitas. Ele usou apenas a Sagrada Escritura: ESTÁ ESCRITO!

Quando o rico insensato, na parábola de Lázaro, pediu que alguém avisasse a seus familiares da desgraça do inferno, Jesus avisou: “Tem Moisés e os profetas, ouçam-nos!”

Se a Bíblia não diz tudo, então Deus não é Deus. Se você precisa se esforçar para compreender as Escrituras, então você não foi iluminado e regenerado. Da mesma forma, se é preciso extrema ginástica intelectiva para apresentar uma verdade bíblica, essa verdade não é bíblica. Por exemplo, os adventistas precisam utilizar pelo menos uma dezena de passagens para “inferir” que temos de guardar o sábado, esforçando-se para extrair um entendimento favorável à sua tese, forçando um entendimento, sem que haja ordem expressa nas Escrituras neotestamentárias para guardar o sábado. Os hebreus precisam de um só versículo bíblico (o quarto mandamento) para demonstrar que precisam guardar o sábado. A conclusão é por demais óbvia: Os hebreus devem guardar o sábado, a igreja não tem que guardar dia nenhum porque está debaixo da graça.


CONCLUSÃO

Graças ao bom Deus que o índio do nosso exemplo (Charles H Spurgeon) pode ser cidadão do Reino de Deus pelo novo nascimento. Esse novo nascimento muda a “genética” do ser. Transforma o índio do nosso exemplo em cidadão nativo da Inglaterra.

Da mesma forma, os filhos de Adão, pelo novo nascimento, são transformados em filhos do Deus vivo, cidadãos do céu, com certidão de nascimento e tudo o mais. Quando o nascido de novo bater à porta, o guarda terá de deixa-lo entrar, ele tem esse direito porque é um cidadão do Reino, do Reino de Jesus.

A cédula da condenação foi rasgada, isto é, a velha identidade, onde constava a condição de escravo de satã e do pecado, gravada com o ônus da condenação à morte, foi rasgada pelo Senhor na cruz do calvário.

O mar vermelho se abriu para você, meu irmão, basta cantar do outro lado. Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?

Há um texto bíblico de extrema importância e altamente revelador. Vamos vê-lo integralmente (a fé vem pelo ouvir). Permitam-me:

E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, 
Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens;
Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.
Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,
Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,
E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.
E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto;
Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.
Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus;
Efésios 2:1-19

O texto é claro. Estávamos mortos. Ora, mortos não falam, mortos não podem ver ou ouvir, mortos são completamente insensíveis, não se movem, não podem fazer absolutamente nada.
Essa é a situação do homem sem Jesus, sem ter nascido de novo: MORTO.

Depois de denunciar a nossa execrável situação, O Espírito nos afirma que pela graça somos salvos. Graça aqui é favor imerecido, mas é também algo mais, é um poder SOBRANATURAL que emana de Cristo, é algo que vai além do que a mente humana pode imaginar. É uma força atrativa que a todos atrai a Cristo. Depois, a afirmação é que isso não vem de nós.

Se restava alguma dúvida que tínhamos alguma participação na obra da salvação ela foi desfeita aqui. A uma porque mortos nada podem fazer, a duas porque isso não vem de nós, os mortos em nossos pecados. Por fim, a melhor definição para salvação: DOM DE DEUS.

E arremata: Porque somos feitura sua. Sim amados, somos uma nova criação. Feitura é, no original grego, poiema (ποιημα). Essa palavra significa um produto, algo criado. Vem do verbo poieo, que significa fazer, criar, mas fazer, criar a obra de um artesão, de um artista.

O nascido de novo é a obra artística do Pai, como um poema. Sim, também foi dito que somos a carta de Cristo, e perfumada, temos o bom cheiro dEle, o cheiro do Espírito de Deus.

Não é uma carta de maldição, de adultério, de homossexualismo e depravação, de vícios em drogas e bebidas, idolatria, contendas, ódios, porfias, chocarrices, mentiras e homicídios. Aqui afirmamos que não odiamos esses pecadores, porque Deus os ama e nós também os amamos, mas também não concordamos com o pecado que é inimigo de Deus.

“Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor” (Salmo 150)

Se você nasceu de novo, de fato aconteceu um rebuliço na sua vida. Você foi envolto nos braços do Senhor, sentiu um amor maior que a maior expressão de amor que conhecemos, que é o amor de mãe. Jamais deixe esse amor esfriar. A vida virou de pernas para o ar, a casa virou uma bagunça, a rotina caiu por terra e os horários mudaram. Eis que tudo se fez novo!

Você que nasceu de novo, a salvação é sua, entraste para a família de Deus, e dela nunca mais sairá, pois aquele que em nós começou a boa obra é poderoso para concluí-La.

“Diante de tantas mortes prematuras de pessoas que sequer puderam ouvir falar de Jesus, do assassinato de cristãos em países de maioria muçulmana ou espiritualista, de tantas doutrinas confusas no seio cristão que afastam muitas vezes as pessoas do único mestre, diante de tantos falsos mestres, diante de tanta dor causada aos salvos por doutrinas, heresias e ensinos escravizantes, e que poderia ser evitada, apresento esse estudo. Afirmo que não foi fácil, mais aí está, creiam-me, foram duras investidas e perseguições. Se esse estudo serviu para confortar alguém, então terá valido a pena o ingente esforço para trazê-lo a lume.”

CVPFB

sábado, 20 de junho de 2015

SALVAÇÃO

INTRODUÇÃO

Não há tema mais importante na Palavra de Deus do que esse. Afinal, todo o plano de Deus para o homem está focado na salvação.

O primeiro ato, depois da queda adâmica e expulsão do paraíso, foi a morte de um animal para cobrir a nudez de Adão e Eva. Aqui vemos o plano de Deus para propiciar a redenção: o salário do pecado é a morte, mas o Senhor aceitará um sacrifício substitutivo. Com Abel, vem a confirmação do plano para salvação, apenas pelo sacrifício substitutivo. Ou seja, não será jamais pelas obras.

Adão foi feito à imagem e semelhança de ELOHIM, mas caiu e perdeu essa condição.

Em resumo, a queda de Adão, motivada por um desejo que nasceu no coração de Eva e no seu próprio de provar o conhecimento do bem e do mal e ser semelhante a Deus, teve por meio a tentação e consistiu em um desejo corrupto e consequente ato de desobediência direta à Palavra de Deus.

Adão pecou não apenas por ter comido do fruto proibido, mas antes por tê-lo desejado e desobedecido. A consumação do pecado foi o ato pecaminoso, fruto do desejo proibido e da desobediência, consumado ao provarem do fruto proibido.

Uma vez consumado o pecado, a consequência foi o afastamento de Deus, a separação de Deus pelo pecado. Perdeu a comunhão íntima que possuía, perdeu a imagem e semelhança de Deus, perdeu o direito sobre toda a criação e a terra, foi condenado à morte pelo pecado e toda a criação foi amaldiçoada junto com Adão e Eva.

A depravação da natureza humana não é somente moral, é também física e espiritual. A morte física é a consequência para o corpo físico. A corrupção da alma e a morte espiritual é a consequência para a alma. Todo o ser do homem foi corrompido pelo pecado original, tornando-o incapaz de, por si só, retomar a original comunhão com o Senhor.

Por isso, a doutrina do pecado original é a única a ser aceita. O desvio de Pelágio, que nega o pecado original, que em tempos modernos teve por defensor homens de Deus como Charles Finney e algumas correntes arminianas modernas, não pode jamais ser aceito. Charles Finney foi um guerreiro da fé, mas errou nessa parte porque queria oferecer aos universalistas, humanistas e outros críticos uma resposta, tendo que admitir por essa razão que a depravação seria apenas moral. Um ledo engano. Não temos que justificar Deus ou Sua Palavra, Deus não precisa de advogados.

Apenas para argumentar, se a depravação fosse apenas moral nós não envelheceríamos e nem morreríamos. O corpo foi atingido, bem como a mente e o espírito. Todo o ser do homem foi golpeado mortalmente pelo pecado, principalmente o corpo físico, cujos membros se inclinam para o pecado até mesmo no nascido de novo. Paulo afirma:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”. (Romanos 7:18)

“Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:21-24)

Adão até poderia ter livre-arbítrio no éden, mas então perdeu o livre-arbítrio ao cair e se tornar escravo do pecado. Ora, escravos não tem livre-arbítrio, simples assim. Essa, aliás, é a posição de Lutero e dos demais reformadores.

Seus filhos herdaram essa condição irremediavelmente, pois foram gerados à sua imagem e semelhança, e não mais à imagem e semelhança de Deus.

E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete (Gênesis 5:3 – ACF).

Veja que não foi à imagem e semelhança do Senhor, mas dele próprio, Adão, que já havia caído.

Assim, diante da impossibilidade do homem, pelas suas próprias obras, pelas suas forças, retornar a ter comunhão com o Senhor, retornar ao primeiro estado, Deus providenciou para esse homem caído uma plano de salvação.


A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

Soteriologia é o estudo da salvação.

Interessa-nos o processo de aplicação da salvação da parte de Deus para Seus eleitos. Consiste em uma sequência de várias ações desse processo que tem a participação de Deus e do homem. O estudo da salvação busca justamente o entendimento das várias ações desse processo divino-humano.

Assim, entendemos ser possível uma apresentação sistemática de todas as etapas do processo de aplicação dessa salvação. Há uma ordem na salvação, ainda que as etapas não sejam estanques, seu início e fim definidos pari passu.  Louis Berkhof descreve a ordo salutis como:

“o processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo, é concretizada subjetivamente nos corações e vidas dos pecadores. Visa descrever, em sua ordem lógica e também em suas inter-relações, os vários movimentos do Espírito Santo na aplicação da obra de redenção. A ênfase não recai no que o homem faz ao apropriar-se da graça de Deus, mas no que Deus faz ao aplica-la.” (Teologia Sistemática, fl. 383)

Temos uma definição de ordem da salvação em Romanos 8:29-30. É claro que não estão aqui todas as etapas, mas dá para ter uma noção do todo do processo através dessa pasagem bíblica. Todavia, o movimento do Espírito não pode ser nem lógico, nem cronológico.  O processo de salvação, muito embora seja coerente aos desígnios de Deus, não pode ser separado em etapas estanques. Por exemplo, a fé salvífica acompanha todo o processo, a regeneração não se perfaz da mesma maneira em todos os humanos, os eventos podem ocorrer simultaneamente, ou não. Enfim, o Senhor tem a sua forma de agir que, muitas vezes, não se conforma a esquemas lógicos necessários à compreensão humana.

A ordem da salvação é entendida de maneira diferente entre calvinistas e arminianos e outros, cada qual se valendo da sua particular doutrina da salvação para definir uma ordem, sistematizando a aplicação da salvação segundo seus próprios pressupostos.

Todas as vezes que utilizarmos uma sequência, para fins de não induzir o leitor a uma ou outra doutrina, procuraremos definir de onde tiramos a ordem.

Nesse estudo, partimos da visão calvinista, precipuamente porque é a visão dos reformadores e da ortodoxia. Wayne Grudem utiliza a seguinte ordem: eleição, chamado, regeneração, conversão (fé e arrependimento), justificação, adoção, santificação, perseverança e glorificação. Abaixo temos uma ilustração dessa ordem.

Eleição: A escolha dos eleitos é a escolha daqueles a quem serão aplicados redenção, portando colocamos como o primeiro ato de Deus na ordem. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Efésios 1:4). Não podemos afirmar que a eleição seja condicional a alguma atitude ou caráter dos eleitos. Não é possível.

Quem elege, para fazer uma boa escolha precisa conhecer antecipadamente o candidato, é claro. Mas nesse caso os critérios de eleição são pertinentes ao Senhor, que não nos revelou. Somente conhecendo o passado, presente e futuro, o Senhor pode eleger antecipadamente, e é o que Ele faz, mas humildemente devemos responder que não sabemos como. Como Ele conhece antecipadamente, pois elege desde o ventre, ou mesmo antes, não sabemos.

Para os arminianos, Deus não interfere na escolha do homem. Ele somente sabe de antemão quem livremente (livre-arbítrio) aceitará Jesus e, por essa razão, faz a sua eleição dos escolhidos. Seria a eleição, por assim dizer, apenas uma visão do futuro. A isso retrucamos que se a eleição está condicionada à aceitação posterior de Jesus como Salvador, então Ele não precisaria eleger ninguém antecipadamente, o termo eleição não deveria estar na Bíblia porque não teria nenhuma serventia e nenhum sentido. Aqui ainda temos outro problema: se a eleição está baseada apenas no pré-conhecimento de Deus, que elege aqueles que Ele sabe que por livre escolha aceitarão Jesus, então ficou estabelecido um critério para a eleição, ocorre que esse critério de escolha não está nas Sagradas Escrituras, consistindo então em rematada heresia.

Portanto, afirmar que a eleição é feita apenas porque Deus sabe quem aceitará a graça salvífica, ou quem a rejeitará, é impor condições que não estão na Palavra de Deus. Deus elege porque Ele conhece tudo antecipadamente, Ele elege não apenas por isso, mas porque Ele quer. A eleição é incondicional porque não depende do homem, que quando foi eleito estava perdido e não havia feito nada ou demonstrado que faria algo. A eleição é pertinente à soberania divina.

“E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4:35)

“Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mateus 19:26)

O homem, querendo desvendar as coisas ocultas de Deus, tateando na Palavra, comparando texto com texto, muitas vezes fora do contexto, não deve ir além do que lhe foi permitido ir. O que é certo afirmar é que não sabemos como Deus elege os escolhidos e ponto. Por isso mesmo a eleição é incondicional, haja vista que o Senhor não estabeleceu condições nas Escrituras Sagradas para eleger alguém.

"As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre" (Dt 29,28).

Mas dirão: Deus seria injusto se elegesse uns para salvação e permitisse a condenação dos demais. A isso respondemos que Deus não é injusto e tudo faz com justiça e sabedoria. Se Ele não revelou os mistérios da eleição é porque tem seus motivos. Não cabe a nós discordar, procurar encontrar motivos e razões para Deus escolher e eleger uns e não todos, procurar justificar Deus, defende-Lo. Basta saber que Deus é bom, que sua benignidade dura para sempre, que Ele quer que todos sejam salvos, que nós temos mandado do Senhor para evangelizar a todos.

A eleição não está condicionada a alguma ação ou obra humana. O Senhor não apenas sabe o futuro, mas atua na história do universo exercendo a sua soberana vontade e sustentando a existência de todas as coisas e seres, do contrário nem haveria mais universo.

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.” (Hb 1.1-4)

Deus não elege o homem porque sabe o que o homem vai fazer com a graça oferecida. Ninguém pode jamais afirmar isso com base nas Escrituras Sagradas porque elas não dizem nada a respeito. Deus elege o homem valendo-se de critérios que só Ele conhece e a Ele pertencem, os quais não nos revelou. Entrar nas coisas ocultas ao Senhor não passa de imaginação descompromissada com as Escrituras Sagradas.

“Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaias 55:9).

Podemos concluir assim: A eleição é incondicional, é do Senhor, pertence ao Senhor que não nos revelou como elege, nem quais os critérios.

Por outro lado, Deus respeita a vontade humana, respeita a decisão do homem.

Parece incompatível, e para a mente humana é incompatível. Mas quando lidamos com o infinito, com uma mente que está além do tempo, na eternidade, nada é impossível. Duas linhas paralelas sempre se encontrarão no infinito, na eternidade. Na eternidade, o Eterno é, ninguém mais.


Chamado: O chamado é o ato do Espírito de comunicar eficazmente o evangelho gracioso ao coração do homem, é o encontro marcado, o momento escolhido pelo Senhor para conceder ao homem uma verdadeira experiência com o Eterno que culmina com um chamado direto à alma. Só o Espírito pode fazer isso. Encontramos esse movimento espiritual na ordem de Romanos 8:39-30 e também revelado em 1 Coríntios 1:24 “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”

Regeneração: O sentido etimológico da palavra regeneração vem do vocábulo grego paliggenesia, que significa novo nascimento ou nascer de novo. Refere-se a uma nova criação. Regeneração é uma mudança sobrenatural  operada pelo Espírito Santo na natureza da pessoa que recebe Jesus Cristo como Salvador.

A fé salvífica é comunicada ao nascido de novo provavelmente no ato em que se opera nele a infusão de vida pelo Espírito. Jesus expressamente afirma ser impossível ao velho homem entrar no reino de Deus sem ser nascido de novo: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:3-5

Conversão: É o ato de crer e se arrepender, de receber Jesus como único e suficiente Salvador.
Não é necessário uma confissão de fé, muito embora seja desejável. Porém o ladrão da cruz não recitou qualquer fórmula, tão somente arrependeu-se, humilhou-se e no seu entendimento pôs toda a sua confiança em Jesus Cristo, o nazareno, crucificado. Recebendo o dom da fé o homem está apto para crer e se arrepender. É o Senhor que toma a iniciativa da salvação, Ele nos amou primeiro, nos capacitando para a conversão. Essa ação é primariamente divina e depois humana é chamada de conversão. Em Romanos 8:29-30 temos:

“Porquanto, aqueles que antecipadamente conheceu, também os predestinou para serem semelhantes à imagem do seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes igualmente justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.”

Assim, o chamado precede a conversão, mas não é mencionado em nenhum lugar das Sagradas Escrituras que a conversão precede ao ato de regeneração ou novo nascimento, que também não é pontual ou estático, mas se protrai no tempo, pois o que é nascido do Espírito deve ao final ter Cristo formado nele, deve abandonar o velho homem e se revestir do novo. Entendemos que a regeneração se inicia com a fé, não antes dela, nem antes da conversão.

Ocorrem juntas. Se a regeneração ocorresse antes, teríamos que concordar que ao pecador nem mesmo cabe aceitar Jesus, pois antes mesmo de ser salvo já ocorreu o novo nascimento. Mas sabemos que não é assim, que o pecador escolhe ser salvo, ainda que entendamos que nada fez para ser salvo e que foi movido pelo Espírito a ser salvo por meio da fé, tendo sido renovado para o arrependimento.

Crer e se arrepender fazem parte do chamado. Porém, nem mesmo o se arrepender é do homem. Ele precisa ser renovado para o arrependimento e para crer, ou seja, nem mesmo o arrependimento é um ato da livre vontade humana:

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.” (Hb 6:4-8 ACF)

Justificação: É o ato judicial de Deus de, após a conversão, declarar o pecador justo. A culpa do pecado foi paga na cruz e a justiça de Cristo é atribuída a nós. Encontramos essa justificação na ordem de Romanos 8:30 e percebemos que ela sucede a fé em Romanos 5:1 “Justificados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Adoção: É o ato pelo qual Deus nos declara seus filhos e nos tornamos parte da sua família. Podemos agora nos relacionar com um pai amoroso, desfrutar dos seus cuidados e disciplina, além de ganharmos um corpo de irmãos, a Igreja. Em Gálatas 4:5 Paulo diz que fomos resgatados da do domínio lei (justificados) para recebermos a adoção de filhos. Em João 1:12-13 vemos claramente a adoção como filhos, pois o Senhor nos dá o direito de sermos filhos de Deus, aos que creem no seu nome (Jesus Cristo).

Santificação: O processo pelo qual o homem, a partir do momento em que nasce de novo e se torna uma nova criatura, ajudado e guiado pelo Espírito Santo, passa a abandonar o pecado para uma vida na presença do Senhor.

O Espírito torna a santificação possível e age diariamente conduzindo o homem e sua vontade, que também tem papel importante nesse ponto. “Se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão com os irmãos e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado” (IJoão 1:7)). “E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso (2 Co 6:18)

… Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1).


Perseverança dos santos: O ato soberano de Deus pelo qual ele preserva seus filhos da apostasia e os mantêm seguros na fé. As palavras de Jesus em João 6:39-40 são suficientes: “Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia.”

Não podemos conceber que após a salvação o homem possa perder a salvação e recuperá-la muitas vezes, dependendo da sua vontade de voltar a Deus. Esse cai-cai não existe. O que existe é uma salvação perene e duradoura, em que mesmo se pecarmos temos um advogado no céu, em que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. Mesmo os que se desviam não caíram da graça. Se há uma possibilidade de voltar a ter plena comunhão com o Senhor é porque não houve a queda, o cair da graça, a morte espiritual.

Inobstante, muito embora seja difícil, perder a salvação não é impossível. Por uma simples motivação: As Escrituras advertem ser possível perder a salvação e, elas, as Escrituras, não podem falhar.

Conforme se verá, precedem o cair da graça o afastamento gradual de Cristo, o esfriamento do amor, o retorno gradual e progressivo ao pecado e, por fim, a apostasia. O pecado, ainda que voluntário, não significa cair da graça, pois o que se desvia não perdeu a bênção da salvação. O nascido de novo pode retornar à comunhão.

"Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tiago 5.19,20).

No texto acima vemos claramente que o irmão (“Meus irmãos” é o endereçamento do Apóstolo Tiago, como começa o parágrafo e a quem se destina o ensino), regenerado, que se desvia da verdade, não perdeu a bênção da salvação. Porém se persistir no erro, a sua obra pode se queimar e ele ainda será salvo, mesmo que pelo fogo. Isso não significa impossibilidade de perder a salvação, pois se persistir no erro a vida espiritual perecer, então a queda será definitiva.

 É possível, portanto, perder a salvação. O nome que os textos do NT dão a essa queda definitiva é “cair da graça”.

O cair da graça é definitivo, não há relato bíblico que o caído possa voltar. É o que temos em Hebreus 10:26-29:

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

Evidentemente, o apóstolo não está falando aqui do pecado moral, mas do retorno a práticas legalistas, como o guardar o sábado, circuncisão e inclusive o sacrifício no templo. Tais práticas anulariam o sacrifício de Jesus se levadas a efeito.

Porém, o pecado voluntário, sistemático, é um forte sinal de que não houve real conversão.

Por outro lado, se houve novo nascimento, regeneração, então o pecado voluntário reiterado é sinal de apostasia, que pode culminar com a rejeição final. Antes, porém, o Espírito vai insistir fortemente com o nascido de novo. A provação é iminente neste caso, como foi com Davi, que nem por ter pecado perdeu a salvação, mas sofreu severas consequências e perdeu o filho, passou por grande e intensa provação na sua própria casa em razão do seu pecado.

Acho que ninguém quer passar por isso, mas é o que espera o filho bastardo, que está sem disciplina (Hebreus 12:8). Isso, porém, não é o mesmo que cair da graça e perder a salvação. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo (1 Coríntios 3:15). Ser salvo pelo fogo é provação terrível, mas não é perder a salvação.

“Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos” (Hebreus 6:7-9).

Portanto, passar pelo fogo consumidor não é coisa agradável, é extremamente doloroso, mas muitos escolhem justamente isso.

Aqui lembramos da parábola do semeador. Nos dois primeiros casos, semente lançada à beira do caminho e entre pedregais, não houve real conversão, não houve novo nascimento. Porém no caso do espinheiro que sufoca a semente, houve conversão, mas a nova vida vem sendo sufocada pelos cuidados dessa vida. Espinheiro é pecado, idolatria, contenda, imoralidade, pensamentos contrários à santificação, amizade com o mundo que é inimizade com Deus, mentira, dissimulação e, por fim, apostasia. Ainda que não seja fácil perder a salvação, é possível. Se a Palavra manda temer ao Senhor, sendo o temor o princípio da sabedoria, então fica a advertência.

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?” (Tiago 4:4,5)

Adúltero, no texto acima, é traidor, o que trai Jeová. Está em pecado, voluntariamente e reiteradamente, perto está da perdição eterna.

Repetindo, é impossível aos que nasceram de novo, e recaíram, ser renovados para o arrependimento. 

Se nascer de novo e cair da graça, não resta mais sacrifício. Aqui o homem Fez uma escolha consciente e definitiva pelo pecado, pelo mundo e pelo príncipe desse mundo. Ele está perdido para sempre, tornou-se semelhante ao pai da mentira, ao seu pai.

Ainda que creiamos na perseverança dos santos, não anulamos as Escrituras e afirmamos que cair da graça é (sim) possível, é terrível, e não tem volta. Ao nascido de novo que novamente morrer em seus pecados, não resta mais sacrifício. Porém, essa queda há de ser consciente e voluntária, fazendo o caído apostatar da fé, rejeitar a Cristo e a graça salvífica, pisando ao sangue de Jesus e tornando-se semelhante ao próprio diabo.

Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

Não existe essa coisa de novo nascimento, cai, perdeu a salvação, depois recupera e nasce de novo, cai de novo, cai, levanta, levanta e cai. Nada disso, só se nasce de novo uma única vez, se perder a salvação, não tem volta! Por essa razão, desviar do alvo, pecar, não é sinônimo de cair da graça. 

Mudar de denominação não é sinônimo de cair da graça, muito menos!  

Porém, se pecarmos, temos um advogado no céu........ mas não é para viver no pecado, é para seguir a Jesus e amar a Jesus.

Porém se pecar e não se arrepender, continuando no pecado voluntariamente, temos um sério problema: Pode ser que não tenha nascido de novo. Ou pode ser que o espinheiro esteja sufocando a semente do Semeador Eterno, e nesse caso pode acabar perdendo a salvação, aniquilando o novo nascimento e caindo da graça. Se cair da graça após toda a insistência do Espírito Santo, tornou-se como a porca lavada que volta ao espojadouro de lama, como o cão que tornou ao próprio vômito. 

Assemelhou-se ao próprio diabo, ao anticristo, será que haverá retorno? As Escrituras afirmam que não.

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama”.

Portanto, a palavra para os eleitos é que deles o Espírito Santo espera coisa melhor.

Glorificação: O ato final de Deus na aplicação da salvação acontecerá na segunda vinda de Cristo quando os corpos de todos os crentes serão glorificados, ou seja, transformados a semelhança de Cristo em corpos incorruptíveis e perfeitos (Também descrito em Romanos 8:30). Em João 6:39-40 vemos que a perseverança resultará nessa ressurreição do último dia, em outras palavras, glorificação. 

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade.” 1 Coríntios 15:52-53.


ORDO SALUTIS – ORDEM DA SALVAÇÃO

Eleição (Deus) Chamado (Deus) Conversão/Regeneração (Deus-homem) Justificação (Deus) Santificação (Deus-homem)  Glorificação (Deus)


CONCLUSÃO

Assim, para nós a única garantia que temos de salvação é Cristo Jesus. Segui-Lo é a única garantia. Podemos falhar, o pecado às vezes pode nos atingir, mas a vontade de seguir a Cristo, intrínseca ao nascido de novo, é maior. O Espírito de Deus nos constrange. É Ele quem nos garante que estamos salvos pelo simples fato de lutar conosco para ficarmos presos a Cristo. Se você tem por característica desejar seguir a Cristo e abandonar o pecado, amar o irmão, então você está salvo. Se alguém tiver por característica permanecer no pecado, amar o pecado, odiar seu irmão, amar as coisas que Deus detesta e não amar as coisas que Deus aprova, provavelmente não foi salvo, ou, se foi, perto está de perder a bênção da salvação, pois a terra que produz espinheiros se presta ao fogo, perto está de ser condenada e amaldiçoada não fora a misericórdia divina.

Essa certeza de salvação em Cristo Jesus é que nos traz a paz e o desejo de buscarmos cada vez mais, mais e mais. Não perderemos a salvação por qualquer motivo, por um pecado, estamos seguros nas mãos do Senhor nosso Deus e Salvador. Todavia, é bom relembrar as terríveis e funestas consequências do pecado para Davi, foi tão terrível que ele desejou a própria morte.

“Mas de vós, amados, esperamos coisa melhor.”

O grande sinal de que estamos salvos é a transformação de vida iniciada no novo nascimento, o abandono do pecado e o alegrar-se com a presença do Senhor e querer mais do Seu Santo Espírito.

A nossa segurança está só em Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé. Ou seja, Ele nos salvou e completará em nós a boa obra.

No próximo post, estudaremos calvinismo e arminianismo.

SOLA SCRIPTURA